Mostrando postagens com marcador Clubes de Vinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clubes de Vinho. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Clube Wine, categoria Refrescantes - Uma Retrospectiva para 2019

Antes tarde do que nunca!

Para manter o padrão deste inconstante e quase abandonado blogue, venho por meio desta fazer uma atrasada porém rápida retrospectiva sobre o clube de vinhos ao qual aderi durante o ano de 2019. Como todos os leitores provavelmente não devem se lembrar, acabei renovando por esquecimento o Clube Wine na categoria dos "Refrescantes", a.k.a. exclusivo com vinhos brancos e rosés.

Sem mais delongas, vamos às rasas observações.

Janeiro - Antigal Winery & Estates (Argentina)
  → Uno Sauvignon Blanc 2018
  → Uno Chardonnay 2018

Ambos vinhos razoáveis, fieis às castas usadas e com bom nível de frescor . O Chardonnay, no entanto, foi o que mais se sobressaiu em matéria de sutileza em boca. Eu poderia jurar por um momento que ele teria até tido algum contato com carvalho devido aos traços de coco em meio ao abacaxi.


Fevereiro - Fantinel (Itália)
  → Fantinel Selezione di Famiglia Friulano, Friuli DOC 2017
  → Fantinel Selezione di Famiglia Ribolla Gialla, Trevenezie IGT 2017

Velha parceira do clubeW, a Fantinel entregou nesta seleção dois vinhos com uvas muito incomuns aqui no Brasil. Foi aqui, por exemplo, que tomei contato com a variedade Friulano. Minha impressão para ela foi a de um vinho de olfato fechado, porém com paladar suavemente floral, de acidez comedida e corpo bem leve. Já a Ribolla Gialla mostrou além da leveza uma textura delicada e acidez média.


Foi interessante ver a identificação de região de IGT Trevenezie para o Ribolla Gialla. Trata-se da nova designação para a antiga indicação geográfica típica delle Venezie, que está vigente desde 2017 depois que a IGT delle Venezie foi transferida para a nova DOP Venezia. As "três Venezas" ou o "trivêneto" são as subregiões de Venezia Euganea, Venezia Giulia e Venezia Tridentina, que equivalem às modernas áreas do Vêneto, Friuli-Venezia Giulia e Trentino-Alto Adige. Obviamente, as regras de vinificação para a IGT Trevenezie são mais brandas que as regras da nova DOP, com rendimentos menores e sem requerimentos de envelhecimento em barrica (fonte: wine-searcher; confira também este link para mais informação).

Março - Laborie Wines (África do Sul)
  → Laborie Sauvignon Blanc, WO Western Cape 2018
  → Laborie Chardonnay, WO Western Cape 2018

Ambos vinhos jovens e muito bem feitos. O Chardonnay se mostrou mais cítrico e ácido que o normal para a casta, e isso com um leve toque de madeira devido à passagem de parte do vinho por barrica. Quanto ao Sauvignon Blanc a percepção foi de lima, limão e traços bastante minerais. 


Abril - Quinta & Casa das Hortas (Portugal)
  → Portal das Hortas Baião Avesso e Arinto, Vinho Verde DOC 2017
  → Portal das Hortas Escolha Avesso e Alvarinho, Vinho Verde DOC

Exemplares aparentemente muito similares. O Avesso/Arinto se mostrou mais interessante, com boa acidez e tipicidade. O outro vinho foi somente correto, já que carecia da acidez esperada quando falamos em autênticos Vinhos Verdes. Seria o fato dele ser não safrado um sinal? Não creio, pois há bons Vinhos Verdes não safrados disponíveis mercado afora.


  → Torroxal Albariño, DO Rías Baixas 2018
  → Rantamplán Vendimia Nocturna Verdejo, DO Rueda 2018

Com um agradável leque de notas frutadas e minerais, além de leve cremosidade e acidez, o Torroxal foi muito bem como acompanhamento para comida japonesa e Netflix. Enquanto isso, o que o Rantamplán tinha de melhor era a etiqueta bem-humorada, já que o vinho se mostrou bem normal, com características comuns e acidez média-baixa.


Junho - Viña Cremaschi Furlotti (Chile)
  → Antuco Reserva Chardonnay, DO Valle Central 2018
  → Antuco Gran Reserva Chardonnay, DO Valle del Maule 2017

A versão Reserva estava bem refrescante e cítrica, com fim de boca que me lembrou casca de limão. No Gran Reserva o carvalho integrado aportou nuances interessantes em boca, porém o vinho pecou por um final de amargor muito intenso pro meu gosto.


Julho - Parras Wines (Portugal)
  → Cavalo Bravo Private Selection Branco, VR Tejo 2017
  → Casas Brancas Selection Branco, VR Alentejano 2018

Cavalo Bravo: olfato fresco e convidativo, porém seguido por um paladar meio aguado.
Facilmente subestimável, o Casas Brancas foi na verdade o melhor vinho da seleção anual. Muito aromático, com vívidas nuances florais e frutadas que lembram pêssego e lichia, seguidas por paladar leve e suavemente mineral. Surpreendente, para dizer o mínimo.


Agosto - Vignobles Latorse (França)
  → Enclos du Wine Hunter Blanc, Bordeaux AOC 2018
  → Enclos du Wine Hunter Rosé, Bordeaux AOC 2018

No projeto que os winehunters do clube conduziram em conjunto com a vinícola, estes foram os exemplares dedicados à categoria dos refrescantes. Ambos vinhos corretos, o rosé estava fresco e frutado, enquanto o branco exibiu boa acidez com uma sensação geral de limão. Foi bem como vinho de relaxamento ao final do dia. 


