segunda-feira, 10 de abril de 2017

Destaques de MAR-2017

Março foi um mês bem eclético, porém dominado por Itália, Chile, Argentina e Espanha. Adoro a diversidade em meus vinhos, independente de onde e sob que forma ela venha.

Vamos aos destaques do período!

Weingut Michel, Achkarrer Castellberg Grauer Burgunder Kabinett Trocken, Baden 2014 (ALE)

Começamos o mês com este ótimo Pinot Grigio alemão, que acompanhou uma série de queijos e petiscos diversos. Menos granuloso e de corpo mais etéreo que os exemplares italianos mais famosos, se mostrou aromático e acompanhou bem todas as opções do menu graças à boa acidez.

Podere San Cristoforo, Carandelle Sangiovese, Maremma Toscana DOC 2013 (ITA)

Varietal feito de Sangiovese, muito elegante, perfeito em boca para acompanhar uma lasanha. O perfil aromático remete a frutas vermelhas e um toque de especiaria, ambos também presentes no paladar de taninos firmes, porém finos.

La Recova Vineyard, D Sauvignon Blanc, Valle de Casablanca 2015 (CHI)

A vinícola La Recova cultiva unicamente a Sauvignon Blanc, então acredito ser natural que seus produtos com essa variedade tendam a atingir um nível de excelência maior. Catita também aprovou o vinho, que apresentou no olfato nuances marcantes de pêra e maracujá, seguidas por ótima acidez em boca. Combinação perfeita para mais uma barca de comida japonesa.

Aurelia Visinescu, Artisan Tamaioasa Romaneasca Sec Dealu Mare DOC, Muntenia 2012 (ROM)

Um dos vinhos brancos mais interessantes que tomei nos últimos tempos. Praticamente desconhecida por aqui, a Tamaioasa Romaneasca é uma das mais importantes uvas autóctones da Romênia. Imediatamente ao ser aberto o vinho exibiu notas de flores e tangerina, impressões que são confirmadas em boca juntamente com um pouco de mel, damasco e acidez no ponto. Um branco vibrante perfeito para uma tábua de queijos.

Assim que começamos a degustá-lo havia ainda um aroma que minha esposa tentou identificar mas não conseguia. Recorri ao contrarrótulo e vislumbrei a palavra basil, que em português se traduz como manjericão e foi exatamente de encontro à sua percepção. Como enófilos ganhamos a noite, mas de minha parte confesso que só fui sentir um pouquinho dessa especiaria que amo quando a garrafa estava acabando...

Pitars Cabernet Franc, Friuli Grave DOC 2015 (ITA)

Já há algum tempo tenho tentado me aprofundar mais no universo da Cabernet Franc, uma variedade que acredito ser menos austera porém de maior envergadura que a Cabernet Sauvignon. Com esta garrafa demos adeus a um bom fim de semana. No nariz os aromas são de frutas azedinhas sobre um perfil de especiaria, em boca taninos tímidos e amigável acidez. Um bom vinho por si só, e um deleite quando harmonizado com comida.

Saúde e até a próxima!

* a garrafa da Weingut Michel consegui por meio da Weinkeller, o Podere San Cristoforo é importado pela Miolo, o La Recova veio num pacote da Vinumday e os dois últimos chegaram até mim por meio do clube de vinho da Winelands.

terça-feira, 14 de março de 2017

Compra pela Internet - VinumDay

Foi completamente por acaso, ao fazer uma pesquisa rasteira via Google, que tomei conhecimento do site da Vinumday (http://www.vinumday.com.br). De relance, a proposta de vendas me pareceu muito simples e atraente.

Todos os dias a Vinumday coloca um único vinho à venda, que fica disponível para compra somente naquele dia e enquanto durar o estoque, e cujo preço é comprovadamente inferior ao praticado no mercado. Ao optar pela compra, fica a cargo do comprador se o envio deve ser feito (1) imediatamente, pelo qual se paga uma determinada taxa de entrega, ou se ele deve ser feito (2) posteriormente, ocasião na qual o vinho vai para a chamada "adega virtual" do cliente. De qualquer forma, o pagamento é feito para a compra desse dia.

