quarta-feira, 10 de abril de 2019

É cada uma que me aparece!

Quando chega um email em minha caixa de entrada oferecendo-me um vinho por "apenas" R$ 1.299,00 eu me pergunto duas coisas.

Uma delas é que tipo de gente se dá ao luxo de pagar esse valor por uma garrafa de vinho. Se o vinho tem esse preço, é porque existe gente que compra.


Aí fica difícil reprovar o marketing de vinícolas que acabaram de ser fundadas e chegam a pedir R$ 500,00 por uma garrafa ícone de seu portfolio, numa exploração descarada de gente que acredita que vinho é status.

A outra coisa que penso é se eu seria tão retardado a ponto de um dia comprar um vinho assim.

Mas nem se eu ganhasse na Mega Sena!

Mais fácil seria plantar alguns hectares de Petit Verdot na Chapada dos Guimarães e engarrafar o sumo dois anos depois cobrando R$ 500,00 pela garrafa.

É cada uma que me aparece...

quarta-feira, 20 de março de 2019

Clube Wine, categoria Refrescantes - Uma Retrospectiva para 2018

Assim que soube que o Clube Wine tinha uma nova categoria para vinhos brancos e rosés, não hesitei em experimentar a nova modalidade e assinei o plano para 2018. Chamado de Refrescantes, o serviço entrega dois vinhos por mês e tem o preço mais camarada das seis opções disponíveis.

Segue um breve resumo das garrafas que vieram em 2018, assim como algumas anotações rápidas de degustação.

Janeiro - Pajzos-Megyer (Hungria)
  → Ladiva Tokaj Hárslevelű 2015
  → Ladiva Tokaj Furmint 2016

Esta foi uma seleção especial, pois nunca havíamos provado vinho húngaro e nem conhecíamos essas duas variedades de uva. O Hárslevelű exibiu notas de abacaxi e mineral, acidez equivalente e um leve amargor no fim de boca. Já o Furmint tinha paladar que lembra uma mistura de frutas cítricas e maçã verde, leve e seco, ideal para acompanhar entradinhas e uma boa conversa. Foi o melhor dos dois.


Fevereiro - Vignobles Bonfils (França)
  → Clair de Cantaussels Sauvignon Blanc, Pays D'Oc IGP 2016
  → Clair de Cantaussels Rosé, Pays D'Oc IGP 2016  (Grenache, Cinsault)

Sauvignon Blanc de perfil mineral, com olfato que remete a limão e inclinação natural para harmonização com comida japonesa. O Rosé foi aberto para relaxarmos e esquecermos um pouco dos afazeres diários. De aromas frutados e paladar razoavelmente fresco, muito saboroso, o vinho superou as expectativas.


Março - Veramonte / Alto de Casablanca (Chile)
  → Cruz Andina Reserva Chardonnay, DO Valle de Casablanca 2017
  → Cruz Andina Reserva Sauvignon Blanc, DO Valle de Casablanca 2017

A alcunha de Reserva chama a atenção, mas estes são vinhos de custo-benefício típicos do terroir chileno popular, corretos porém sem maiores atrativos. Degustação descompromissada garantida, com comida japonesa, diversão de fim de noite e vida em família.


Abril - Bodegas del Medievo, Bodegas Virgen de La Sierra (Espanha)
  → Almaraz Viúra Chardonnay, DOCa Rioja 2016  (50% Viúra, 50% Chardonnay)
  → Lo Brujo Macabeo, DO Calatayud 2016

O Almaraz é um blend branco leve, cítrico e refrescante. Já o Lo Brujo exala um calor agradável sob a superfície frutada, também com um toque cítrico em sintonia com o paladar fresco.

Em tempo: Macabeo e Viúra são a mesma uva sob nomes diferentes.


