terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Destaques de NOV-2017

Para o penúltimo mês do ano, eis os highligths degustados exclusivamente aqui em casa:

Chateau Burgozone, Côte de Danube Cabernet Franc, PGI Danube Plain 2011 (Bulgária)

🍷 Um vinho que surpreendeu em noite descompromissada, como aromas vívidos de amoras frescas e uma acidez vibrante.

Quinta do Cerrado, Príncipe do Dão Tinto, Dão DOC 2012 (Portugal)

🍷 Olfato marcado pela presença de frutas negras, seguido por textura relativamente sedosa em boca. Composto por 30% de Touriga Nacional, 30% de Tinta Roriz (Tempranillo), 20% de Alfrocheiro e 20% de Jaen, exibiu taninos concentrados num caldo ainda jovem, que casou com o churrasco de domingo mas ficou ainda melhor com o pintado a palito que provamos à noite. Infelizmente não tiramos foto do segundo prato, uma harmonização definitivamente vencedora.

Alvisa, Torissimo Tempranillo, DO La Mancha 2015 (Espanha)

🍷 Tempranillo de coloração mais suave e surpreendentemente leve, com aromas que lembram groselha e acidez média sobre textura elegante. Harmonizou bem com uma rodada de aperitivos numa das quintas-feiras mais tumultuadas dos últimos tempos.

Edoardo Miroglio, Bio Viognier & Traminer, PGI Thracian Valley 2013 (Bulgária)

🍷 Fechamos um fim de semana ótimo com esse blend "orgânico" marcado por aromas que remetem a abacaxi, maracujá e melão, com corpo médio que teve até uma leve pegada de taninos (provenientes da Viognier, talvez?). Foi excelente com comida japonesa.

Loma Larga, Lomas Del Valle Chardonnay, DO Valle de Casablanca 2015 (Chile)

🍷 Um Chardonnay refrescante e cítrico, com ótima acidez e a esperada pegada (sutil) de abacaxi no olfato. Desceu macio, nem parecia que tinha 14% de volume alcoolico. E ainda acompanhando o melhor yakisoba que já tivemos a honra de provar, e que continua fantástico ano após ano.

Saúde e que venham as festas de fim de ano!

* Os vinhos búlgaros (Côte de Danube e Bio) vieram pelo Clube Winelands, o Torissimo e o Lomas del Valle pela Vinumday e o Príncipe do Dão foi comprado no supermercado Comper perto do Alphaville.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Destaques de OUT-2017

Outubro, como sempre, foi um mês extremamente quente em Cuiabá. Daí o porquê dos vinhos brancos terem se sobressaído em relação aos tintos!

Cono Sur Bicicleta Gewürztraminer, Valle del Bío-Bío 2015 (Chile)

🍷 Pedimos essa garrafa em nossa primeira visita ao restaurante Talavera. Apesar dela vir com o localizador genérico Wine of Chile, o que acredito ser raro, o site da vinícola informa que as uvas são provenientes do Valle de Bío-Bío. Se isso tem influência concreta no resultado final eu não sei, mas o vinho estava fantástico, com olfato adocicado porém fresco que remetia a lichia e maçã madura (apfelstrudel?). Em boca era amanteigado e suculento, tivemos que tomar cuidado pra garrafa não ir embora muito rápido!

Familia Falasco, LOLO Chardonnay Torrontés, Mendoza (Argentina)

🍷 Vinho branco não safrado, cujo nome faz alusão ao ideal da vinícola de fazer um blend com "LO mejor del Chardonnay y LO mejor del Torrontés". A proposta funcionou muito bem, já que eu pude notar perfeitamente os aspectos de cada variedade, com tons florais em meio a características cítricas (limão, maracujá) com ótima textura e vívida acidez.

Lovico Suhindol, Gamza Suhindol AOC "Golden Label", Danube Plain 2011 (Bulgária)

🍷 Hora de conhecer uma nova variedade tinta, a autóctone búlgara Gamza. As sensações envolveram um leque de frutas vermelhas, nuances terrosas, uma sensação de picância no paladar e uma pitada de amargor no fim de boca. No geral se mostrou um vinho bastante diferente, foi uma ótima companhia para pizza e diversões eletrônicas.

Poderi del Paradiso Vernaccia di San Gimignano DOCG, Toscana 2015 (Itália)

🍷 Neste dia o vinho foi aberto para comemorar os primeiros passinhos da minha filha, e a escolha não poderia ter sido melhor! Ainda não sou lá muito versado em Vernaccia, então por enquanto basta dizer que neste caso a sutileza é quem comanda o show, num exemplar de corpo médio que prima pela sedosidade e acidez em boca.