Setembro - Kinast Family Wines (Chile)
  → K Barrel Reserva Sauvignon Blanc, DO Valle de Lontué 2018
  → K Barrel Reserva Chardonnay, DO Valle de Lontué 2018

Eu esperava um vinho um pouco mais maduro no caso do Chardonnay, que estava agradável mas mostrou textura cítrica muito jovem seguida por persistência de leve amargor. Já o Sauvignon Blanc foi embora bem rápido graças ao paladar atrativo e à grande mineralidade.


Outubro - Bodegas Casado Morales (Espanha)
  → Alonso López Blanco, DOCa Rioja 2018
  → Alonso López Rosé, DOCa Rioja 2018

A versão rosé, com mineral e frutado delicioso, sólida acidez e bela coloração, foi uma agradável surpresa no fim de semana. O branco exibiu perfil de fruta cítrica com ótimo frescor, corpo bem leve e acidez média.


Novembro - Chateau Souverain (Estados Unidos)
  → Chateau Souverain Rosé 2017
  → Chateau Souverain Sauvignon Blanc 2018

Limão e uma pitada de fruta cítrica amarga dominam o paladar do Sauvignon Blanc, e no olfato o vinho é tímido porém fresco o suficiente para abrir os sentidos. O rosé estava bom, com mineralidade em evidência e leves traços frutados que remetem a framboesa e tutti-frutti.


Dezembro - Viña Undurraga (Chile)
  → Finca Las Lomas Sauvignon Blanc, DO Valle de San Antonio 2019
  → Finca Las Lomas Sauvignon Gris, DO Valle de Leyda 2019

Difícil traçar uma linha divisória entre as duas variedades desta seleção. O Sauvignon Gris soou como um Sauvignon Blanc, porém com um fim de boca de suave amargor; de resto um vinho com olfato fresco, paladar mineral, cítrico e de alta acidez. O Sauvignon Blanc também se mostrou mineral e cítrico, porém delicado e com acidez na medida. A garrafa foi embora num tapa!


Mesmo com a constante presença de rótulos fabricados, o clubeW refrescantes continua sendo uma boa opção para ter alternativas variadas de vinhos brancos em casa, assim como alguns rosés. Afinal, são bebidas versáteis que combinam muito bem com qualquer ocasião.

Após dois anos associado a esta categoria do clubeW, tomei a decisão de abandonar a assinatura após a seleção de Dezembro. Resolvi não me associar a nenhum outro clube depois disso, mas quem sabe volto algum dia.

Saúde e até a próxima!

quarta-feira, 20 de março de 2019

Clube Wine, categoria Refrescantes - Uma Retrospectiva para 2018

Assim que soube que o Clube Wine tinha uma nova categoria para vinhos brancos e rosés, não hesitei em experimentar a nova modalidade e assinei o plano para 2018. Chamado de Refrescantes, o serviço entrega dois vinhos por mês e tem o preço mais camarada das seis opções disponíveis.

Segue um breve resumo das garrafas que vieram em 2018, assim como algumas anotações rápidas de degustação.

Janeiro - Pajzos-Megyer (Hungria)
  → Ladiva Tokaj Hárslevelű 2015
  → Ladiva Tokaj Furmint 2016

Esta foi uma seleção especial, pois nunca havíamos provado vinho húngaro e nem conhecíamos essas duas variedades de uva. O Hárslevelű exibiu notas de abacaxi e mineral, acidez equivalente e um leve amargor no fim de boca. Já o Furmint tinha paladar que lembra uma mistura de frutas cítricas e maçã verde, leve e seco, ideal para acompanhar entradinhas e uma boa conversa. Foi o melhor dos dois.


Fevereiro - Vignobles Bonfils (França)
  → Clair de Cantaussels Sauvignon Blanc, Pays D'Oc IGP 2016
  → Clair de Cantaussels Rosé, Pays D'Oc IGP 2016  (Grenache, Cinsault)

Sauvignon Blanc de perfil mineral, com olfato que remete a limão e inclinação natural para harmonização com comida japonesa. O Rosé foi aberto para relaxarmos e esquecermos um pouco dos afazeres diários. De aromas frutados e paladar razoavelmente fresco, muito saboroso, o vinho superou as expectativas.


Março - Veramonte / Alto de Casablanca (Chile)
  → Cruz Andina Reserva Chardonnay, DO Valle de Casablanca 2017
  → Cruz Andina Reserva Sauvignon Blanc, DO Valle de Casablanca 2017

A alcunha de Reserva chama a atenção, mas estes são vinhos de custo-benefício típicos do terroir chileno popular, corretos porém sem maiores atrativos. Degustação descompromissada garantida, com comida japonesa, diversão de fim de noite e vida em família.


Abril - Bodegas del Medievo, Bodegas Virgen de La Sierra (Espanha)
  → Almaraz Viúra Chardonnay, DOCa Rioja 2016  (50% Viúra, 50% Chardonnay)
  → Lo Brujo Macabeo, DO Calatayud 2016

O Almaraz é um blend branco leve, cítrico e refrescante. Já o Lo Brujo exala um calor agradável sob a superfície frutada, também com um toque cítrico em sintonia com o paladar fresco.

Em tempo: Macabeo e Viúra são a mesma uva sob nomes diferentes.


Maio - Weingut Dr. Loosen (Alemanha)
  → Ernst Loosen Pfalz Edition Pinot Noir Rosé 2017
  → Ernst Loosen Pfalz Edition Pinot Gris 2017

Muito gostoso esse Pinot Noir Rosé, que surpreende com aromas envolventes e um paladar de leve mineralidade que remete a morangos. O Pinot Gris, por sua vez, é um bom vinho para acompanhar comida japonesa, fresco, mineral, com nuances de pêra e limão no olfato, em boca corpo leve para médio.