Na opção (2) os vinhos comprados vão sendo guardados na adega virtual, para envio em lote na data em que o cliente desejar. É aí que vem o diferencial para quem procura valorizar seu rico dinheirinho: assim que o valor dos vinhos acumulados na adega virtual ultrapassa R$ 300 não é cobrada taxa de entrega, regalia que vale para todo o território brasileiro.

Depois de acompanhar os vinhos à venda durante alguns dias resolvi me inscrever e comecei a encher minha adega virtual. Assim que consegui o direito ao frete grátis solicitei o envio no dia 26 de Janeiro. O pacote foi despachado em 3 de Fevereiro e recebido em 13 de Fevereiro. O tempo decorrente entre a solicitação e o envio efetivo está dentro do prazo logístico informado pelo site. Já o tempo de entrega avalio como bom.


Os vinhos chegaram separados em pacotes de duas garrafas, ou seja, recebi os seis rótulos adquiridos em três caixas pequenas.


Bom trabalho de embalagem, com garrafas bem acomodadas e de acordo com as safras divulgadas nas ofertas do site.

Sim, Catita é uma gata aparecidona

No meu primeiro pacote vieram dois italianos, dois sul-africanos, um espanhol e um chileno.

Sobre os preços, que talvez seja o aspecto mais importante e o diferencial da Vinumday, verifiquei que os vinhos são de fato vendidos a um preço inferior aos valores pesquisados na Internet, alguns com descontos menores e outros com reduções substanciais. A variedade de rótulos é interessante, sendo que são ofertados vinhos de várias importadoras e de vinícolas não muito conhecidas pelo grande público, com valores que vão dos R$ 30 a até R$ 200. Ou seja, dá pra arriscar tanto com coisa barata quanto com algo mais incrementado.

VEREDITO FINAL: indico e compraria de novo.

terça-feira, 7 de março de 2017

Destaques de FEV-2017

No meu caso, este foi um mês de Fevereiro não usual para um consumidor regular de vinho em terras tupiniquins. Digo isso porque, basicamente, a esmagadora maioria das garrafas que degustei foram do velho mundo. Do novo mundo, o Sauvignon Blanc sul-africano foi ótimo (como eles sempre são) mas os dois argentinos não se sobressaíram e beiraram o desequilíbrio.

Vamos aos que considerei mais interessantes.

Weingut Thomas-Rüb, Merlot trocken Flonheimer Bingerberg, Rheinhessen 2014 (ALE)

Provavelmente o Merlot de coloração mais pálida que já vi. Não, não é um rosé, até porque nunca vi um rosé feito à base de Merlot. Com olfato de framboesa e rosas, o vinho em questão tem textura ao mesmo tempo leve e estruturada graças aos taninos finos, suportados por ótima acidez. Simplesmente delicioso, me surpreendeu.

Azienda Agricola Randi, Rambëla Extra Dry Vino Spumante, Emilia-Romagna (ITA)

Incluso no último pacote que recebi do clube Vinhos de Bicicleta, este espumante produzido 100% a partir da uva indígena Famoso foi o responsável por iniciar os trabalhos de churrasco de Domingo. Bem seco, porém refrescante e saboroso.

Rambëla é o nome local com que a Famoso vem sendo trabalhada nos últimos anos, após ter sido "redescoberta" pelos produtores da região de Emilia-Romagna. Para se ter uma ideia de sua não-famosidade, não existe até o momento nada sobre esta uva nos arquivos da wine-searcher.com. Mas vai aqui um artigo muito interessante que encontrei no site da Jancis Robinson (em inglês): Famoso - not (yet?) famous.

