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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Destaques de NOV-2017

Para o penúltimo mês do ano, eis os highligths degustados exclusivamente aqui em casa:

Chateau Burgozone, Côte de Danube Cabernet Franc, PGI Danube Plain 2011 (Bulgária)

🍷 Um vinho que surpreendeu em noite descompromissada, como aromas vívidos de amoras frescas e uma acidez vibrante.

Quinta do Cerrado, Príncipe do Dão Tinto, Dão DOC 2012 (Portugal)

🍷 Olfato marcado pela presença de frutas negras, seguido por textura relativamente sedosa em boca. Composto por 30% de Touriga Nacional, 30% de Tinta Roriz (Tempranillo), 20% de Alfrocheiro e 20% de Jaen, exibiu taninos concentrados num caldo ainda jovem, que casou com o churrasco de domingo mas ficou ainda melhor com o pintado a palito que provamos à noite. Infelizmente não tiramos foto do segundo prato, uma harmonização definitivamente vencedora.

Alvisa, Torissimo Tempranillo, DO La Mancha 2015 (Espanha)

🍷 Tempranillo de coloração mais suave e surpreendentemente leve, com aromas que lembram groselha e acidez média sobre textura elegante. Harmonizou bem com uma rodada de aperitivos numa das quintas-feiras mais tumultuadas dos últimos tempos.

Edoardo Miroglio, Bio Viognier & Traminer, PGI Thracian Valley 2013 (Bulgária)

🍷 Fechamos um fim de semana ótimo com esse blend "orgânico" marcado por aromas que remetem a abacaxi, maracujá e melão, com corpo médio que teve até uma leve pegada de taninos (provenientes da Viognier, talvez?). Foi excelente com comida japonesa.

Loma Larga, Lomas Del Valle Chardonnay, DO Valle de Casablanca 2015 (Chile)

🍷 Um Chardonnay refrescante e cítrico, com ótima acidez e a esperada pegada (sutil) de abacaxi no olfato. Desceu macio, nem parecia que tinha 14% de volume alcoolico. E ainda acompanhando o melhor yakisoba que já tivemos a honra de provar, e que continua fantástico ano após ano.

Saúde e que venham as festas de fim de ano!

* Os vinhos búlgaros (Côte de Danube e Bio) vieram pelo Clube Winelands, o Torissimo e o Lomas del Valle pela Vinumday e o Príncipe do Dão foi comprado no supermercado Comper perto do Alphaville.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Destaques de SET-2017

Por vários motivos a correria está muito grande esse mês, mas isso não significa que vou privar meus dois leitores da amostra mensal dos top 5.

Pois ei-los aqui, selecionados a partir das degustações de Setembro!

Weingut Becker Landgraf, J2 Gau-Odernheimer Riesling trocken, Rheinhessen 2012 (Alemanha)

🍷 Decidimos preparar uma rodada de aperitivos para acompanhar o início da 4a. temporada de Agents of SHIELD na Netflix, e para harmonizar com o momento abrimos esse Riesling alemão maduro, aveludado, perfumado e elegante.

Adega Coop. Ponte da Barca, Estreia Grande Escolha Loureiro Vinho Verde DOC 2016 (Portugal)

🍷 E olha a gente de novo diante de mais alguns episódios de Agents of SHIELD... O vinho verde em questão, 100% feito a partir da casta Loureiro, é refrescante, cítrico, seco, perfeito para acompanhar uma boa conversa e uma boa barca de comida japonesa.

Bodega Familia Schroeder, Saurus Malbec, Patagonia 2015 (Argentina)

🍷 Fazia muito tempo que não tomávamos um Malbec típico. Este, produzido na região vinícola mais fria da Argentina, se mostrou potente e suculento com uma veia frutada aliada a taninos salientes e boa acidez, o que é sempre bem-vindo nos exemplares mais encorpados do novo mundo.

Freixenet Carta Nevada Semi-seco Premium Cava DO (Espanha)

🍷 Perfumado e frutado, está aqui um espumante simplesmente delicioso, feito a partir das castas mais características da DO Cava (Macabeo, Xarel-lo e Parellada). Serviu maravilhosamente como aperitivo para um bom papo.