Maio - Weingut Dr. Loosen (Alemanha)
  → Ernst Loosen Pfalz Edition Pinot Noir Rosé 2017
  → Ernst Loosen Pfalz Edition Pinot Gris 2017

Muito gostoso esse Pinot Noir Rosé, que surpreende com aromas envolventes e um paladar de leve mineralidade que remete a morangos. O Pinot Gris, por sua vez, é um bom vinho para acompanhar comida japonesa, fresco, mineral, com nuances de pêra e limão no olfato, em boca corpo leve para médio.


Junho - Mancura Wines / Viña Fray León (Chile)
  → Mancura Guardián Reserva Sauvignon Blanc 2017
  → Mancura Guardián Reserva Chardonnay 2017

Leve e cítrico, o Chardonnay foi aberto para refrescar a noite de Sábado, acompanhando bolinho de bacalhau e geleia de pimenta. O Sauvignon Blanc mostrou as esperadas nuances cítricas e de maracujá e goiaba, com mineralidade fresca que transparece graciosamente tanto no olfato quanto em boca.


Julho - Vignobles & Compagnie (França)
  → Petit Tracteur Blanc Côtes du Rhône AOC 2017  (50% Grenache Blanc, 20% Marsanne, 20% Roussanne, 10% Viognier)
  → Petit Tracteur Rosé Côtes du Rhône AOC 2017  (70% Grenache, 20% Cinsault, 10% Syrah)

O branco é um blend agradável de acidez suave, que traz à mente fruta cítrica, maçã verde e orvalho matinal. O Rosé é bastante aromático e de saborosa leveza em boca, ótimo para degustar sem compromisso.


Agosto - Viñas del Vero (Espanha)
  → Viñas del Vero Chardonnay, DO Somontano 2017
  → Viñas del Vero Pinot Noir Rosé, DO Somontano 2017

Um Chardonnay leve como uma pena, quase etéreo, com aromas também leves que lembram abacaxi. Daquelas garrafas muito equilibradas e sutis, que tendem a ir embora bem rápido. Já o Pinot Noir se mostrou um pouco rústico para um rosé, porém com boa acidez e um agradável toque mineral, que casou bem com um risoto.


Setembro - Marianne Wines (África do Sul)
  → Amara Chardonnay, WO Western Cape 2018
  → Amara Chenin Blanc, WO Western Cape 2018

Bons vinhos. Jovem e refrescante, o Chardonnay foi harmonizado em boa companhia com uma salada de endívias e salmão grelhado. Já o Chenin Blanc marcou pela ótima acidez, com olfato que prenuncia mineralidade.


Outubro - Fortant (França)
  → Maison Fortant Grenache Gris Pays D'Oc IGP 2017
  → Maison Fortant Rosé Coteaux Varoix en Provence AOC 2017  (55% Grenache, 30% Cinsault, 15% Syrah)

Seleção exclusiva de rosés. O Grenache Gris, pálido, apresentou aromas tímidos porém paladar incisivo, seco e mineral, com final um pouco amargo além da conta para o meu gosto. O blend desta AOC da qual eu nada conhecia foi mais harmonioso, com aromas frutados e mineralidade equilibrada.


Novembro - Viña Undurraga (Chile)
  → Cauquenes Estate Gran Reserva Sauvignon Blanc, DO Valle de Leyda 2017
  → Cauquenes Estate Gran Reserva Viognier-Roussanne, DO Valle del Maule 2017

Sauvignon Blanc de acidez marcante, muito cítrico em aromas e no paladar, limão e maracujá bastante presentes. Foi o oposto do blend de Viognier/Roussanne, marcado por acidez suave e leve mineralidade, bons aromas de lima e flores silvestres.


Dezembro - Cellers Unió e La Casa de Las Vides (Espanha)
  → Mas dels Mets Garnacha Blanca, DO Terra Alta 2017
  → Barranc del Rei Blanco, DOP Valencia 2017 (Chardonnay, Moscato, Sauvignon Blanc, Verdejo)

O Barranc del Rei é bem saboroso. A casta que mais se sobressai é com certeza a Moscato e seus aromas florais, frescos, que em boca resultam um sensação suave graças à combinação com as outras uvas. Ainda não provamos o Mas dels Mets.