Domaine des Gillières, Vin de Pays Rosé du Val de Loire, IGP Val de Loire 2015 (FRA)

No mesmo dia em que o espumante de Famoso foi aberto, um amigo trouxe para degustação este rosé da região do Vale de Loire. Bem delicado, sutil e levíssimo em boca, um deleite principalmente no calor do verão. Não sou de destacar a cor dos vinhos que tomo, mas este tem uma belíssima cor na taça.

Se a uva que serve de base para este vinho (Grolleau, que em sua forma nativa é também conhecida por Grolleau Noir) pode ser tomada como indicativo de sua qualidade, definitivamente vale a pena ficar de olho em outras garrafas da mesma região.

 Weingut Reichsrat Von Buhl Riesling, Pfalz 2014 (ALE)

Uma ótima barca de comida japonesa exige um vinho à altura, e esse Riesling não desapontou. Mineral no olfato e no paladar, com notas de orvalho matinal, abacaxi e cítrico suportadas por boa acidez. Foi uma harmonização vencedora.

Edoardo Miroglio, Saint Ilia Estate Merlot & Mavrud, PGI Thracian Valley 2011 (BUL)

Um blend búlgaro relativamente maduro e de boa tipicidade em boca, com taninos macios e muita personalidade. Se a tendência continuar, vou passar a considerar os Merlots búlgaros os melhores do mundo. Tudo bem que a autóctone Mavrud entra no corte desta garrafa, mas para mim o vinho gritou Merlot do início ao fim, tendo sido degustado vagarosamente enquanto eu lia a primeira metade da saga Vórtice Negro (Marvel, Guardians of the Galaxy + All-New X-Men).

Detalhe interessante 1: o fundo da rolha saiu forrado com aqueles cristais de ácido tartárico, eu curti.

Detalhe interessante 2 (pescado numa página da wikipedia): especula-se entre alguns produtores da Mavrud que ela seria na verdade um antigo clone da Mourvèdre, introduzida na Bulgária pelos romanos séculos atrás.

A rolha do Saint Ilia Estate Merlot & Mavrud

Saúde e até a próxima!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vinhos para o dia a dia, honestos, fáceis de beber

Existem algumas expressões largamente utilizadas no universo do vinho que me causam estranheza, para não dizer desgosto. Uma delas é a que dá início ao título desta postagem.

O vinho para o dia a dia, como muitos gostam de dizer e escrever.


O que é um vinho para o dia a dia, afinal?

É um vinho que pode ser consumido com as refeições? Nos dias de semana, a qualquer momento? Nas ocasiões carentes de pompa? Em copos de plástico ou americanos? Acompanhando um canapé, um bolinho de macaxeira, um bauru com o dobro de queijo, um pote de uvas passas, um pequi bem cozido, um pão seco, uma geleia de araticum?

O que vem à minha mente sempre que vejo pessoas trazendo à tona essa famigerada expressão é que o vinho para o dia a dia nada mais é que um vinho baratinho, desses que pode ser buscado em cinco minutos ali no mercado da esquina. Será isso mesmo? É preciso colocar as coisas em perspectiva, uma vez que o que é barato para mim pode não ter a mesma classificação para os outros e vice-versa. Vide Neymar e seu já famoso Vega Sicília Único safra 1976, por exemplo.


Se eu cagasse dinheiro e usasse notas de 100 dólares para limpar o nariz e a bunda, como Carrey e Daniels fazem numa cena daquele filme dos irmãos Farrelly, meus vinhos para o dia a dia poderiam incluir diversas safras de Vegas Sicílias, Pêras Mancas, Opus Ones, Sassicaias, Pétrus e os mais diversos Grand Crus franceses.

Mas não é esse o caso. E não será o caso nem se eu puder heptuplicar meus rendimentos ou ganhar na megassena, porque não sou louco e nem estou disposto a alimentar um mercado tão restrito (existe ainda a casta dos colecionadores, que coisa!). Em contrapartida, também me recuso a me encaixar naquela vasta categoria de consumidores que são muito felizes no seu dia a dia com Chapinha, Sangue de Boi e os mais diversos coquetéis compostos.


