Mostrando postagens com marcador Muscat. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Muscat. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Destaques de MAI-2017

Como é praxe, a tarefa de escolher somente cinco vinhos foi difícil.

Mas como alguém já disse por aí em algum lugar, "missão dada é missão cumprida".

Weingut Heinz Pfaffman, Kloster Heilsbruck Riesling Spätlese Trocken, Pfalz 2014 (ALE)

Fantástico vinho que exibe textura de maçã verde e limão sobre olfato delicadamente cítrico. Extremamente seco, tem final de levíssimo amargor muito bem aplacado por ótima acidez. Perfeito para acompanhar comida japonesa.

Shabo Merlot, Odessa 2014 (UCR)

Nosso primeiro vinho ucraniano, e que beleza de vinho. Um fim de boca aveludado se seguiu aos aromas levemente terrosos dominados por amoras, acompanhando muito bem um risoto de queijo com medalhão de filé para comemorar uma conquista familiar que em breve será comemorada novamente, espero que em grande estilo.

Lavradores de Feitoria, Chorinho Douro DOC 2013 (POR)

Uma despretensiosa garrafa que surpreendeu, principalmente por ter sido produzida especialmente para o mercado brasileiro e fazer homenagem ao gênero musical que lhe dá o nome. A composição do vinho utiliza um quarteto clássico de uvas locais: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz (Tempranillo) e Tinta Barroca.

No olfato percebe-se agradável perfume de frutas negras, em boca é suave e equilibrado. O vinho foi degustado com pizza em comemoração à saúde de um evento de família e de um amigo que se tornou família.

Avondale Rosé, WO Paarl 2015 (AFS)

Abrimos este rosé sul-africano para acompanhar mais uma rodada de comida japonesa no dia das mães. Mais equilibrado que o Avondale Pinotage de alguns meses atrás, leva 86% de uma sub-variedade pouco vista de Moscato (Muscat de Frontignan) e 14% de Mourvédre.

No nariz é sutil como a maioria dos rosés, já em boca é vibrante e saboroso, desceu muito fácil enquanto o Domingo ia embora.

De Martino, Gallardía del Itata Old Vine White Blend, DO Valle del Itata 2014 (CHI)

Assemblage de respeito que mescla 70% de Moscato a 30% de Corinto. Foi a primeira vez que ouvi falar desta última uva, que a De Martino considera ser na verdade a europeia Chasselas (outra que também é nova para mim). De qualquer maneira o resultado do blend é muito agradável, distanciando-o do típico aroma floral da Moscato ao exalar frutas como pêssego, pêra e lichia, sensações presentes também num paladar que combina muito bem frescor e untuosidade.

* o Kloster Heilsbruck veio pela Weinkeller, o Shabo chegou numa das seleções do clube Winelands, o Avondale numa oferta dupla da Vinumday e tanto o Chorinho quanto o blend branco da De Martino foram comprados numa das lojas Viña Bebidas Finas de Cuiabá.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

José Maria da Fonseca, Alambre Moscatel de Setúbal DO 2010 (Portugal)

Vinho: Alambre Moscatel de Setúbal DO
Safra: 2010
Região: Península de Setúbal
País: Portugal
Vinícola: José Maria da Fonseca (http://www.jmf.pt)


Como sempre quis provar um vinho licoroso que não fosse tão forte quanto o Porto, não deixei passar a oportunidade de pegar esse rótulo por um preço mais em conta numa promoção da Viña Bebidas Finas.

Posso dizer que não me decepcionei. Aberta como encerramento para o primeiro encontro da Confraria Tênis e Vinho MT, a garrafa foi posteriormente degustada aos poucos e me abriu os olhos quanto a esse estilo peculiar de vinho.

Um pouco de história

José Maria da Fonseca tem a honra de ser a mais antiga vinícola de Portugal. Fundada pelo empreendedor que lhe dá o nome em 1834, ela está atualmente em sua 7ª. geração e vende seus vinhos para todos os continentes do mundo. Alguns deles se tornaram muito famosos no mercado interno e externo, como os rótulos Periquita e o Lancers, bastante conhecido nos Estados Unidos. A relação da vinícola com nosso país sempre foi muito forte.