Em geral

Algo costumeiro em se tratando dos vinhos do clube Wine, nota-se uma presença muito grande de exemplares chilenos, a maioria deles fabricados/rotulados exclusivamente para o Brasil (não é encontrada nenhuma informação sobre os mesmos nos sites das vinícolas). Eu particularmente não gosto disso, a impressão que dá é que estamos recebendo subprodutos, principalmente quando as garrafas carregam a palavra Reserva mas não entregam nada que vá além de vinhos jovens de entrada.

Na minha mente um Chardonnay Reserva, por exemplo, deveria vir com no mínimo algum afinamento do vinho por alguns meses em barricas de carvalho. Infelizmente, em matéria de regulamentação o Chile ainda está longe de ser uma Espanha.

Como admirador dos vinhos do velho mundo, senti falta também de exemplares italianos e portugueses, países riquíssimos em castas autóctones e que poderiam abrilhantar muito a categoria dos Refrescantes. Fica a esperança que eles venham a aparecer nas seleções de 2019, pois por pura desatenção eu acabei permitindo que o plano fosse renovado.

Um forte abraço a todos os amigos enófilos!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

E o desprezo pelo vinho branco continua

Há algumas semanas atrás tive a chance de ir a dois restaurantes de boa reputação na cidade de Rondonópolis, interior de Mato Grosso. Um deles já era velho conhecido, ao outro fomos pela primeira vez. E como nossas saídas noturnas têm sido muito raras, obviamente decidimos que beberíamos vinho.

O primeiro deles foi o Mediterrâneo Restaurante, cujas especialidades culinárias espelham o nome do estabelecimento. Ambiente requintado e harmonioso, bom atendimento. Eis que chega à mesa a carta de vinhos, e como nossa opção seria peixe a escolha seria naturalmente por um vinho branco.

Após perguntarmos sobre a disponibilidade da garrafa selecionada, esperamos um pouco pelo retorno do garçom e fomos informados que ela estava em falta. Escolhi outra, mas também não tinham a garrafa disponível. Quando o rapaz percebeu que eu não arredaria dos brancos ele finalmente comunicou que o estabelecimento estava completamente sem vinhos brancos. Ou seja, das cinco ou seis opções na carta não havia sequer uma garrafa.

O resultado: fomos obrigado a pedir um tinto, adequando os pratos ao mesmo. Para meu paladar o vinho estava muito denso, pesado, carregado demais na madeira. Foi esse aí:

Serrera Wines / Marton Andina
Serrera del Pecado Malbec Cabernet Sauvignon 2014
Mendoza, Argentina

O segundo restaurante foi visitado umas duas ou três semanas mais tarde. Trata-se do Kenkou Sushi House, velho conhecido da família e de nosso círculo de amigos. Por algum motivo que me é extremamente obscuro, nunca tínhamos tomado vinho no estabelecimento, mas nesse dia estávamos decididos a mudar essa escrita.

Na carta de vinhos, que está junto aos demais itens do menu disponível no tablet de cada mesa, apenas um vinho branco estava listado: o Cosecha Chardonnay, reservado disfarçado da Viña Tarapacá. "Okay, tudo bem, esse será o escolhido", pensei. Qual foi nossa surpresa, porém? O vinho estava indisponível. A alternativa seria um Moscatel da Casa Valduga ou um tinto.

E terminamos optando por este:

Viña San Pedro Tarapacá
Cosecha Tarapacá Merlot 2017
Valle Central, Chile

Este Merlot estava agradável. Bem feitinho, redondo, a Merlot é mesmo uma uva coringa quando bem vinificada.

Notem que não estamos falando aqui de estabelecimentos de qualidade duvidosa, mas sim de restaurantes muito bem estabelecidos e de ótima reputação (cliquem nos links e verão as avaliações do TripAdvisor). A completa ausência de vinhos brancos é ainda mais alarmante no caso do Kenkou, uma casa especializada em culinária japonesa.