Enfim, o que quero dizer é que todos os vinhos que tomo são para o (meu) dia a dia. Mas não é por isso que vou sair por aí falando isso deles. O dia a dia já ocorre por default. Está implícito.

Aproveitando o ensejo, vejamos também a percepção que me causam alguns adjetivos que costumam acompanhar a expressão acima. Como “honesto” ou “fácil”.

Este é um vinho para o dia a dia, honesto, fácil de beber.

Honesto? Ah, finalmente, agora sim! Estamos falando do vinho barato (não o barato no sentido ligeiramente pejorativo da palavra / cheap, não inexpensive), o vinho "correto" que por atender às limitações de nosso poder aquisitivo qualifica-se também como vinho para o dia a dia.

E se for honesto e fácil, então? Um vinho que vale o que custa e, como uma Skol, deve descer redondo?

O problema é quando o danado do vinho é desonesto e difícil... Seria este um vinho desequilibrado? Pode haver sim muita variação de uma garrafa para outra, mas na minha opinião um vinho é difícil de beber somente quando ele não satisfaz meu gosto, pronto. Sucos de madeira são terríveis, mas tem gente que não se sente à vontade bebendo outra coisa. Independente de preferências, o que não gosto mesmo é quando o caboclo fala que o vinho é fácil de beber porque é branco (a.k.a. vinhos de moça). Até concordo em atribuir o termo a vinhos de baixo teor alcoolico e corpo leve, independente da cor ou do tipo de uva. Estes descem mais fácil mesmo, né?

E os vinhos desonestos? Desonesto é o vinho que não vale o que custa, é isso? Todos sabemos o quanto é decepcionante gastar mais do que achamos factível num vinho que daqui a alguns meses pode não ser tudo o que esperamos dele. Mas raramente você vê gente por aí falando que certo vinho é desonesto, o que se vê é que tal vinho não vale o que custa.

O que fazer para fomentar a honestidade então? É simples. Se você tem medo, não gaste seu rico dinheirinho com essas coisas superfaturadas, infladas por longevas e bem-sucedidas campanhas de marketing, que não entregam nada a mais que os exemplares de menor custo.

Olhe lá, se você tem condições não há absolutamente nada de errado em encher a adega com garrafas acima de R$ 300. O dinheiro é seu, ora bolas. Em qualquer caso a realidade é cruel para todos, ou seja, quanto mais cara a garrafa maior é o risco de nos depararmos com um vinho desonesto.


Se eu cagasse dinheiro pouco estaria me lixando se aquele vinho de mil reais fosse uma merda. Gente podre de rica que bebe seus vinhos não dá a mínima se um vinho é ou não honesto. O risco para eles não existe.

Em contrapartida, na nossa realidade tudo acaba mesmo sendo baseado em risco: o terror dos enófilos de carteirinha e o medo dos que bebem casualmente. Só não se preocupa com isso o tiozinho que vai ao mercado da esquina no Sábado à tarde buscar o vinho de Domingo.

Quanto à minha relação com o risco, tudo o que posso dizer é que às vezes entro numa loja de vinhos me sentindo "aventureiro". Bem às vezes. E somente para uma garrafa.

Termino essa postagem dizendo que vocês jamais me verão escrevendo ou dizendo que tal vinho é honesto, fácil de beber, feito para o dia a dia. Se eu tiver cometido tal deslize peço que primeiramente me desculpem, e em seguida me apontem o local e a data porque vou lhes enviar um brinde.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Destaques de JAN-2017

Eu bem que gostaria de continuar a fazer postagens dedicadas para determinados vinhos, já que adoro conhecer um pouco mais a fundo a história das vinícolas que produzem as garrafas que ficam na memória. Infelizmente, o tempo tem sido muito escasso e não tenho estado em condições de fazer as pesquisas que considero necessárias.