Viña Caliterra, Aventura Carmenere DO Valle Central 2015 (Chile)

🍷 Segunda das duas garrafas que ganhei no sorteio de dia dos pais da Viña Bebidas Finas. Devo dizer que este Carmenere agradou mais que o Cabernet Sauvignon, numa linha que a Caliterra parece ter lançado somente em solo brasileiro. No dia estava chovendo, enquanto eu me dedicava a escrever e harmonizar o vinho com o maravilhoso pão caseiro da minha esposa. Como esperado, um vinho jovem e frutado, porém marcado por taninos mais redondos que o usual para este padrão de vinificação.

* Já mencionei a procedência dos dois chilenos. O LOLO veio pelo clube Winelands, o Suhindol Gamza da Vinumday e o Vernaccia foi encontrado num dos supermercados Big-Lar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Destaques de SET-2017

Por vários motivos a correria está muito grande esse mês, mas isso não significa que vou privar meus dois leitores da amostra mensal dos top 5.

Pois ei-los aqui, selecionados a partir das degustações de Setembro!

Weingut Becker Landgraf, J2 Gau-Odernheimer Riesling trocken, Rheinhessen 2012 (Alemanha)

🍷 Decidimos preparar uma rodada de aperitivos para acompanhar o início da 4a. temporada de Agents of SHIELD na Netflix, e para harmonizar com o momento abrimos esse Riesling alemão maduro, aveludado, perfumado e elegante.

Adega Coop. Ponte da Barca, Estreia Grande Escolha Loureiro Vinho Verde DOC 2016 (Portugal)

🍷 E olha a gente de novo diante de mais alguns episódios de Agents of SHIELD... O vinho verde em questão, 100% feito a partir da casta Loureiro, é refrescante, cítrico, seco, perfeito para acompanhar uma boa conversa e uma boa barca de comida japonesa.

Bodega Familia Schroeder, Saurus Malbec, Patagonia 2015 (Argentina)

🍷 Fazia muito tempo que não tomávamos um Malbec típico. Este, produzido na região vinícola mais fria da Argentina, se mostrou potente e suculento com uma veia frutada aliada a taninos salientes e boa acidez, o que é sempre bem-vindo nos exemplares mais encorpados do novo mundo.

Freixenet Carta Nevada Semi-seco Premium Cava DO (Espanha)

🍷 Perfumado e frutado, está aqui um espumante simplesmente delicioso, feito a partir das castas mais características da DO Cava (Macabeo, Xarel-lo e Parellada). Serviu maravilhosamente como aperitivo para um bom papo.

Quinta dos Ingleses, Vinha dos Ingleses Espadeiro Vinho Verde DOC 2015 (Portugal)

🍷 Eis uma garrafa que comprei por impulso, basicamente porque é um vinho verde rosé feito com uma variedade de uva que eu ainda nunca tinha provado. O caldo de corpo leve tem aquele delicado aspecto frisante que marca alguns vinhos dessa procedência. Refrescante e aromático (morango, tangerina), tem final muito agradável e foi absoluto sucesso acompanhando uma tábua de queijos.

* O Freixenet foi um dos presentes de aniversário que ganhei da minha esposa, o Riesling alemão peguei na adega do supermercado Big Lar, o Estreia Loureiro veio do supermercado Extra e tanto o Saurus quanto o Vinha dos Ingleses adquiri na unidade da Viña Bebidas Finas no Jardim das Américas.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Abaixo o Decanter?

Este texto é uma elucubração que tenta desmistificar o papel do decanter como item essencial a um enófilo.

Sim, essa jarra estranha de vidro ou cristal que soa como frescura desse povo que se diz entendido em vinho, mas na verdade é mais um trambolho que só serve pra ocupar espaço na prateleira.

Seguindo a linha de pensamento que tenta simplificar o ato de tomar vinho, algo que tem o nobre propósito de atrair novos adeptos e facilitar a compreensão de quem está começando a se interessar pelo assunto, quero abrir aqui um parênteses e propôr duas indagações que surgiram, inicialmente, quando comprei um garrafa de Sauvignon Blanc jovem, daqueles bem límpidos e que devem ser tomados geladinhos.


Enfim...

Para minha surpresa, ao fotografar o rótulo e o contrarrótulo antes de mandar a garrafa do Sauvignon Blanc mencionado acima para a adega, tomei um susto com a quantidade de partículas suspensas dentro do vinho. Não era algo irrisório, mas sim uma volume razoavelmente preocupante de partículas que poderiam ser de qualquer coisa, como restos de mosto vínico, rolha em decomposição ou pura e simples sujeira.