Junho - Mancura Wines / Viña Fray León (Chile)
  → Mancura Guardián Reserva Sauvignon Blanc 2017
  → Mancura Guardián Reserva Chardonnay 2017

Leve e cítrico, o Chardonnay foi aberto para refrescar a noite de Sábado, acompanhando bolinho de bacalhau e geleia de pimenta. O Sauvignon Blanc mostrou as esperadas nuances cítricas e de maracujá e goiaba, com mineralidade fresca que transparece graciosamente tanto no olfato quanto em boca.


Julho - Vignobles & Compagnie (França)
  → Petit Tracteur Blanc Côtes du Rhône AOC 2017  (50% Grenache Blanc, 20% Marsanne, 20% Roussanne, 10% Viognier)
  → Petit Tracteur Rosé Côtes du Rhône AOC 2017  (70% Grenache, 20% Cinsault, 10% Syrah)

O branco é um blend agradável de acidez suave, que traz à mente fruta cítrica, maçã verde e orvalho matinal. O Rosé é bastante aromático e de saborosa leveza em boca, ótimo para degustar sem compromisso.


Agosto - Viñas del Vero (Espanha)
  → Viñas del Vero Chardonnay, DO Somontano 2017
  → Viñas del Vero Pinot Noir Rosé, DO Somontano 2017

Um Chardonnay leve como uma pena, quase etéreo, com aromas também leves que lembram abacaxi. Daquelas garrafas muito equilibradas e sutis, que tendem a ir embora bem rápido. Já o Pinot Noir se mostrou um pouco rústico para um rosé, porém com boa acidez e um agradável toque mineral, que casou bem com um risoto.


Setembro - Marianne Wines (África do Sul)
  → Amara Chardonnay, WO Western Cape 2018
  → Amara Chenin Blanc, WO Western Cape 2018

Bons vinhos. Jovem e refrescante, o Chardonnay foi harmonizado em boa companhia com uma salada de endívias e salmão grelhado. Já o Chenin Blanc marcou pela ótima acidez, com olfato que prenuncia mineralidade.


Outubro - Fortant (França)
  → Maison Fortant Grenache Gris Pays D'Oc IGP 2017
  → Maison Fortant Rosé Coteaux Varoix en Provence AOC 2017  (55% Grenache, 30% Cinsault, 15% Syrah)

Seleção exclusiva de rosés. O Grenache Gris, pálido, apresentou aromas tímidos porém paladar incisivo, seco e mineral, com final um pouco amargo além da conta para o meu gosto. O blend desta AOC da qual eu nada conhecia foi mais harmonioso, com aromas frutados e mineralidade equilibrada.


Novembro - Viña Undurraga (Chile)
  → Cauquenes Estate Gran Reserva Sauvignon Blanc, DO Valle de Leyda 2017
  → Cauquenes Estate Gran Reserva Viognier-Roussanne, DO Valle del Maule 2017

Sauvignon Blanc de acidez marcante, muito cítrico em aromas e no paladar, limão e maracujá bastante presentes. Foi o oposto do blend de Viognier/Roussanne, marcado por acidez suave e leve mineralidade, bons aromas de lima e flores silvestres.


Dezembro - Cellers Unió e La Casa de Las Vides (Espanha)
  → Mas dels Mets Garnacha Blanca, DO Terra Alta 2017
  → Barranc del Rei Blanco, DOP Valencia 2017 (Chardonnay, Moscato, Sauvignon Blanc, Verdejo)

O Barranc del Rei é bem saboroso. A casta que mais se sobressai é com certeza a Moscato e seus aromas florais, frescos, que em boca resultam um sensação suave graças à combinação com as outras uvas. Ainda não provamos o Mas dels Mets.


Em geral

Algo costumeiro em se tratando dos vinhos do clube Wine, nota-se uma presença muito grande de exemplares chilenos, a maioria deles fabricados/rotulados exclusivamente para o Brasil (não é encontrada nenhuma informação sobre os mesmos nos sites das vinícolas). Eu particularmente não gosto disso, a impressão que dá é que estamos recebendo subprodutos, principalmente quando as garrafas carregam a palavra Reserva mas não entregam nada que vá além de vinhos jovens de entrada.

Na minha mente um Chardonnay Reserva, por exemplo, deveria vir com no mínimo algum afinamento do vinho por alguns meses em barricas de carvalho. Infelizmente, em matéria de regulamentação o Chile ainda está longe de ser uma Espanha.

Como admirador dos vinhos do velho mundo, senti falta também de exemplares italianos e portugueses, países riquíssimos em castas autóctones e que poderiam abrilhantar muito a categoria dos Refrescantes. Fica a esperança que eles venham a aparecer nas seleções de 2019, pois por pura desatenção eu acabei permitindo que o plano fosse renovado.

Um forte abraço a todos os amigos enófilos!

quinta-feira, 29 de março de 2018

Clube Winelands, plano Enófilo - Uma Retrospectiva para 2017

No início de 2017 não era minha intenção me filiar a um clube de vinhos diferente, mas fui praticamente forçado a isso.

Foi então que decidi dar uma chance ao plano Enófilo da Winelands. Neste plano era possível escolher 4 garrafas mensais a partir de uma seleção que sempre trazia várias opções de tintos, brancos, rosés e espumantes.

A seguir estão listados os vinhos que escolhi em cada mês e algumas impressões rápidas sobre os que se mostraram mais marcantes.