Quinta dos Ingleses, Vinha dos Ingleses Espadeiro Vinho Verde DOC 2015 (Portugal)

🍷 Eis uma garrafa que comprei por impulso, basicamente porque é um vinho verde rosé feito com uma variedade de uva que eu ainda nunca tinha provado. O caldo de corpo leve tem aquele delicado aspecto frisante que marca alguns vinhos dessa procedência. Refrescante e aromático (morango, tangerina), tem final muito agradável e foi absoluto sucesso acompanhando uma tábua de queijos.

* O Freixenet foi um dos presentes de aniversário que ganhei da minha esposa, o Riesling alemão peguei na adega do supermercado Big Lar, o Estreia Loureiro veio do supermercado Extra e tanto o Saurus quanto o Vinha dos Ingleses adquiri na unidade da Viña Bebidas Finas no Jardim das Américas.

sábado, 5 de agosto de 2017

Destaques de JUL-2017

O mês de Julho começou meio fraco por conta de uma lombalgia aguda que tive ao brincar inocentemente com minha bebê, que fez com que eu tivesse que tomar medicação por alguns dias.

Mas foi só os remédios acabarem que voltei à ativa. :)

Cavino PGI Naoussa, Macedonia 2014 (Grécia)

🍷 Minha primeira experiência com a uva Xinomavro. Dado o que já tinha lido sobre ela eu esperava um caldo mais forte e encorpado, o que não foi o caso. Este foi um vinho até delicado, com taninos redondos no paladar de corpo leve e toque sutil de especiarias, precedido por olfato dominado por sensação de framboesa. Muito bom para ser tomado sozinho, ou no nosso caso acompanhando uma tábua de queijos macios.

Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec Rosé, Canelones 2014 (Uruguai)

🍷 Os rosés de Malbec continuam a me deixar muito contente. E cheguei à conclusão que harmonizam maravilhosamente com comida japonesa. Esta garrafa se mostrou leve, refrescante, ligeiramente frutada nos aromas e de taninos praticamente ausentes, o que de cara exclui a possibilidade de final com amargor presente em muitos rosés.

Solar das Bouças Loureiro, Vinho Verde DOC 2014 (Portugal)

🍷 Já tinha provado varietais de Loureiro no passado, mas esse é com certeza o melhor até o momento. No olfato lembra lichia e melão, além de exalar um pouco de suavidade adocicada. Já em boca ele é seco porém untuoso, com traços de abacaxi e limão, uma acidez presente sem ser pronunciada.

Weingut Michel, Munzinger Kapellenberg Spätburgunder trocken, Baden 2013 (Alemanha)

🍷 Espetáculo de Pinot Noir. E esta garrafa estava no auge mesmo, acho que se tivesse esperado um pouco mais correria o risco de pegá-la em declínio. Vinho exuberante de paladar picante e envolvente, sensação que sucede o olfato maduro de cereja, especiaria, notas terrosas e café. Sozinho já estava excelente, com um risoto de queijo então...

Cantina di Castelnuovo del Garda, Cà Vegar Bardolino Classico DOC, Veneto 2015 (Itália)

🍷 É preciso admitir que a harmonização foi infeliz, pelo menos para metade da pizza. Pepperoni é muito forte para um blend leve como o Bardolino, neste caso composto por Corvina, Corvinone e Rondinella. Independente disso, as taças que provamos antes da pizza chegar foram uma delícia. Aromas bem delicados de cereja e framboesa, com corpo igualmente leve mais taninos domados, acidez média e textura cativante. Já tomei nota para harmonizar melhor minha próxima garrafa de Bardolino.

* Os vinhos desta leva foram todos adquiridos via Internet: o Cavino, o Gimenez Mendez e o Bardolino vieram pela Winelands (os dois primeiros no clube, o último em compra avulsa), o Loureiro comprei na wine.com.br e o Spätburgunder na Weinkeller.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Carmim, Olaria Tinto Suave 2015 (Portugal)

Vinho: Olaria Tinto Suave
Safra: 2015
Região/Categoria: Vinho de Mesa
País: Portugal
Vinícola: Carmim (www.carmim.eu)


Há mais ou menos um ano atrás postei aqui mesmo sobre a experiência de pedir o vinho Olaria Tinto em taça, no caso durante uma de nossas sempre agradáveis visitas ao Madero Steakhouse.