Para não ficar no limbo e manter este espaço em atividade, vou estar fazendo postagens mensais com os cinco vinhos mais interessantes que tiver provado no período, pontuando as experiências e ocasiões que valem a pena ser lembradas de maneira resumida.

A ordem adotada a seguir é cronológica, as notas de degustação altamente subjetivas e os efeitos colaterais 100% verdadeiros.

Château Gravas, Sauternes AOC 2010 (FRA)

Meu primeiro Sauternes! Já na primeira lufada de aromas percebe-se que este é um vinho de classe, que lembra muito damasco maduro, caramelo, nozes e mel. Fantástica sensação em boca, confirmando que é sim possível combinar doçura e acidez num vinho. Esta meia-garrafa foi produzida 100% com uvas Sémillon.

Um detalhe interessante sobre minha experiência com este vinho é que acabei quebrando as duas únicas taças de sobremesa que eu tinha. A primeira foi devido a um acidente que inclusive derramou Sauternes sobre o teclado do notebook que estou usando neste exato momento para escrever a postagem... A segunda foi culpa da Catita, que passou correndo pela taça depois que eu a deixei ao lado do sofá no chão e me esqueci de recolhê-la durante a madrugada. :D

Trambusti, Zipolino Toscana IGT 2015 (ITA)

Às vezes encontramos verdadeiras surpresas em locais insuspeitos, como no caso desse humilde tinto toscano, recebido numa das seleções do clube Vinhos de Bicicleta. Composto por 95% de Sangiovese com o restante não especificado, na taça se mostrou delicioso, com o perfil esperado de frutas vermelhas no olfato e muito equilíbrio em boca, em melhor harmonia que muitos exemplares de estirpe supostamente superior. Poderia ter sido degustado sozinho, mas acompanhou muito bem uma pizza uma hora mais tarde.

Alfredo Roca Pinot Noir, Mendoza 2015 (ARG)

Em nossa primeira visita acompanhados de minha princesinha ao Di Parma, um dos nossos restaurantes favoritos, escolhemos este vinho da carta para acompanhar o almoço. Um Pinot adorável, com aromas de cereja e ameixa precedendo textura delicada. Foi harmonizado com o indefectível escalopinho de filé com talharim ao molho gorgonzola, um favorito meu.

E olha a minha bebezinha do lado de lá da taça, que coisa mais linda!

Vinprom Haskovo, Merlot from Stambolovo AOC, Thracian Lowlands 1992 (BUL)

Levei esta garrafa para ser degustada em noite de reunião de confraria. Tivemos um breve susto quando ela foi aberta pois a rolha estava quase completamente encharcada, mas felizmente o vinho estava muito vivo apesar da idade avançada. Um Merlot de excelente textura em boca, ataque sutil e taninos finos. Uma ótima experiência que não custou o rim de ninguém.

Maison Trimbach, Trimbach Riesling Alsace AOC 2010 (FRA)

A semana tinha sido difícil, e uma das melhores maneiras que conheço de tornar uma barca de comida japonesa ainda melhor é abrindo um bom Riesling para acompanhar. Mineral, sedoso e perfumado, este mostrou ainda um leve toque azedinho que casou perfeitamente com nossa opção de jantar.

E por enquanto é só. Saúde!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Minhas estatísticas enófilas para 2016

Findo o ano de 2016, achei que seria interessante jogar uma lupa sobre ele e ver como se comportou minha rotina enófila. Já estava na hora de dar um uso mais interessante àquela planilha de anotações gerais.

Sem mais delongas, vamos aos gráficos que separei com base nos vinhos degustados.