Janeiro - Cavino (Grécia), Shabo (Ucrânia), Aurelia Visinescu (Romênia), Edoardo Miroglio (Bulgária)
  → Ionos Rosé, Peloponessos/Achaïa (100% Syrah)
  → Shabo Merlot, Odessa 2014
  → Artisan Tamaioasa Romaneasca Sec Dealu Mare DOC, Muntenia 2012
  → Saint Ilia Estate Merlot & Mavrud, PGI Thracian Valley 2011

Muito interessante mesmo o Tamaiosa Romaneasca, um vinho branco realmente diferente. O St Ilia também agradou bastante, como um Merlot com um quê de especial muito provavelmente devido ao blend com a Mavrud.


Fevereiro - Pitars (Itália), Chateau Burgozone (Bulgária), Giménez Méndez (Uruguai)
  → Pitars Cabernet Franc, Friuli Grave DOC 2015
  → Pitars Prosecco DOC Brut Millesimato 2015
  → Côte de Danube Rosé, PGI Danube Plain 2013 (Cabernet Sauvignon, Syrah)
  → Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec Rosé, Canelones 2014

Por motivos de bagunça no controle de estoque, dois dos vinhos que pedi nesta seleção foram trocados por outros de qualidade supostamente compatível. No lugar do Côte de Danube Rosé era pra ter vindo um rosé grego, e ao invés do Prosecco um espumante croata.

Nesta seleção o destaque ficou por conta do Rosé de Malbec da Gimenez Mendez, simplesmente delicioso.


Março - Logodaj Winery (Bulgária), Cavino (Grécia), Casa Donoso (Chile), Halewood Wines (Romênia)
  → Logodaj Winery Shiraz & Cabernet, Thracian Valley 2012
  → Mega Spileo Moscato, PGI Achaïa 2014
  → Domaine Oriental Reserva Chardonnay, DO Valle del Maule 2015
  → Prahova Valley Reserve Sauvignon Blanc, Terasele Dunării 2013

Todos os vinhos neste mês foram acima da média. Como o Logodaj da foto abaixo, harmonizado com filé ao molho de cerveja.


Abril - Stambolovo Winery (Bulgária)
  → Stambolovo Estate Sauvignon Blanc, PGI Thracian Valley 2016
  → Stambolovo Estate Chardonnay, Thracian Valley 2015
  → Stambolovo Estate Cabernet Sauvignon, PGI Thracian Valley 2015
  → Stambolovo Rosé Cabernet Sauvignon, Thracian Valley 2015

Numa seleção toda búlgara, os vinhos da Stambolovo se mostraram bem básicos. A única exceção foi o Chardonnay, que apresentou nível de maturidade mais elevado que o usual.


Maio - Cavino (Grécia)
  → Cavino PGI Naoussa, Macedonia 2014 (100% Xinomavro)
  → Nemea Reserve PGI, Peloponessos 2011 (100% Agiorgitiko)
  → Malagousia White Dry Wine, PGI Achaïa 2014
  → Cavino PGI Patras, Peloponessos 2015 (100% Roditis)

Exclusivamente grega, nessa seleção os vinhos que mais me marcaram foram os tintos. O Naoussa, feito a partir da uva Xinomavro, primou pela sutileza, enquanto o Nemea Reserve me apresentou a Agiorgitiko de uma maneira bem austera.


JunhoAurelia Visinescu (Romênia), Mooiplaas Wines e Goedverwacht (África do Sul), Angelus Estate (Bulgária)
  → Nomad Cabernet Sauvignon, Dealu Mare DOC, Muntenia 2012
  → Langtafel White, WO Western Cape 2014 (Sauvignon Blanc, Sémillon, Chenin Blanc)
  → Crane White Colombar, WO Robertson 2014
  → Angel Rosé PGI Thracian Valley 2015 (Merlot, Cabernet Sauvignon)

Cabernet Sauvignon romeno opulento, de gente grande. Quanto aos demais, todos exemplares leves para consumo festivo.


Julho - Lovico SuhindolStambolovo Winery e Edoardo Miroglio (Bulgária), Aurelia Visinescu (Romênia)
  → Lovico Chardonnay, Danube Plain 2015
  → Stambolovo Mavrud, Thracian Valley 2015
  → Sant'Ilia Chardonnay, PGI Thracian Valley 2013
  → Nomad Feteasca Alba Dealu Mare DOC, Muntenia 2012

Pequeno erro de logística: o Sant'Ilia deveria ter sido um Sauvignon Blanc, não um Chardonnay. E olha a cor desse Feteasca Alba, um bom prelúdio para o leque de aromas e textura que lembram frescor com maçãs maduras!


Agosto - Viñas de America del Sur e Familia Falasco (Argentina), Azzolini Winery (Bulgária)
  → Rocío Sauvignon Blanc, Mendoza 2014
  → Viejo Carretón Cabernet Sauvignon, Mendoza 2015
  → LOLO Chardonnay Torrontés, Mendoza
  → Neragora Mavrud Rosé Organic, PGI Thracian Valley 2015

Grande surpresa esse LOLO, vinho não safrado da Familia Falasco que se mostrou excelente.


SetembroAzzolini Winery e Chateau Burgozone (Bulgária), Krauthaker (Croácia), Bodegas Verdúguez (Espanha)
  → Ares Organic Wine Merlot & Mavrud, Thracian Valley 2013
  → Côte de Danube Cabernet Franc, PGI Danube Plain 2011
  → Paralela Graševina, Slavonija KZP 2013
  → Imperial Toledo Verdejo, DO La Mancha 2014

O Côte de Danube Cabernet Franc estava ótimo. O Riesling Itálico, nome mais comum para a Graševina, também agradou bastante.