Num misto de desinformação e também graças às mazelas do mercado de vinho nacional, saí do restaurante com um mistério na cabeça: se o Olaria distribuído no Brasil é rotulado como um vinho suave, por que minha percepção sobre ele foi a de um vinho extremamente seco e algo tânico, completamente diferente da ideia que todos nós possuímos de como deve ser um vinho suave?

Pois bem, esses dias atrás fiz a prova dos nove. Passei no mercado e levei para casa uma garrafa do Olaria Suave 2015.

O resultado me surpreendeu.

Grupo Carmim

Atuando na região do Alentejo, o Grupo Carmim é formado por três empresas, sendo a principal delas a Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz), fundada em 1971 por um grupo de 60 viticultores e que hoje conta com com cerca de 850 associados. Completam o grupo a Monsaraz Vinhos SA, responsável por toda a comercialização e distribuição no canal Horeca, e a Enoforum, empresa que cuida da exportação do grupo, atualmente feita para mais de 34 países.
Horeca (também HoReCa ou HORECA) é uma abreviação silábica para as palavras Hotel/Restaurant/Café, usada na Europa para uma ampla gama regulatória sobre a indústria de hoteis, bares, restaurantes e serviços relacionados (como o catering).
Acredito que quase todas as principais marcas da Carmim têm presença no Brasil, distribuídas por aqui pela importadora Porto a Porto.


O Vinho degustado: Olaria Tinto Suave 2015

Categorizado como vinho de mesa (sem especificação de região de origem), este Olaria é de fato suave, mas não suave como os suaves brasileiros com gosto de xarope adocicado. Elaborado a partir das castas Castelão (35%), Tempranillo (35%) e Trincadeira (30%), exibe aromas de fruta bem madura, e em boca tem certo corpo em meio à doçura não excessiva. Não chega a ser enjoativo, mas fica mais palatável quando bebido sozinho, sem acompanhar comida, a uma temperatura mais baixa.

E agora, José?

Existe uma explicação simples para a diferença de paladar observada entre a taça que provei um ano atrás e a taça mais recente. Minha percepção não me enganou afinal.

O vinho de antes era de fato seco, e o de agora "suave".

A razão para isso é que no restaurante a taça devia ser proveniente do Olaria Tinto bag-in-box, que não traz nada de suave em seus dados técnicos e deve corresponder ao Olaria Tinto original cujos dados estão publicados no site do Grupo Carmim. A distinção entre o seco e o suave é inclusive corroborada ao acessar as páginas do Olaria Tinto bag-in-box e do Olaria Tinto Suave no site da importadora (não existe a opção de vinho seco em garrafa).


Adicionalmente, se eu tivesse prestado mais atenção teria notado que em nenhum momento a carta do restaurante mencionava o termo "suave".

Fica, portanto, esclarecido o motivo da diferença. E também fica a dica a todos que decidirem provar uma taça do Olaria em restaurantes, visto que ele parece ser figurinha fácil em seções de vinhos por taça. Pelo menos por aqui.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Destaques de JUN-2017

Das garrafas que abrimos em Julho, a grande surpresa foi que a maioria dos destaques ficou a cargo de vinhos brasileiros. E nem parecia que ia ser assim, visto que logo no início do mês os nacionais apareceram em roupagem suave, como desejado pelas ilustres visitas que recebemos.

Mas esse é o barato do mundo do vinho. Nunca se sabe de onde virão as garrafas que realmente são capazes de deixar uma história a ser contada no futuro.

Fante, Cordelier Equilibrium, Serra Gaúcha 2013 (BRA)

Blend de parcelas não declaradas de Cabernet Sauvignon, Merlot e Ancelotta, este foi o vinho escolhido para acompanhar um churrasco de Domingo. Delgado e elegante em boca com boa carga de taninos, ficou excelente depois de um tempo em taça, fazendo jus ao nome já que contava também com elegante acidez.

Donoso Group, Domaine Oriental Reserva Chardonnay, DO Valle del Maule 2015 (CHI)

Confesso que no início parecia que este vinho seria mais um daqueles Chardonnays sem personalidade excessivamente carregados na madeira. Mas eu estava enganado. Sim, o carvalho tinha boa presença em boca, com nuances tostadas e fortes traços de coco, porém o vinho se mostrou maduro sem ser pesado. Foi uma boa maneira de lembrar do que os vinhos brancos são capazes de mostrar em matéria de textura.

