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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Destaques de DEZ-2017

Vamos encerrar esta série de postagens com uma última lista, dedicada a um Dezembro pleno de emoções e bons preâmbulos para um excelente 2018.

Le Bignele Valpolicella Classico Superiore DOC, Veneto 2014 (Itália)

🍷 Este foi o vinho escolhido para o almoço de Domingo com convidados, um cânone do Vêneto composto por 70% de Corvina/Corvinone, 25% de Rondinella e 5% de Molinara. No nariz notei fruta vermelha tímida, seguida por textura delicada com taninos finos e acidez também comedida. Sutil e elegante.

Cooperativa Vinícola Aurora, Saint Germain Merlot Meio Seco, Serra Gaúcha (Brasil)

🍷 Eis um inesperado vinho que deu "liga". No caso, com um risoto de filé "venenoso de bão" preparado no susto por minha esposa. Muitos torcem o nariz para rótulos baratos não safrados e ainda mais meio secos, mas eis aqui um vinho com olfato característico da Merlot, paladar leve e dulçor bem diluído, sem peso.

Casa Valduga / Domno .Nero Brut, Vale dos Vinhedos (Brasil)

🍷 Para iniciar nossas férias, nada melhor que um espumante refrescante para comemorar em noite de vale night (bebê em casa aos cuidados da babá), com um jantar leve no restaurante Dom Sebastião após a sessão de Star Wars Episódio VIII - Os Últimos Jedi. O blend leva 60% de Chardonnay, 30% de Pinot Noir e 10% de Riesling Itálico.

Vignobles Dauré, Le Jaja de Jau Sauvignon Blanc, IGP Côtes de Gascogne 2015 (França)

🍷 Na virada do ano este foi o vinho que abriu os trabalhos. Bastante agradável e marcado por aromas de limão e maracujá, devidamente confirmados no paladar fresco e seco. Uma aposta certeira em qualquer ocasião, e não somente como aperitivo em festividades.

Chiarli 1860, Porta Soprana Lambrusco di Sorbara Secco DOC, Emilia-Romagna 2015 (Itália)

🍷 Logo em seguida provamos nosso primeiro Lambrusco tinto e seco, que foi devidamente aprovado. Leve e de olfato perfumado, é prova de que é possível fugir dos Lambruscos doces que infestam o mercado nacional.

E é isso!

* O Valpolicella veio por meio do clube de vinho Winelands em remessa especial, o Porta Soprana encontrei na loja Bodega da Chapada em Chapada dos Guimarães, o Jaja de Jau na Viña Jardim das Américas, o Ponto Nero na carta de vinhos do Dom Sebastião e o Saint Germain foi cortesia da cunhada num Sábado chuvoso.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Destaques de JUN-2017

Das garrafas que abrimos em Julho, a grande surpresa foi que a maioria dos destaques ficou a cargo de vinhos brasileiros. E nem parecia que ia ser assim, visto que logo no início do mês os nacionais apareceram em roupagem suave, como desejado pelas ilustres visitas que recebemos.

Mas esse é o barato do mundo do vinho. Nunca se sabe de onde virão as garrafas que realmente são capazes de deixar uma história a ser contada no futuro.

Fante, Cordelier Equilibrium, Serra Gaúcha 2013 (BRA)

Blend de parcelas não declaradas de Cabernet Sauvignon, Merlot e Ancelotta, este foi o vinho escolhido para acompanhar um churrasco de Domingo. Delgado e elegante em boca com boa carga de taninos, ficou excelente depois de um tempo em taça, fazendo jus ao nome já que contava também com elegante acidez.

Donoso Group, Domaine Oriental Reserva Chardonnay, DO Valle del Maule 2015 (CHI)

Confesso que no início parecia que este vinho seria mais um daqueles Chardonnays sem personalidade excessivamente carregados na madeira. Mas eu estava enganado. Sim, o carvalho tinha boa presença em boca, com nuances tostadas e fortes traços de coco, porém o vinho se mostrou maduro sem ser pesado. Foi uma boa maneira de lembrar do que os vinhos brancos são capazes de mostrar em matéria de textura.

Vinícola Perini, Osaka Culinária Japonesa Sushi Wine, Serra Gaúcha / Vale Trentino 2015 (BRA)

Depois de muito olhar para essa garrafa em minhas andanças nos supermercados, finalmente decidi arriscar. E não é que o vinho agradou mesmo? Corte de Merlot e Cabernet Franc desenvolvido especialmente para ser harmonizado com comida japonesa, ele cumpre bem seu objetivo. No olfato as nuances de frutas vermelhas são leves, em boca a sensação é de fraco dulçor, com bons níveis de frescor e acidez. Realmente uma boa harmonização para comida japonesa.