OutubroHalewood Wines (Romênia), Linton Park Wines (África do Sul), Karabunar WineryEdoardo Miroglio (Bulgária)
  → Rhea Limited Edition Viognier, Dealu Mare DOC 2011
  → Louis Fourie Chardonnay, WO Wellington 2013
  → Contour Rosé Merlot Cabernet Sauvignon, Thracian Valley 2015
  → Bio Viognier & Traminer, PGI Thracian Valley 2013

Um vinhaço de muita personalidade esse Rhea Viognier. Quanto aos demais, havia até uma leve carga de taninos no orgânico Bio, o que deu uma dimensão a mais ao aspecto frutado do vinho.


NovembroKarabunar Winery e Vinal Winery (Bulgária), Bodega Familia Irurtia (Uruguai)
  → Castellum Rosé, Thracian Valley 2015 (100% Pinot Noir)
  → Pazva Red Blend, Danube Plain 2014 (44% Cabernet Franc, 33% Merlot, 23% Gamza)
  → Le Pont Couvert "Ami Boué" Cabernet Sauvignon Reserve, Danube Plain 2014
  → Km. 0 Río de la Plata Gran Reserva Viognier Roble, Colonia/Carmelo 2011

Outro excelente Viognier por conta dos uruguaios da Familia Irurtia, com o carvalho muito bem integrado ao produto final. E comida japonesa mais o Castellum 100% Pinot Noir ficou nota dez.


DezembroStambolovo Winery e Karabunar Winery (Bulgária), Shabo (Ucrânia), Giménez Méndez (Uruguai)
  → "Templar" Beau-Séant Merlot, Thracian Valley 2008
  → Bisou Rosé, Thracian Valley 2015 (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc)
  → Shabo Gold Brut, Odessa 2014 (Chardonnay, Pinot Noir)
  → Gimenez Mendez Alta Reserva Tannat, Canelones 2013

Por enquanto somente o Merlot e o Tannat foram degustados, ambos vinhos mais potentes que tinham ainda muito a evoluir em garrafa (fica a dica aos que ainda os têm em suas adegas).


Para quem está de fora, a variedade do Clube Winelands é um atrativo quase irresistível. Afinal, não é em qualquer lugar ou todo dia que se pode ter acesso a vinhos búlgaros, croatas, eslovenos, romenos, ucranianos e gregos, entre outros.

No entanto, depois de algum tempo no clube comecei a perceber que a empresa tende a trabalhar sempre com as mesmas vinícolas/fornecedores, sem apresentar novas vinícolas e repetindo as mesmas garrafas depois de somente alguns meses. A única vinícola italiana durante todo o ano, por exemplo, foi a Pitars, e no caso da Grécia a Cavino. No panorama geral não há nada de errado nisso, mas para quem pede quatro garrafas mensais, não repete vinhos e gosta de conhecer novas vinícolas, as alternativas rapidamente se esgotam. Foi o meu caso.

E foi por isso que Dezembro foi meu último mês no clube.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Vinhos de Bicicleta, seleção Liberté - Uma Retrospectiva para 2016

Com a notícia de que a Wine.com iria novamente repetir uma vinícola no mês de Fevereiro em sua categoria intermediária, acabei tomando a decisão de sair do ClubeW. E para manter uma pequena fonte de vinhos diferenciados todos os meses acabei optando pela seleção Liberté do Clube Vinhos de Bicicleta, que tem uma proposta bacana e pelo que pude perceber é similar em qualidade ao ClubeW Classic.

Recapitularei agora rapidamente todas as seleções do ano de 2016.

Janeiro - RJ Viñedos (Argentina), Lidio Carraro (Brasil)
  → Joffré Expresiones de Terroir Chardonnay, Mendoza 2014
  → Avesso Vinho de Autor, Serra Gaúcha 2014

Ambos os vinhos se mostraram bem agradáveis, em especial o Avesso por este ser um assemblage de Tannat e Pinot Noir, duas castas de características francamente antagônicas. Textura e corpo leves, o que significa predomínio final da Pinot, com olfato de framboesa evoluindo para morangos e fim de boca breve.

Avesso Vinho de Autor, Serra Gaúcha 2014

Fevereiro - MGM Mondo del Vino (Itália)
  → Mandorla Primitivo, Puglia IGT 2014
  → Mandorla Pinot Grigio delle Venezie IGT 2014

Dois italianos interessantes. O Primitivo se mostrou mais sutil que a maioria das garrafas da casta que se encontra no mercado, com presença em nariz e boca de especiarias, frutas secas e cereja. Quanto ao Pinot Grigio, harmonizei-o com sushi: leve, delicado, de boa acidez, olfato marcado por nuances de pêra.

Mandorla Primitivo, Puglia IGT 2014

Março - Badia di Morrona (Itália), Ego Bodegas (Espanha)
  → Rosso dei Poggi, Toscana IGT 2014
  → Marionette, DO Jumilla 2012

Com 85% de Sangiovese e 15% de outras uvas, o Rosso dei Poggi foi um dos vinhos mais fechados que provei esse ano. Confesso que tentei ter paciência com ele, mas essa foi uma daquelas garrafas em que a única característica que pareceu emanar da taça foi o álcool. Com partes iguais de Mourvédre e Syrah, o Marionette já agradou bem mais, incluindo aí uma boa presença de carvalho em meio à baunilha e às frutas negras, num vinho vibrante de médio corpo.

Marionette, Jumilla DO 2012

Abril - Azienda Agricola Montechiaro (Itália), Puntí Ferrer (Chile)
  → Monte Chiaro Saltimbanco Rosso di Toscana IGT 2013
  → Cantagua Carmenere, Valle de Curicó 2014

Levei um susto quando abri o Saltimbanco para acompanhar uma rodada de queijos e pães. Por algum motivo que até hoje me intriga o vinho estava inerte, sem qualquer odor ou sabor, como se estivesse morto. Ao invés de jogá-lo fora decidi guardá-lo para ver como estaria no dia seguinte, e não é que ele ficou palatável? Mistério...