Vinícola Perini, Osaka Culinária Japonesa Sushi Wine, Serra Gaúcha / Vale Trentino 2015 (BRA)

Depois de muito olhar para essa garrafa em minhas andanças nos supermercados, finalmente decidi arriscar. E não é que o vinho agradou mesmo? Corte de Merlot e Cabernet Franc desenvolvido especialmente para ser harmonizado com comida japonesa, ele cumpre bem seu objetivo. No olfato as nuances de frutas vermelhas são leves, em boca a sensação é de fraco dulçor, com bons níveis de frescor e acidez. Realmente uma boa harmonização para comida japonesa.

Boscato Vinhos Finos, Boscato Cave Cabernet Franc, Serra Gaúcha / Nova Pádua 2013 (BRA)

Algumas pessoas já tinham me comentado sobre a qualidade dos produtos da Boscato, mas ainda assim esse Cabernet Franc me surpreendeu. Vinho fantástico, com aromas e paladar que lembram cerejas e amoras, taninos macios, muito equilibrado, simplesmente delicioso por si só ou acompanhando comida.

Real Companhia Velha, Royal Oporto Tawny 10 Anos, Douro (POR)

Para finalizar um almoço de família no dia de meu aniversário, abrimos essa garrafinha de 200 ml para acompanhar uma torta de paçoca (diet) preparada por minha esposa.

A combinação foi divina. Caramelo, mel e damasco maduro são os principais descritores tanto no olfato quanto em boca, num caldo viscoso e que no alto de seus 20% de teor alcoolico não afetou ninguém. Como a garrafa foi fechada em 2009 a rolhinha estava quase toda encharcada, mas o vinho estava impecável. Não há informação de castas usadas, apenas é divulgado que as uvas provêm de "vinhas velhas".

* comprei o Cordelier no Estradeiro (uma lanchonete/restaurante de beira de estrada na saída de Jaciara!), o Perini Rosé no supermercado Comper do CPA II e o Royal Oporto num dos supermercados Big Lar. Já o Domaine Oriental chegou num pacote do clube Winelands, enquanto o Boscato veio pela Vinumday.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Destaques de MAI-2017

Como é praxe, a tarefa de escolher somente cinco vinhos foi difícil.

Mas como alguém já disse por aí em algum lugar, "missão dada é missão cumprida".

Weingut Heinz Pfaffman, Kloster Heilsbruck Riesling Spätlese Trocken, Pfalz 2014 (ALE)

Fantástico vinho que exibe textura de maçã verde e limão sobre olfato delicadamente cítrico. Extremamente seco, tem final de levíssimo amargor muito bem aplacado por ótima acidez. Perfeito para acompanhar comida japonesa.

Shabo Merlot, Odessa 2014 (UCR)

Nosso primeiro vinho ucraniano, e que beleza de vinho. Um fim de boca aveludado se seguiu aos aromas levemente terrosos dominados por amoras, acompanhando muito bem um risoto de queijo com medalhão de filé para comemorar uma conquista familiar que em breve será comemorada novamente, espero que em grande estilo.

Lavradores de Feitoria, Chorinho Douro DOC 2013 (POR)

Uma despretensiosa garrafa que surpreendeu, principalmente por ter sido produzida especialmente para o mercado brasileiro e fazer homenagem ao gênero musical que lhe dá o nome. A composição do vinho utiliza um quarteto clássico de uvas locais: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz (Tempranillo) e Tinta Barroca.

No olfato percebe-se agradável perfume de frutas negras, em boca é suave e equilibrado. O vinho foi degustado com pizza em comemoração à saúde de um evento de família e de um amigo que se tornou família.

Avondale Rosé, WO Paarl 2015 (AFS)

Abrimos este rosé sul-africano para acompanhar mais uma rodada de comida japonesa no dia das mães. Mais equilibrado que o Avondale Pinotage de alguns meses atrás, leva 86% de uma sub-variedade pouco vista de Moscato (Muscat de Frontignan) e 14% de Mourvédre.

No nariz é sutil como a maioria dos rosés, já em boca é vibrante e saboroso, desceu muito fácil enquanto o Domingo ia embora.