2016 | Distribuição por países

Pois bem, o país de onde mais degustei vinhos em 2016 foi a Argentina com 29 exemplares, seguida de perto pelo Chile (28) e pela Itália (27). Considerando que eu tenho tentado provar mais vinhos do velho mundo, esse resultado se deve praticamente às garrafas abertas a partir de cartas de restaurantes, a mesma coisa ocorrendo com o Chile. A Itália vem em terceiro porque é de lá que vêm os meus vinhos preferidos.

Não fosse a interrupção de nossas visitas a restaurantes em Outubro devido ao nascimento da minha filha, aposto que os hermanos estariam ainda mais isolados na liderança. Quanto aos demais países, sua representatividade foi mais ou menos como eu esperava. Em 2017 espero dar uma ênfase ainda maior aos vinhos do velho mundo, em especial os alemães e os da Europa oriental.


2016 | Distribuição por tipo de vinho

Sem muitas surpresas quanto ao gráfico acima, com exceção talvez dos espumantes tendo mais participação que os rosés. Foram 64% de tintos e 28% de brancos, será que estou na média de divisão de consumo?


2016 | Somente varietais (mínimo 85%)

Em se tratando de vinhos varietais, confesso que a Cabernet Sauvignon (12,1%) foi uma surpresa pra mim. Mas daí é possível ter uma ideia de quanto essa uva é predominante em nosso mercado, visto que por mais que ela não seja a minha favorita eu acabo gravitando em torno dela nas mais variadas situações de degustação. Minha favorita Sangiovese ficou em terceiro (8,1%), atrás da esperada Chardonnay (10,5%).

Uma surpresa menor foi ver a Tannat em quinto lugar, o que se deve obviamente ao tema do segundo encontro da Confraria Tênis e Vinho MT.

Não cheguei a fazer um gráfico levando em conta somente os blends, mas o país que ganhou disparado nessa categoria foi Portugal, que teve o mesmo tanto de garrafas de Espanha e França somadas. O que faz total sentido, uma vez que a esmagadora maioria dos vinhos lusitanos é produzida utilizando várias parcelas das uvas autóctones do país.

E os leitores, conseguiram ser fieis ou não às suas preferências?

Um abraço a todos e saúde!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Vinhos de Bicicleta, seleção Liberté - Uma Retrospectiva para 2016

Com a notícia de que a Wine.com iria novamente repetir uma vinícola no mês de Fevereiro em sua categoria intermediária, acabei tomando a decisão de sair do ClubeW. E para manter uma pequena fonte de vinhos diferenciados todos os meses acabei optando pela seleção Liberté do Clube Vinhos de Bicicleta, que tem uma proposta bacana e pelo que pude perceber é similar em qualidade ao ClubeW Classic.

Recapitularei agora rapidamente todas as seleções do ano de 2016.

Janeiro - RJ Viñedos (Argentina), Lidio Carraro (Brasil)
  → Joffré Expresiones de Terroir Chardonnay, Mendoza 2014
  → Avesso Vinho de Autor, Serra Gaúcha 2014

Ambos os vinhos se mostraram bem agradáveis, em especial o Avesso por este ser um assemblage de Tannat e Pinot Noir, duas castas de características francamente antagônicas. Textura e corpo leves, o que significa predomínio final da Pinot, com olfato de framboesa evoluindo para morangos e fim de boca breve.

Avesso Vinho de Autor, Serra Gaúcha 2014

Fevereiro - MGM Mondo del Vino (Itália)
  → Mandorla Primitivo, Puglia IGT 2014
  → Mandorla Pinot Grigio delle Venezie IGT 2014

Dois italianos interessantes. O Primitivo se mostrou mais sutil que a maioria das garrafas da casta que se encontra no mercado, com presença em nariz e boca de especiarias, frutas secas e cereja. Quanto ao Pinot Grigio, harmonizei-o com sushi: leve, delicado, de boa acidez, olfato marcado por nuances de pêra.