Tirando o fato de que isso soa extremamente preocupante para um vinho tão jovem, produzido sem frescuras (é devidamente filtrado) e que não deveria apresentar sedimento algum em seu curto ciclo de vida, desde então fiquei matutando sobre o que faria ao abrir a garrafa (ainda não o fiz).

Seguindo a cartilha clássica encontrada em qualquer papiro enófilo, de início pensei em deixar o vinho na vertical por um tempo e só então abri-lo com cuidado, fazendo a transferência do líquido para um decanter.

Então ocorreu-me que usar o decanter num vinho tão jovem, que não necessita de aeração, seria um claro desperdício de tempo e esforço. E aí tive um estalo.

Por que usar um decanter para separar sedimentos quando eu posso simplesmente filtrar o vinho com um funil adequado?

Ora bolas, se eu preciso me livrar de borras, sedimentos ou sujeira por que eu me daria a todo o trabalho que envolve um decanter? Desde de esteja limpinho, um filtro ou coador com área de filtragem adequada faz a mesma coisa de maneira mais eficiente, seja para vinhos jovens ou para vinhos velhos. Aí é só depositar o líquido numa jarra e retorná-lo pra garrafa em seguida, pronto.

Por que usar um decanter para aerar um vinho se eu posso simplesmente chacoalhá-lo bem ainda na garrafa ou usar um daqueles aeradores acopláveis?

A área de contato maior do vinho com o ar dentro de um decanter serve para aumentar seu contato com o oxigênio, evaporando o álcool mais rapidamente e liberando os aromas subjacentes. No caso de aeradores, seu propósito seria o de acelerar esse processo por meio do "turbilhonamento" do líquido.

Pensando de maneira extremamente prática, oxigenar um vinho e liberar aromas é algo que pode ser feito simplesmente chacoalhando a garrafa após abri-la e deixando o vinho respirar na taça depois de servido. O resultado seria o mesmo, além de ser mais rápido e evitar todos os contratempos de controle de temperatura relacionados ao uso do decanter.


Obviamente não vou me desfazer dos meus dois decanters. Porém, cada vez mais me convenço de que com exceção do garbo que acompanha o correto uso de um decanter à mesa, que para a plateia leiga soa mais como afetação do que algo realmente útil, este item pode ser sumariamente substituído por objetos ou procedimentos mais simples.

Estarei sendo herético diante da sagrada instituição enófila?
Ou simplesmente estúpido?

Sintam-se à vontade para concordar, discordar ou me mandar um vinho de presente.

sábado, 9 de setembro de 2017

Destaques de AGO-2017

Que mês quente foi Agosto!

Ramón Roqueta Macabeo / Chardonnay, DO Catalunya 2014 (Espanha)

🍷 Se há algo do rótulo extremamente expositivo com o qual concordo é o aspecto floral dos aromas em meio a orvalho matutino. Ótimo vinho, foi uma grata surpresa. Em boca é muito equilibrado, daqueles que você precisa ter cuidado para que a garrafa não vá embora muito rápido.

Casas del Toqui Barrel Series Reserva Sémillon, DO Valle de Cachapoal 2016 (Chile)

🍷 Última garrafa de um Domingo em que tivemos visitas queridas para o almoço, este varietal incomum é meu primeiro 100% Sémillon seco. Sutil, delicado, refrescante e no geral muito equilibrado, o estágio em madeira não interfere de forma alguma no ótimo frescor mas deixa o vinho em ponto de bala para acompanhar pratos como o risoto de bacalhau preparado por minha esposa.

Mommessin, Beaujolais Rosé 2014 (França)

🍷 Comprada num saldão de promoção da wine.com, esta foi a garrafa que com certeza mais se sobressaiu. Tímido no olfato como esperado para um rosé, porém dotado de vívidas nuances de morango e framboesa no paladar mineral. Há que se elogiar também a bonita cor/textura deste belo e baratinho Gamay, que confere elegância a qualquer taça.

Duca Di Salaparuta / Cantine Florio, Vecchioflorio Marsala Superiore Dolce DOP, Sicilia 2013 (Itália)

🍷 Minha esposa queria os ingredientes originais para preparar um tiramisu, então finalmente foi chegada a hora de conhecer um tipo diferente de vinho fortificado, produzido a partir das castas italianas Grillo e Catarratto. Por trás da designação de cor "âmbar" trata-se de um néctar espesso, opulento e maduro com dulçor dominado por caramelo e mel. Além do próprio tiramisu, servido após o bacalhau do Sémillon mais acima, o vinho foi ainda muito bem harmonizado com chocolate, torta alemã, doce de casca de laranja e sessões de vídeo-game. Álcool em 18%.