De Martino, Gallardía del Itata Old Vine White Blend, DO Valle del Itata 2014 (CHI)

Assemblage de respeito que mescla 70% de Moscato a 30% de Corinto. Foi a primeira vez que ouvi falar desta última uva, que a De Martino considera ser na verdade a europeia Chasselas (outra que também é nova para mim). De qualquer maneira o resultado do blend é muito agradável, distanciando-o do típico aroma floral da Moscato ao exalar frutas como pêssego, pêra e lichia, sensações presentes também num paladar que combina muito bem frescor e untuosidade.

* o Kloster Heilsbruck veio pela Weinkeller, o Shabo chegou numa das seleções do clube Winelands, o Avondale numa oferta dupla da Vinumday e tanto o Chorinho quanto o blend branco da De Martino foram comprados numa das lojas Viña Bebidas Finas de Cuiabá.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Destaques de ABR-2017

Foram tantos vinhos bons e diferentes em Abril que ficou difícil escolher só cinco para essa postagem!

Uma curiosidade que raramente aconteceu comigo foi me deparar com duas garrafas passadas no mesmo mês. Uma delas estava pra lá de morta, a outra ainda "tomável" mas também em franco declínio. Considerando somente o universo de vinhos que degustei neste curto espaço de tempo dá para dissertar um pouco mais acerca do ocorrido, então vou deixar para escrever sobre o assunto no próximo texto.

Vamos aos destaques selecionados do mês.

Casa Valduga Terroir Raízes Cabernet Franc, Campanha 2013 (BRA)

Este foi aberto com boa expectativa, já que sempre ouvi falar muito bem dessa linha da Casa Valduga, e não desapontou. Mostrou paladar que equilibra muito bem o carvalho, os taninos e a acidez, que são precedidos por um ótimo conjunto de aromas de fruta madura.

Abel Pinchard / Loron & Fils, Beaujolais AOP 2014 (FRA)

Quando me foi solicitada uma garrafa para relaxar no fim de noite acompanhando uma pizza, esta foi a que tirei da adega. Uma excelente escolha, para dizer o mínimo: bem leve, com olfato frutado tímido em meio a toques caramelados, sem peso em boca graças ao perfil tânico macio.

O vinho fez muito bonito na opinião de todos à mesa, e ouso dizer que é o melhor Beaujolais/Gamay que já tive a oportunidade de provar.

Domaine Berthoumieu, Haute Tradition, Madiran AOC 2011 (FRA)

Para iniciar os trabalhos num dos fins de semana prolongados de Abril escolhemos esse blend com 60% Tannat, 30% Cabernet Sauvignon e 10% Pinenc. No nariz chama a atenção pela fruta madura, na taça é um vinho relativamente potente, vivo, medianamente encorpado, que abriu bem após um tempinho no decanter e ficou sedoso em boca.

Miolo Wine Group, Miolo Lote 43, DO Vale dos Vinhedos 2012 (BRA)

Decidimos abrir este clássico da vitivinicultura nacional num raro dia em que a temperatura caiu a um nível em que era possível deixar um tinto encorpado descansando no decanter por bastante tempo.

Corte de Cabernet Sauvignon e Merlot em proporções idênticas, as notas de chocolate e tostado sobre fruta madura precedem o paladar denso, marcado por um amadeirado que finalizou leve ao contrário do que eu esperava.

Herdade das Servas, Vinha das Servas Branco, VR Alentejano 2012 (POR)

Este foi o escolhido na carta do restaurante Mahalo Cozinha Criativa para comemorar o aniversário de quatro anos de casamento e acompanhar pratos à base de lagosta e pirarucu.

Com abacaxi dominando os aromas de frutas tropicais aliados a uma pitada de doçura, em boca se mostrou um vinho amanteigado, de textura já delicadamente evoluída. A composição é de 40% Roupeiro, 30% Antão Vaz, 20% Arinto e 10% Sémillon.

Saúde!

* a garrafa do Raízes veio da loja temporária de Natal da Domno no Pantanal Shopping, o Beaujolais peguei no Empório Delícias do Mar, o Madiran no supermercado Big-Lar, o Lote 43 no site da Miolo e o Vinha das Servas, como mencionado acima, na (superfaturada) carta do restaurante Mahalo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

José Maria da Fonseca, Alambre Moscatel de Setúbal DO 2010 (Portugal)

Vinho: Alambre Moscatel de Setúbal DO
Safra: 2010
Região: Península de Setúbal
País: Portugal
Vinícola: José Maria da Fonseca (http://www.jmf.pt)


Como sempre quis provar um vinho licoroso que não fosse tão forte quanto o Porto, não deixei passar a oportunidade de pegar esse rótulo por um preço mais em conta numa promoção da Viña Bebidas Finas.