Mandorla Primitivo, Puglia IGT 2014

Março - Badia di Morrona (Itália), Ego Bodegas (Espanha)
  → Rosso dei Poggi, Toscana IGT 2014
  → Marionette, DO Jumilla 2012

Com 85% de Sangiovese e 15% de outras uvas, o Rosso dei Poggi foi um dos vinhos mais fechados que provei esse ano. Confesso que tentei ter paciência com ele, mas essa foi uma daquelas garrafas em que a única característica que pareceu emanar da taça foi o álcool. Com partes iguais de Mourvédre e Syrah, o Marionette já agradou bem mais, incluindo aí uma boa presença de carvalho em meio à baunilha e às frutas negras, num vinho vibrante de médio corpo.

Marionette, Jumilla DO 2012

Abril - Azienda Agricola Montechiaro (Itália), Puntí Ferrer (Chile)
  → Monte Chiaro Saltimbanco Rosso di Toscana IGT 2013
  → Cantagua Carmenere, Valle de Curicó 2014

Levei um susto quando abri o Saltimbanco para acompanhar uma rodada de queijos e pães. Por algum motivo que até hoje me intriga o vinho estava inerte, sem qualquer odor ou sabor, como se estivesse morto. Ao invés de jogá-lo fora decidi guardá-lo para ver como estaria no dia seguinte, e não é que ele ficou palatável? Mistério...

O Cantagua Carménère se mostrou opulento e maduro no nariz carregado de amoras e ameixas, porém de paladar um pouco etéreo com taninos salientes.

Monte Chiaro Saltimbanco Rosso di Toscana IGT 2013

Maio - Fattoria La Casaccia (Itália), Quinta Vale de Fornos (Portugal)
  → Gugu, Toscana Rosso IGT 2013
  → Vinha do General, DO Tejo 2013

Há algum tempo atrás escrevi sobre o Gugu aqui mesmo no blogue, então vou dar um repeteco nas anotações sensoriais: o blend é composto por 85% Sangiovese e 15% Merlot com bom olfato frutado para um caldo ainda jovem, que se mostrou um pouco verde em boca mas evoluiu bem na taça degustada fora de casa.

O Vinha do General, por sua vez, foi o primeiro exemplar que provei da região do Tejo. Composto por partes iguais de Castelão e Syrah, o vinho é frutado, com acidez presente e leves toques de cera e violeta. Persistência breve.

Vinha do General Tinto, VR Tejo 2013

Junho - Vinícola Helios (Brasil)
  → Dórico Merlot, Serra Gaúcha 2013
  → Corcéis Tannat, Serra Gaúcha 2013

Escolhida como primeiro ponto de distribuição dos produtos da Helios em São Paulo, a Vinhos de Bicicleta apresentou dois exemplares marcados pela presença poderosa de madeira no processo de amaciamento dos vinhos, ambos muito bons. Ao contrário dos demais exemplares da vinícola, que são produzidos em São Joaquim, estes vêm diretamente da Serra Gaúcha (Guaporé).

Corcéis Tannat, Serra Gaúcha 2013

Julho - Domaine du Père Guillot (França)
  → Pisada Cuvée, Vin de la Communauté Européenne 2014
  → Saint-Palatins Tradition de Vignerons, Vin de la Communauté Européenne 2014

Ambas as garrafas são 100% Tempranillo, vinificadas em solo francês com uvas provenientes de terroir espanhol. Por isso a denominação regional de vinho da comunidade europeia (Vin de la Communauté Européenne). Parece suspeito, não? Principalmente porque não existe informação alguma sobre esses vinhos no site da vinícola. Não que haja algo de errado com eles; por enquanto o único que provei foi o Pisada, um caldo com muita fruta madura e textura contraditoriamente leve.

Pisada Cuvée, Vin de La Communauté Européenne 2014

Agosto - The Wine People (Itália)
  → Colpasso Primitivo, Puglia IGP 2013
  → Colpasso Nero D'Avola, Terre Siciliane IGP 2014

Vinhos leves e mais joviais que os que podem ser encontrados no mercado nacional para as mesmas uvas. O Nero D'Avola, em específico, se mostrou bem maduro no olfato, que exibe bons níveis de fruta negra, ameixa e compotado, seguido por paladar de taninos finos, persistência média e boa acidez.