Cavino, Nemea Reserve PGI, Peloponessos 2011 (Grécia)

🍷 Um caldo austero de corpo médio, boa acidez e taninos salientes, maduro no olfato e levemente acarvalhado no paladar, produzido a partir da uva grega Agiorgitiko. Mostrou-se potente sem ser agressivo, eu poderia tê-lo tomado sozinho apesar dele pedir harmonização com comida.

* O Ramón Roqueta foi adquirido por meio do site da Vinhoteca, o Casas del Toqui veio pela Vinumday, o Beaujolais Rosé via wine.com, o Cavino do clube Winelands e o Marsala comprei na nova unidade do supermercado Big-Lar, recentemente inaugurada no Jardim das Américas.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Eu lá quero saber de uva, eu quero é beber!

Esses dias atrás a conversa na empresa saiu do tradicional papo sobre a cervejinha do fim de semana, e um colega mencionou que na noite anterior tinha visitado um amigo que era "entendido" em vinhos.

Quando ele começou a contar como tinha sido a noite fiquei animado, e até arrisquei em perguntar que tipo de vinho eles tinham tomado ou que tipo de uva ele mais tinha gostado, principalmente quando foi descrita a pompa com que o anfitrião serviu os vinhos.

A resposta foi mais ou menos assim:

– Eu lá quero saber que uva era, rapaz, eu quero é beber, eu quero é me alcoolizar!

É por essas e outras que não faço mais questão de tentar convencer as pessoas conhecidas a apreciar bons vinhos, da maneira como os bons vinhos merecem ser apreciados. E sinto uma pontada de vergonha por ter provavelmente estado na mesma situação desse pobre anfitrião em algum momento no passado.


Francamente, tem gente que merece mesmo é tomar vinho de garrafão até morrer. Do mesmo jeito que se entope de Skol e Itaipava todo fim de semana.

sábado, 5 de agosto de 2017

Destaques de JUL-2017

O mês de Julho começou meio fraco por conta de uma lombalgia aguda que tive ao brincar inocentemente com minha bebê, que fez com que eu tivesse que tomar medicação por alguns dias.

Mas foi só os remédios acabarem que voltei à ativa. :)

Cavino PGI Naoussa, Macedonia 2014 (Grécia)

🍷 Minha primeira experiência com a uva Xinomavro. Dado o que já tinha lido sobre ela eu esperava um caldo mais forte e encorpado, o que não foi o caso. Este foi um vinho até delicado, com taninos redondos no paladar de corpo leve e toque sutil de especiarias, precedido por olfato dominado por sensação de framboesa. Muito bom para ser tomado sozinho, ou no nosso caso acompanhando uma tábua de queijos macios.

Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec Rosé, Canelones 2014 (Uruguai)

🍷 Os rosés de Malbec continuam a me deixar muito contente. E cheguei à conclusão que harmonizam maravilhosamente com comida japonesa. Esta garrafa se mostrou leve, refrescante, ligeiramente frutada nos aromas e de taninos praticamente ausentes, o que de cara exclui a possibilidade de final com amargor presente em muitos rosés.

Solar das Bouças Loureiro, Vinho Verde DOC 2014 (Portugal)

🍷 Já tinha provado varietais de Loureiro no passado, mas esse é com certeza o melhor até o momento. No olfato lembra lichia e melão, além de exalar um pouco de suavidade adocicada. Já em boca ele é seco porém untuoso, com traços de abacaxi e limão, uma acidez presente sem ser pronunciada.

Weingut Michel, Munzinger Kapellenberg Spätburgunder trocken, Baden 2013 (Alemanha)

🍷 Espetáculo de Pinot Noir. E esta garrafa estava no auge mesmo, acho que se tivesse esperado um pouco mais correria o risco de pegá-la em declínio. Vinho exuberante de paladar picante e envolvente, sensação que sucede o olfato maduro de cereja, especiaria, notas terrosas e café. Sozinho já estava excelente, com um risoto de queijo então...

Cantina di Castelnuovo del Garda, Cà Vegar Bardolino Classico DOC, Veneto 2015 (Itália)

🍷 É preciso admitir que a harmonização foi infeliz, pelo menos para metade da pizza. Pepperoni é muito forte para um blend leve como o Bardolino, neste caso composto por Corvina, Corvinone e Rondinella. Independente disso, as taças que provamos antes da pizza chegar foram uma delícia. Aromas bem delicados de cereja e framboesa, com corpo igualmente leve mais taninos domados, acidez média e textura cativante. Já tomei nota para harmonizar melhor minha próxima garrafa de Bardolino.

* Os vinhos desta leva foram todos adquiridos via Internet: o Cavino, o Gimenez Mendez e o Bardolino vieram pela Winelands (os dois primeiros no clube, o último em compra avulsa), o Loureiro comprei na wine.com.br e o Spätburgunder na Weinkeller.