Posso dizer que não me decepcionei. Aberta como encerramento para o primeiro encontro da Confraria Tênis e Vinho MT, a garrafa foi posteriormente degustada aos poucos e me abriu os olhos quanto a esse estilo peculiar de vinho.

Um pouco de história

José Maria da Fonseca tem a honra de ser a mais antiga vinícola de Portugal. Fundada pelo empreendedor que lhe dá o nome em 1834, ela está atualmente em sua 7ª. geração e vende seus vinhos para todos os continentes do mundo. Alguns deles se tornaram muito famosos no mercado interno e externo, como os rótulos Periquita e o Lancers, bastante conhecido nos Estados Unidos. A relação da vinícola com nosso país sempre foi muito forte.

A José Maria da Fonseca sempre contribuiu para a divulgação e o prestígio dos vinhos portugueses. Dos quase 650 hectares de vinhas, e de uma adega dotada de tecnologia de última geração que rivaliza com as melhores do mundo, resultam vinhos que aliam a experiência acumulada ao longo da sua história com as mais avançadas técnicas de vinificação.

Conforme informação presente no site da empresa, sua produção divide-se entre rótulos "Grandes Marcas", "Premium", "Super Premium" e "Generosos".


O Moscatel de Setúbal

O Moscatel de Setúbal é produzido somente em Portugal, na municipalidade homônima dentro da Península de Setúbal. Considerado um tesouro dos vinhos portugueses, sua história se cruza com a história da José Maria da Fonseca, pois muitas fontes apontam para o fato de que o estilo teria sido inventado pelo visionário fundador da vinícola. Por muito tempo ele teve um quase-monopólio do Moscatel de Setúbal, mas hoje esse tipo de vinho é produzido por várias empresas diferentes.

A Península de Setúbal é ainda uma das denominações mais antigas de Portugal, sendo que a denominação de origem do Moscatel de Setúbal foi inicialmente demarcada em 1907, sendo confirmada e concluída em 1908. No contexto geral, a região de Setúbal DO está geograficamente delimitada pelos conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e a freguesia do Castelo pertencente ao município de Sesimbra. Este terroir é único: a precipitação anual é de 550 a 750 mililitros e há 2.200 horas de sol derramadas sobre terrenos arenosos e argilo-calcários, tudo temperado com uma mão cheia de brisa atlântica.

Similar ao Porto, o Moscatel de Setúbal é envelhecido em barrica até o momento do engarrafamento. As regulações da DO especificam que ele deve ser composto principalmente pelas castas Moscato de Alexandria ou Moscato Roxo, com até 30% de Arinto, Boais, Diagalves, Fernão Pires, Malvasia, Olho de Lebre, Rabo de Ovelha, Roupeiro, Talia, Tamarez e Vital. As uvas podem pertencer a uma mesma safra ou o vinho pode ser feito a partir de um blend de várias safras.


A Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) é a entidade certificadora das Setúbal DO, ou seja, dos Moscatéis de Setúbal/Roxo e dos vinhos com Palmela DO e IG Península de Setúbal. A área de produção dos vinhos com esta designação regional, conhecida por Terras do Sado até 2009, abrange todo o distrito de Setúbal, desde o conselho de Montijo ao de Santiago de Cacém, enquanto a área dos Palmela DO, à semelhança da dos Setúbal DO, está circunscrita nos conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e Freguesia do Castelo, do conselho de Sesimbra. Para saber mais, visite o website dedicado ao Moscatel de Setúbal.


O vinho degustado: Alambre Moscatel de Setúbal DO 2010

De acordo com a descrição do produtor, a fermentação desse vinho feito 100% com a casta local Moscato é interrompida com a adição de aguardente vínica, seguida por uma maceração pelicular de 5 meses. O envelhecimento é feito em cascos ou tonéis de madeira usados por um período não especificado (supõe-se dois a três anos).

No alto de seus 17,5% de teor alcoolico e 127 g/litro de açúcar residual, a primeira impressão no olfato é definitivamente marcante. "Álcool puro", foi o veredito da minha esposa. É verdade que esta pode ser a sensação inicial, mas basta ter um pouquinho de paciência para reconhecer a forte presença de mel, melado e damasco maduro. Em boca ele faz jus à alcunha de "generoso", pois atinge a língua com peso e doçura, a textura espessa como um bom suco vínico maturado no qual pouco se sente a madeira.