O Cantagua Carménère se mostrou opulento e maduro no nariz carregado de amoras e ameixas, porém de paladar um pouco etéreo com taninos salientes.

Monte Chiaro Saltimbanco Rosso di Toscana IGT 2013

Maio - Fattoria La Casaccia (Itália), Quinta Vale de Fornos (Portugal)
  → Gugu, Toscana Rosso IGT 2013
  → Vinha do General, DO Tejo 2013

Há algum tempo atrás escrevi sobre o Gugu aqui mesmo no blogue, então vou dar um repeteco nas anotações sensoriais: o blend é composto por 85% Sangiovese e 15% Merlot com bom olfato frutado para um caldo ainda jovem, que se mostrou um pouco verde em boca mas evoluiu bem na taça degustada fora de casa.

O Vinha do General, por sua vez, foi o primeiro exemplar que provei da região do Tejo. Composto por partes iguais de Castelão e Syrah, o vinho é frutado, com acidez presente e leves toques de cera e violeta. Persistência breve.

Vinha do General Tinto, VR Tejo 2013

Junho - Vinícola Helios (Brasil)
  → Dórico Merlot, Serra Gaúcha 2013
  → Corcéis Tannat, Serra Gaúcha 2013

Escolhida como primeiro ponto de distribuição dos produtos da Helios em São Paulo, a Vinhos de Bicicleta apresentou dois exemplares marcados pela presença poderosa de madeira no processo de amaciamento dos vinhos, ambos muito bons. Ao contrário dos demais exemplares da vinícola, que são produzidos em São Joaquim, estes vêm diretamente da Serra Gaúcha (Guaporé).

Corcéis Tannat, Serra Gaúcha 2013

Julho - Domaine du Père Guillot (França)
  → Pisada Cuvée, Vin de la Communauté Européenne 2014
  → Saint-Palatins Tradition de Vignerons, Vin de la Communauté Européenne 2014

Ambas as garrafas são 100% Tempranillo, vinificadas em solo francês com uvas provenientes de terroir espanhol. Por isso a denominação regional de vinho da comunidade europeia (Vin de la Communauté Européenne). Parece suspeito, não? Principalmente porque não existe informação alguma sobre esses vinhos no site da vinícola. Não que haja algo de errado com eles; por enquanto o único que provei foi o Pisada, um caldo com muita fruta madura e textura contraditoriamente leve.

Pisada Cuvée, Vin de La Communauté Européenne 2014

Agosto - The Wine People (Itália)
  → Colpasso Primitivo, Puglia IGP 2013
  → Colpasso Nero D'Avola, Terre Siciliane IGP 2014

Vinhos leves e mais joviais que os que podem ser encontrados no mercado nacional para as mesmas uvas. O Nero D'Avola, em específico, se mostrou bem maduro no olfato, que exibe bons níveis de fruta negra, ameixa e compotado, seguido por paladar de taninos finos, persistência média e boa acidez.

Colpasso Nero D'Avola, Terre Siciliane IGP 2014

Setembro - Vinos del Sur (Chile)
  → Casa Diego Reserva Syrah, DO Valle de Itata 2013
  → Casa Diego Reserva Pinot Noir, DO Valle de Itata 2013

Alguns dos melhores rótulos chilenos dos últimos anos são provenientes do Valle de Itata. Infelizmente, o único vinho que provei até o momento dessa seleção não agradou muito. O Syrah veio com acidez inicial muito forte, característica que desaponta após os agradáveis aromas de frutas negras e nectarina. O desequilíbrio foi amaciado um pouco com um tempinho em taça e comida, mas fica a esperança de que a degustação do Pinot Noir seja mais bem-sucedida.

Casa Diego Reserva Syrah, DO Valle de Itata 2013

Outubro - Badia di Morrona (Itália), Casa da Fonte Pequena (Portugal)
  → Caligiano Chianti DOCG Edizione Speciale Vinhos de Bicicleta, Toscana 2013
  → Alto da Vila Tinto, Douro DOC 2011

Por enquanto a única garrafa apreciada foi o Chianti rotulado especialmente para o clube. Ao contrário do tinto toscano do mês de Março, dessa vez a Badia di Morrona / Gaslini Alberti foi muito mais de encontro ao meu paladar: olfato de framboesa, cereja e amoras, com boa textura e fim de boca delicado. Foi muito bem harmonizado com espaguete à bolonhesa e uma singela tábua de queijos.

Caligiano Chianti DOCG Edizione Speciale Vinhos de Bicicleta, Toscana 2013

Novembro - Vinícola Trambusti (Itália), Cantine Manfredi (Itália)
  → Zipolino Rosso, Toscana IGT 2015
  → Castelvecchio Barbera, Piemonte DOC 2015

Ainda não provei nenhum dos dois. A composição do Zipolino leva 95% de Sangiovese, o que já é uma excelente notícia para mim. Quanto ao Barbera da DOC Piemonte, a esperança é que a simplicidade ande de mãos dadas com a qualidade.


Dezembro - Società Agricola Randi (Itália), Vinhedos Capoani (Brasil)
  → Rambëla Extra Dry, Emilia-Romagna
  → Capoani Merlot/Tannat, Vale dos Vinhedos 2013

Duas incógnitas que têm boa chance de surpreender. O espumante é feito pelo método Charmat a partir de 100% Rambëla, uva autóctone que na região de Ravenna na Emilia-Romagna tem ainda a alcunha de Famoso. Já o blend de Merlot/Tannat vem de uma vinícola butique na Serra Gaúcha cujas primeiras safras datam de 2010. As expectativas são boas para ambas as garrafas.