Colpasso Nero D'Avola, Terre Siciliane IGP 2014

Setembro - Vinos del Sur (Chile)
  → Casa Diego Reserva Syrah, DO Valle de Itata 2013
  → Casa Diego Reserva Pinot Noir, DO Valle de Itata 2013

Alguns dos melhores rótulos chilenos dos últimos anos são provenientes do Valle de Itata. Infelizmente, o único vinho que provei até o momento dessa seleção não agradou muito. O Syrah veio com acidez inicial muito forte, característica que desaponta após os agradáveis aromas de frutas negras e nectarina. O desequilíbrio foi amaciado um pouco com um tempinho em taça e comida, mas fica a esperança de que a degustação do Pinot Noir seja mais bem-sucedida.

Casa Diego Reserva Syrah, DO Valle de Itata 2013

Outubro - Badia di Morrona (Itália), Casa da Fonte Pequena (Portugal)
  → Caligiano Chianti DOCG Edizione Speciale Vinhos de Bicicleta, Toscana 2013
  → Alto da Vila Tinto, Douro DOC 2011

Por enquanto a única garrafa apreciada foi o Chianti rotulado especialmente para o clube. Ao contrário do tinto toscano do mês de Março, dessa vez a Badia di Morrona / Gaslini Alberti foi muito mais de encontro ao meu paladar: olfato de framboesa, cereja e amoras, com boa textura e fim de boca delicado. Foi muito bem harmonizado com espaguete à bolonhesa e uma singela tábua de queijos.

Caligiano Chianti DOCG Edizione Speciale Vinhos de Bicicleta, Toscana 2013

Novembro - Vinícola Trambusti (Itália), Cantine Manfredi (Itália)
  → Zipolino Rosso, Toscana IGT 2015
  → Castelvecchio Barbera, Piemonte DOC 2015

Ainda não provei nenhum dos dois. A composição do Zipolino leva 95% de Sangiovese, o que já é uma excelente notícia para mim. Quanto ao Barbera da DOC Piemonte, a esperança é que a simplicidade ande de mãos dadas com a qualidade.


Dezembro - Società Agricola Randi (Itália), Vinhedos Capoani (Brasil)
  → Rambëla Extra Dry, Emilia-Romagna
  → Capoani Merlot/Tannat, Vale dos Vinhedos 2013

Duas incógnitas que têm boa chance de surpreender. O espumante é feito pelo método Charmat a partir de 100% Rambëla, uva autóctone que na região de Ravenna na Emilia-Romagna tem ainda a alcunha de Famoso. Já o blend de Merlot/Tannat vem de uma vinícola butique na Serra Gaúcha cujas primeiras safras datam de 2010. As expectativas são boas para ambas as garrafas.


De modo geral, os exemplares de 2016 da categoria Liberté agradaram, com duas ou três garrafas que até agora decepcionaram. Muito me alegrou o percentual de rótulos italianos e a inclusão de um espumante diferenciado para o período de fim de ano, só faltou mesmo um pouco mais de vinho branco no segundo semestre.

Comparativamente, o Clube Vinhos de Bicicleta não tem nada do valor agregado em revista ou da interatividade proporcionada pelo site da Wine.com. As seleções vêm acompanhadas somente por um folheto impresso com informações sobre os vinhos (as mesmas que são divulgadas no website), e nenhum recurso de feedback existe para as opiniões dos clientes internautas (o que no final das contas pode ser algo positivo, vide o amontoado de baboseiras que infesta as seções de comentários do ClubeW).

Para o próximo ano minha intenção é migrar para a categoria superior do clube, a Fraternité.

Por enquanto, um forte abraço a todos os leitores e saúde!