O vinho acompanhou no primeiro dia um mousse de chocolate amargo e limão. Nos dias seguintes repeti o mousse e harmonizei-o ainda com pão de mel, bolo de cenoura, alfajor uruguaio e pão integral com recheio de cranberry. Houve um pouco de evolução no vinho enquanto ele descansava na geladeira, já que passei a sentir aromas bem específicos de caramelo. Todas as combinações funcionaram de maneira soberba.

Um forte abraço a todos e saúde!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Casa Santos Lima, Quinta de Bons-Ventos Tinto, VR Lisboa 2014 (Portugal)

Vinho: Quinta de Bons-Ventos Tinto, VR Lisboa
Safra: 2014
Região: Lisboa
País: Portugal
Vinícola: Casa Santos Lima (http://www.casasantoslima.com)


Uma das coisas que mais chamam a atenção no universo enófilo é a quantidade de surpresas com as quais nos deparamos à medida em que passamos a provar os mais diversos tipos de vinho. Como o fato, por exemplo, de degustar uma garrafa fantástica, que pode ser encontrada à venda em qualquer supermercado e com preço muito em conta.

É o caso do vinho desta postagem.

É muito comum encontrar pessoas que ignoram completamente os vinhos mais baratos. Elas costumam declarar aos quatro ventos que vinho bom deve ter preço mínimo de três dígitos, e que qualquer coisa abaixo disso sequer merece consideração. Um preconceito infundado que soa ainda mais irônico quanto se nota que o Quinta de Bons-Ventos dá baile em muito vinho safado que passa dos cem reais.

Enfim, um verdadeiro exemplo do que podemos seguramente chamar de muito bom e barato.


Um pouco de história

A Casa Santos Lima é uma vinícola familiar fundada no final do século XIX, hoje comandada pela neta e pelo bisneto do fundador.

A área plantada abrange 290 hectares, sendo distribuída em diversas quintas contíguas, com destaque para a Quinta da Boavista, Quinta das Setencostas, Quinta de Bons-Ventos, Quinta da Espiga, Quinta das Amoras, Quinta do Vale Perdido, Quinta do Figo e Quinta do Espírito Santo.

Apesar destas propriedades pertencerem à família Santos Lima há mais de um século, foi só em 1996 que José Luís Santos Lima Oliveira da Silva abandonou a carreira de mais de 20 anos no setor financeiro para começar a engarrafar e comercializar seus vinhos, que hoje são exportados para 40 países em cinco continentes.

Os nomes dos inúmeros rótulos produzidos geralmente refletem os nomes das quintas, em versões varietais ou em cortes produzidos a partir de uvas autóctones e internacionais.


O vinho degustado: Quinta de Bons-Ventos Tinto, VR Lisboa 2014

As castas que compõem o blend são Castelão, Camarate, Tinta Miúda e em menor proporção Touriga Nacional. A Castelão, também chamada de Periquita e João de Santarém, é a segunda casta mais plantada de Portugal (coisa que só fiquei sabendo agora). Já a Camarate é pouco conhecida e cultivada, tendo similaridades genéticas com a Alfroucheiro e a Castelão. Tinta Miúda é outro nome dado à Graciano, mais conhecida pelos vinhos provenientes da região espanhola de Rioja. A Touriga Nacional dispensa apresentações, sendo considerada por muitos a casta portuguesa mais nobre de todas.

Com aromas que remetem aos toques de frutas vermelhas esperados de um bom blend português, o olfato é ainda marcado por notas de especiarias. Em boca o equilíbrio impressiona, e percebe-se que a breve passagem por carvalho foi ideal para adorná-lo com uma suavidade ímpar, que confere ao néctar a textura aveludada que tanto amamos em nossos vinhos tintos. A acidez não é pronunciada e os taninos são macios.

O vinho foi escolhido com mais dois amigos para acompanhar um jantar de fim de noite com massas e carnes no restaurante Genésio Pasta e Chopp, localizado no bairro Vila Madalena em São Paulo. Devo dizer que a temperatura ambiente bem fresca também ajudou na sua apreciação.

Saúde!