Boscato Vinhos Finos, Boscato Cave Cabernet Franc, Serra Gaúcha / Nova Pádua 2013 (BRA)

Algumas pessoas já tinham me comentado sobre a qualidade dos produtos da Boscato, mas ainda assim esse Cabernet Franc me surpreendeu. Vinho fantástico, com aromas e paladar que lembram cerejas e amoras, taninos macios, muito equilibrado, simplesmente delicioso por si só ou acompanhando comida.

Real Companhia Velha, Royal Oporto Tawny 10 Anos, Douro (POR)

Para finalizar um almoço de família no dia de meu aniversário, abrimos essa garrafinha de 200 ml para acompanhar uma torta de paçoca (diet) preparada por minha esposa.

A combinação foi divina. Caramelo, mel e damasco maduro são os principais descritores tanto no olfato quanto em boca, num caldo viscoso e que no alto de seus 20% de teor alcoolico não afetou ninguém. Como a garrafa foi fechada em 2009 a rolhinha estava quase toda encharcada, mas o vinho estava impecável. Não há informação de castas usadas, apenas é divulgado que as uvas provêm de "vinhas velhas".

* comprei o Cordelier no Estradeiro (uma lanchonete/restaurante de beira de estrada na saída de Jaciara!), o Perini Rosé no supermercado Comper do CPA II e o Royal Oporto num dos supermercados Big Lar. Já o Domaine Oriental chegou num pacote do clube Winelands, enquanto o Boscato veio pela Vinumday.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Destaques de ABR-2017

Foram tantos vinhos bons e diferentes em Abril que ficou difícil escolher só cinco para essa postagem!

Uma curiosidade que raramente aconteceu comigo foi me deparar com duas garrafas passadas no mesmo mês. Uma delas estava pra lá de morta, a outra ainda "tomável" mas também em franco declínio. Considerando somente o universo de vinhos que degustei neste curto espaço de tempo dá para dissertar um pouco mais acerca do ocorrido, então vou deixar para escrever sobre o assunto no próximo texto.

Vamos aos destaques selecionados do mês.

Casa Valduga Terroir Raízes Cabernet Franc, Campanha 2013 (BRA)

Este foi aberto com boa expectativa, já que sempre ouvi falar muito bem dessa linha da Casa Valduga, e não desapontou. Mostrou paladar que equilibra muito bem o carvalho, os taninos e a acidez, que são precedidos por um ótimo conjunto de aromas de fruta madura.

Abel Pinchard / Loron & Fils, Beaujolais AOP 2014 (FRA)

Quando me foi solicitada uma garrafa para relaxar no fim de noite acompanhando uma pizza, esta foi a que tirei da adega. Uma excelente escolha, para dizer o mínimo: bem leve, com olfato frutado tímido em meio a toques caramelados, sem peso em boca graças ao perfil tânico macio.

O vinho fez muito bonito na opinião de todos à mesa, e ouso dizer que é o melhor Beaujolais/Gamay que já tive a oportunidade de provar.

Domaine Berthoumieu, Haute Tradition, Madiran AOC 2011 (FRA)

Para iniciar os trabalhos num dos fins de semana prolongados de Abril escolhemos esse blend com 60% Tannat, 30% Cabernet Sauvignon e 10% Pinenc. No nariz chama a atenção pela fruta madura, na taça é um vinho relativamente potente, vivo, medianamente encorpado, que abriu bem após um tempinho no decanter e ficou sedoso em boca.

Miolo Wine Group, Miolo Lote 43, DO Vale dos Vinhedos 2012 (BRA)

Decidimos abrir este clássico da vitivinicultura nacional num raro dia em que a temperatura caiu a um nível em que era possível deixar um tinto encorpado descansando no decanter por bastante tempo.

Corte de Cabernet Sauvignon e Merlot em proporções idênticas, as notas de chocolate e tostado sobre fruta madura precedem o paladar denso, marcado por um amadeirado que finalizou leve ao contrário do que eu esperava.

Herdade das Servas, Vinha das Servas Branco, VR Alentejano 2012 (POR)

Este foi o escolhido na carta do restaurante Mahalo Cozinha Criativa para comemorar o aniversário de quatro anos de casamento e acompanhar pratos à base de lagosta e pirarucu.

Com abacaxi dominando os aromas de frutas tropicais aliados a uma pitada de doçura, em boca se mostrou um vinho amanteigado, de textura já delicadamente evoluída. A composição é de 40% Roupeiro, 30% Antão Vaz, 20% Arinto e 10% Sémillon.