A José Maria da Fonseca sempre contribuiu para a divulgação e o prestígio dos vinhos portugueses. Dos quase 650 hectares de vinhas, e de uma adega dotada de tecnologia de última geração que rivaliza com as melhores do mundo, resultam vinhos que aliam a experiência acumulada ao longo da sua história com as mais avançadas técnicas de vinificação.

Conforme informação presente no site da empresa, sua produção divide-se entre rótulos "Grandes Marcas", "Premium", "Super Premium" e "Generosos".


O Moscatel de Setúbal

O Moscatel de Setúbal é produzido somente em Portugal, na municipalidade homônima dentro da Península de Setúbal. Considerado um tesouro dos vinhos portugueses, sua história se cruza com a história da José Maria da Fonseca, pois muitas fontes apontam para o fato de que o estilo teria sido inventado pelo visionário fundador da vinícola. Por muito tempo ele teve um quase-monopólio do Moscatel de Setúbal, mas hoje esse tipo de vinho é produzido por várias empresas diferentes.

A Península de Setúbal é ainda uma das denominações mais antigas de Portugal, sendo que a denominação de origem do Moscatel de Setúbal foi inicialmente demarcada em 1907, sendo confirmada e concluída em 1908. No contexto geral, a região de Setúbal DO está geograficamente delimitada pelos conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e a freguesia do Castelo pertencente ao município de Sesimbra. Este terroir é único: a precipitação anual é de 550 a 750 mililitros e há 2.200 horas de sol derramadas sobre terrenos arenosos e argilo-calcários, tudo temperado com uma mão cheia de brisa atlântica.

Similar ao Porto, o Moscatel de Setúbal é envelhecido em barrica até o momento do engarrafamento. As regulações da DO especificam que ele deve ser composto principalmente pelas castas Moscato de Alexandria ou Moscato Roxo, com até 30% de Arinto, Boais, Diagalves, Fernão Pires, Malvasia, Olho de Lebre, Rabo de Ovelha, Roupeiro, Talia, Tamarez e Vital. As uvas podem pertencer a uma mesma safra ou o vinho pode ser feito a partir de um blend de várias safras.


A Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) é a entidade certificadora das Setúbal DO, ou seja, dos Moscatéis de Setúbal/Roxo e dos vinhos com Palmela DO e IG Península de Setúbal. A área de produção dos vinhos com esta designação regional, conhecida por Terras do Sado até 2009, abrange todo o distrito de Setúbal, desde o conselho de Montijo ao de Santiago de Cacém, enquanto a área dos Palmela DO, à semelhança da dos Setúbal DO, está circunscrita nos conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e Freguesia do Castelo, do conselho de Sesimbra. Para saber mais, visite o website dedicado ao Moscatel de Setúbal.


O vinho degustado: Alambre Moscatel de Setúbal DO 2010

De acordo com a descrição do produtor, a fermentação desse vinho feito 100% com a casta local Moscato é interrompida com a adição de aguardente vínica, seguida por uma maceração pelicular de 5 meses. O envelhecimento é feito em cascos ou tonéis de madeira usados por um período não especificado (supõe-se dois a três anos).

No alto de seus 17,5% de teor alcoolico e 127 g/litro de açúcar residual, a primeira impressão no olfato é definitivamente marcante. "Álcool puro", foi o veredito da minha esposa. É verdade que esta pode ser a sensação inicial, mas basta ter um pouquinho de paciência para reconhecer a forte presença de mel, melado e damasco maduro. Em boca ele faz jus à alcunha de "generoso", pois atinge a língua com peso e doçura, a textura espessa como um bom suco vínico maturado no qual pouco se sente a madeira.

O vinho acompanhou no primeiro dia um mousse de chocolate amargo e limão. Nos dias seguintes repeti o mousse e harmonizei-o ainda com pão de mel, bolo de cenoura, alfajor uruguaio e pão integral com recheio de cranberry. Houve um pouco de evolução no vinho enquanto ele descansava na geladeira, já que passei a sentir aromas bem específicos de caramelo. Todas as combinações funcionaram de maneira soberba.

Um forte abraço a todos e saúde!