De modo geral, os exemplares de 2016 da categoria Liberté agradaram, com duas ou três garrafas que até agora decepcionaram. Muito me alegrou o percentual de rótulos italianos e a inclusão de um espumante diferenciado para o período de fim de ano, só faltou mesmo um pouco mais de vinho branco no segundo semestre.

Comparativamente, o Clube Vinhos de Bicicleta não tem nada do valor agregado em revista ou da interatividade proporcionada pelo site da Wine.com. As seleções vêm acompanhadas somente por um folheto impresso com informações sobre os vinhos (as mesmas que são divulgadas no website), e nenhum recurso de feedback existe para as opiniões dos clientes internautas (o que no final das contas pode ser algo positivo, vide o amontoado de baboseiras que infesta as seções de comentários do ClubeW).

Para o próximo ano minha intenção é migrar para a categoria superior do clube, a Fraternité.

Por enquanto, um forte abraço a todos os leitores e saúde!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

ClubeW Classic - Uma Retrospectiva para 2015

Logo que comecei a me interessar mais pelo mundo dos vinhos uma das primeiras coisas que fiz foi aceitar o convite do Anderson Mendes para entrar para o clube de vinhos da wine.com.br. E eu entrei logo para a categoria Classic, o nível intermediário que foi, originalmente, a linha com a qual a empresa se inseriu no mercado online de vinhos.

Como aderi ao clube exatamente em Janeiro deste ano, vou recapitular agora todas as seleções de 2015. Compartilho impressões marcadas pelo tempo e pela vivência que foi sendo construída aos poucos com muita pesquisa, leitura e, claro, degustações.

Janeiro - Mommessin (França)
  → Fleurie Réserve 2011
  → Beaujolais-Villages Réserve 2013

Com um paladar ainda muito pouco familiarizado com vinhos, não sei o que dizer exatamente desta primeira experiência com a Gamay. Não tenho muitas coisas a declarar dos vinhos em si, distribuídos pelo que parece ser um negociante de vulto da região de Beaujolais, mas ambas as garrafas foram provadas em ambiente descontraído. Isso certamente ajudou na apreciação.

Mommessin, Fleurie Réserve 2011

Fevereiro -  Neethlingshof (África do Sul)
  → Neethlingshof, Chenin Blanc, WO Stellenbosch 2014
  → Neethlingshof Estate, Pinotage, WO Stellenbosch 2014

Pode-se dizer que ambos os vinhos são bastante representativos de suas respectivas castas. O Pinotage nos chamou muito a atenção pela presença característica de fumaça e defumado, e o Chenin Blanc mostrou que pode muito bem se igualar ou superar as uvas brancas mais famosas com seu corpo leve e os amoras minerais, cítricos e de grama molhada.

Neethlingshof, Chenin Blanc, WO Stellenbosch 2014

Março - Barahonda Bodegas (Espanha)
  → Barahonda Sin-Madera, Monastrell, DO Yecla 2011
  → Barahonda Barrica, Monastrel-Syrah, DO Yecla 2011

Ainda não provamos o Barrica, mas o Sin-Madera foi devidamente apreciado numa rodada de entradas de um restaurante do qual gostamos muito. Esta foi também nossa primeira experiência com a Monastrell/Mourvédre, sendo que o que mais chamou a atenção foi a coloração pálida, bastante brilhante do vinho. Agradou no paladar, mas não conseguimos identificar muitos aromas. O Barahonda Sin-Madera foi também a primeira postagem que arrisquei a fazer na minha então recém-criada conta de Instagram.

Barahonda Sin-Madera, Monastrell, DO Yecla 2011

Abril - Fantinel (Itália)
  → Fantinel Selezione di Famiglia Cabernet Sauvignon, Friuli Grave DOC 2012
  → Fantinel Selezione di Famiglia Merlot, Friuli Grave DOC 2012

Meu conhecimento dos vinhos italianos ainda era bastante incipiente quando decidimos degustar os exemplares varietais da Fantinel, feitos com duas das uvas mais tradicionais do velho mundo. Meu favorito foi o Cabernet Sauvignon, que ousei harmonizar com churrasco contra o desejo de muita gente presente a este evento caseiro. Tudo o que posso dizer é que quem não provou não sabe o que perdeu, pois a combinação funcionou muito bem. O Merlot também agradou porém em menor escala, ao ser degustado com uma pizza em noite fora de casa.

Fantinel Selezione di Famiglia Cabernet Sauvignon, Friuli Grave DOC 2012

Maio - Viña Las Perdices (Argentina)
  → Partridge Gran Reserva Bonarda, Mendoza 2012
  → Partridge Gran Reserva Malbec, Mendoza 2012

Posso seguramente dizer que o Bonarda foi uma das primeiras grandes experiências que tive com vinho. Depois de descansar na taça após os primeiros goles ele "abriu" de maneira fantástica, mostrando-se aveludado de uma forma que minha esposa e eu ainda não tínhamos provado em nenhum vinho até então. Fascinante, para dizer o mínimo. O Malbec também foi bom, mas sem a pegada do Bonarda. Um fato interessante que notei sobre a Las Perdices é que esta se trata de uma vinícola de grande projeção na região de Mendoza, visto que seus vinhos figuram de maneira bastante proeminente nas cartas dos restaurantes mendocinos. Esta aí um indicativo importante de qualidade tanto lá quanto aqui, afinal a linha Partridge foi desenvolvida especialmente para o ClubeW Classic.