Saúde!

* a garrafa do Raízes veio da loja temporária de Natal da Domno no Pantanal Shopping, o Beaujolais peguei no Empório Delícias do Mar, o Madiran no supermercado Big-Lar, o Lote 43 no site da Miolo e o Vinha das Servas, como mencionado acima, na (superfaturada) carta do restaurante Mahalo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Miolo Wine Group, RAR Collezione Gewürztraminer, Campos de Cima da Serra 2011 (Brasil)

Vinho: RAR Collezione Gewürztraminer
Safra: 2011
Região: Campos de Cima da Serra
País: Brasil
Vinícola: Miolo Wine Group (http://www.miolo.com.br)


Apesar de minha experiência com a casta ser pífia, as poucas oportunidades que tive de experimentar a Gewürztraminer foram bem agradáveis. Confesso que tinha poucas expectativas com relação à garrafa desta postagem, muito em parte devido à safra já um pouco avançada e à prova não tão empolgante do RAR Collezione Viognier que veio no mesmo pacote.

Mas eu estava enganado.

Como é bom quando nossas expectativas são quebradas da melhor forma possível, não é mesmo?

Um Pouco de História

Apesar de sua impressionante presença de mercado, a Miolo foi fundada há relativamente pouco tempo, tendo iniciado suas atividades no início dos anos 90. A herança do patriarca italiano Giuseppe Miolo foi além do nome da vinícola, que se expandiu nos anos seguintes a atualmente conta com cerca de 40% de market share no mercado nacional de vinhos finos.

A Miolo Wine Group de hoje no Brasil e no mundo (fonte: site da vinícola)

Durante seu plano de expansão, a Miolo adquiriu outras vinícolas e estabeleceu várias parcerias nacionais e internacionais. Em 2006 a empresa passou a ser chamada de Miolo Wine Group, e em 2009, por exemplo, anunciou a compra da Vinícola Almadén, passando a atuar num segmento de mercado em que ainda não participava.

A sede da vinícola fica no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, e possui uma estrutura de enoturismo que conta com sala de degustação, visitação às caves e aos parreirais e cursos de degustação. Para muitos é uma visita obrigatória se você estiver conhecendo a região. Eu já estive lá, e você?


Campos de Cima da Serra

Campos de Cima da Serra é uma das regiões produtoras de uvas mais frias e elevadas do Brasil, com 1.000 metros de altitude. O clima é temperado frio, de verões amenos, com temperatura máxima média de 25°C e mínima média de 15°C. No inverno, mais frio pela altitude, a temperatura máxima está em torno de 16°C e a mínima em torno de 7°C, sendo comum a ocorrência de geadas e até mesmo neve.

A aliança da Miolo com o empresário Raul Anselmo Randon resultou na produção dos vinhos RAR, cujas uvas são plantadas em Campos de Cima da Serra e todos os anos seguem para a sede da vinícola, no Vale dos Vinhedos, onde os vinhos são elaborados.


O vinho degustado: RAR Collezione Gewürztraminer, Campos de Cima da Serra 2011

Como informado no contrarrótulo, as uvas que foram usadas na elaboração deste vinho estavam parcialmente atacadas pelo fungo Botrytis cinerea, responsável pela chamada podridão nobre (o fungo seca a uva e extrai a umidade de dentro dela, concentrando em seu interior os açúcares). A ficha de informação do vinho aponta um percentual de 20% de uvas com podridão nobre.

Além do fator acima, o dulçor que se percebe em boca é devido também à interrupção da fermentação alcoolica por intermédio da redução brusca da temperatura, o que preservou o açúcar residual do vinho e lhe deu a característica de demi-seco. Não houve envelhecimento em carvalho, somente em tanques de aço inox por um período de um ano.

Levamos o vinho conosco em noite de rolha livre no restaurante Taberna Portuguesa. Ao ser aberto, exalou aromas frutados e uma leve pegada mineral, muito agradável. A cor era límpida, e não correspondeu nem um pouco ao que eu esperava de um vinho branco de mais idade, um indicativo de que a garrafa poderia ter tranquilamente permanecido na adega por mais algum tempo.

Decidi harmonizá-lo por contraste com a lagosta à pescadora, que leva na receita molho de limão, manteiga e pimentão (depois de uma fantástica porção de rã ao olho e óleo). A presença redonda e equilibrada em boca casou muito bem com ambos os pratos, especialmente o principal, e o dulçor praticamente desapareceu em meio à textura da lagosta.

Vinho muito bom, realmente um espetáculo em se tratando de um branco demi-seco.