Partridge Gran Reserva Bonarda, Mendoza 2012

Junho - Viña Ventisquero (Chile)
  → V9 Gran Reserva Single Vineyard Carmenere, Valle del Maipo 2012
  → V9 Gran Reserva Single Vineyard Cabernet Sauvignon, Valle del Maipo 2012

Dois vinhos de muita qualidade desenvolvidos especialmente para o clube. Ambos levam 90% das castas presentes nos rótulos (o Carmenere tem 10% de Cabernet Sauvignon e vice-versa). O Carmenere em especial se mostrou fantástico: perfumado, aromas de frutas vermelhas e ameixa, medianamente encorpado e aveludado, classudo do início ao fim. Não é à toa que a Ventisquero é uma das vinícolas chilenas das quais mais gostamos!

V9 Gran Reserva Single Vineyard Cabernet Sauvignon, Valle del Maipo 2012

Julho - Edna Valley e Bridlewood Winery (Estados Unidos)
  → Edna Valley Pinot Noir, Central Coast 2013
  → Bridlewood Cabernet Sauvignon, Paso Robles 2012

Abrimos o Pinot Noir numa noite de Sábado para acompanhar uma conversa de família. O vinho atendeu as expectivas despretensiosamente, ainda que não mostrasse nenhum diferencial a mais. A Pinot Noir é provavelmente a casta mais difícil de se acertar no processo de vinificação, algo que tenho descobrido aos poucos. Quanto ao Cabernet Sauvignon, por enquanto segue descansando na adega.

Edna Valley Pinot Noir, Central Coast 2013

Agosto - Gérard Bertrand (França)
  → Gérard Bertrand - Cross Series Gran Terroir AOP Tautavel 2013
  → Gérard Bertrand - Cross Series Gran Terroir La Clape 2013

Provei apenas o La Clape até agora. Ainda não tenho muita afinidade com vinhos franceses, mas este se mostrou encorpado, com taninos presentes e aromas de frutas maduras. A julgar pela boa presença de Gérard Bertrand nas listas de recomendações da revista Decanter, está aí uma boa dica de bom produtor para começar a se familiarizar com os vinhos da região de Languedoc-Roussillon.

Gérard Bertrand - Cross Series Gran Terroir La Clape 2013

Setembro - Herdade do Esporão (Portugal)
  → Duas Castas, Alentejo 2014
  → Quatro Castas, Alentejo 2013

O primeiro a ser apreciado foi o Duas Castas (60% Arinto e 40% Gouveio), que harmonizou de maneira magnânima com um bacalhau ao forno preparado por minha esposa. Aromático e elegante, é uma boa variação dos Vinhos Verdes que costumam preencher nossa rotina quando se trata de brancos portugueses. O Quatro Castas (Touriga Franca, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, em partes iguais) foi provado e aprovado recentemente, inclusive caindo nas graças de visitas que não têm o costume de tomar vinho. Foi nesta oportunidade que participamos também do primeiro "encontro" da confraria virtual da comunidade Viva o Vinho (website, Facebook, Instagram).

Duas Castas, Alentejo 2014

Outubro - Allesverloren (África do Sul)
  → Allesverloren Tinta "Barocca", WO Swartland 2014
  → Allesverloren Touriga Nacional, WO Swartland 2014

Nem em Portugal parece ser tão fácil encontrar varietais das uvas autóctones do país, como as que chegaram nessa seleção. Dos dois o que já provamos foi o Tinta Barroca, marcado por paladar medianamente encorpado e olfato de frutas compotadas. Não brilhou, mas desceu bem ao acompanhar massa ao molho vermelho.

Allesverloren Tinta "Barocca", WO Swartland 2014

Novembro - Barahonda Bodegas (Espanha)
  → Tranco, DO Yecla 2011
  → Campo Arriba, DO Yecla 2012

O sucesso da seleção de Março da Barahonda Bodegas foi o que aparentemente levou a Wine a confiar mais uma vez na vinícola. Os dois vinhos de Novembro voltam a ser baseados principalmente na Mourvédre, recebendo parcelas menores de cepas como Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet. As garrafas estão descansando, mas posso seguramente dizer que a expectativa é boa para quando formos degustá-las.


Dezembro - Santa Rita (Chile)
  → Medalla Real Gold Medal Limited Edition Cabernet Sauvignon, Valle del Maipo 2011
  → Medalla Real 1987 Retro Edition Carmenere, Valle de Colchagua 2012

Vinícola bastante conhecida de todos os brasileiros com um mínimo de conhecimento enófilo, a Santa Rita apresentou na última seleção do ano dois rótulos preparados especialmente para o clube, tal qual o fizeram a Las Perdices em Maio e a Ventisquero em Agosto. Estando inseridos dentro da linha Medalla Real Gran Reserva, ambos envelhecem por cerca de um ano em barricas de carvalho. Minha apreciação pessoal pela Carmenere já me deixa com água na boca, então agora é só esperar o momento para abrir as garrafas.



Nas últimas semanas estive pensando seriamente em me desligar no ClubeW. Nada contra a qualidade dos vinhos, é que eu queria focar mais em minhas próprias escolhas para abastecer a adega. Aí minha esposa me convenceu a continuar, e fiquei matutando se deveria debandar para o ClubeW One.

Então peguei-me pensando em como a Wine pode preencher algumas de minhas necessidades de aprendizado... A Carmenere tem ganhado bastante espaço nos tintos, muito em parte graças a um rótulo que veio pelo clube. Eu absolutamente não me sinto à vontade para comprar vinhos franceses (e em menor grau portugueses, com exceção de Vinhos Verdes), então os que vieram pela Wine foram muito bem-vindos.

Enfim, acho que vou ficar mais um tempo no ClubeW Classic. A todos os que, como eu, são participantes de algum dos clubes da wine.com.br, vai aqui um sincero brinde a todas as seleções que estão por vir!