O aparente desconhecimento dos responsáveis dos restaurantes quanto à importância do vinho branco é somente um dos indícios que denotam o preconceito arraigado de população e empresários quanto a este item específico em sua grade de atendimento ao cliente. Nem vou entrar no mérito dos preços, que no caso do Mediterrâneo são totalmente abusivos e contribuem ainda mais para a marginalização da bebida e suprema permanência da cerveja nas mesas dos frequentadores.

E assim segue o baile.

Vinho branco pra quê mesmo, né?

terça-feira, 22 de maio de 2018

Da quilometragem enófila

Uma das grandes verdades sobre o nosso hobby — a enofilia — é o inegável prazer que ele nos proporciona. Prazer em vários níveis, sob as mais diversas condições econômicas e dentro das mais variadas expectativas pessoais, seja ele sensorial (o barato da degustação e da harmonização), cultural (o aprendizado contínuo), geográfico (as viagens) ou social (as amizades).

Para todos os que gostam de vinho é fascinante ler e se informar sobre esse universo, mas a verdade maior é que para aprender de fato sobre vinhos é preciso bebê-los. E quanto mais bebemos e degustamos, mais aumenta nossa quilometragem enófila.

Vira e mexe é bom analisarmos o que aprendemos nos últimos tempos, e para quais novas preferências ou velhas constatações apontam nossas experiências. Está aí um exercício que vale a pena fazer, mesmo que seja virtualmente impossível abraçar todos os vinhos produzidos no mundo (para isso teríamos que ganhar na Mega Sena, parar de trabalhar e viver viajando, em degustações diárias no café da manhã, no almoço e no jantar).

Já pensou em uma mesa como essa em cada refeição?
Crédito: @andrew_wilcocks (Twitter)

Afinal, a quantas anda nossa quilometragem enófila?

Tudo bem que diminuí o ritmo de publicações nesse blogue durante os meses recentes, mas com certeza não diminuí a quantidade de degustações. Coloco a seguir, portanto, algumas das constatações que tenho feito desde as elucubrações iniciais de alguns anos atrás.

• Vinhos do velho mundo são melhores que vinhos do novo mundo. Por quê? Em sua grande maioria eles são mais harmoniosos, elegantes e saborosos. Simples assim.

• O país que entrega os vinhos mais consistentes é, sem dúvida, Portugal. Seja nas garrafas mais singelas ou nos maiores ícones, os vinhos portugueses raramente decepcionam.

• Devido às grandes distâncias que precisam viajar para chegar até nós brasileiros, os vinhos do velho mundo se degradam mais rápido que os demais. Sempre, SEMPRE devemos procurar a safra mais recente deles, fugindo das promoções e desovas de safras antigas, principalmente em supermercados.

• Novamente, os vinhos mais resistentes às grandes viagens são os portugueses. Seria algo relacionado à logística lusitana ou seria influência de suas robustas castas autóctones?

Garantia de coisa boa, ora pois pois!

• Vinho branco NUNCA será considerado bebida "digna de homem" nesse país. Em discussões ou reuniões de clube do Bolinha nem adianta tentar empurrar vinho branco. Vinho rosé então...

• Falando em brancos, a Viognier é uma casta fantástica e deveria ser melhor conhecida por todos.

• Tenho desenvolvido uma simpatia cada vez maior pela Merlot, que parece ser de fato o meio-termo mais seguro no mundo dos tintos.

• A melhor finalidade da Malbec são os rosés feitos da partir dela.

• Carvalho continua superestimado.

• É cada vez mais triste constatar como estão caros os bons vinhos feitos de Riesling.

• Já os Beaujolais nunca vão entrar nas faixas de preço às quais verdadeiramente pertencem.

• Dito isso, é abominável a safadeza com que certas distribuidoras/vinícolas usam o marketing para inflacionar os preços de seus vinhos.

Se é caro é bom, se é barato não presta
Uma dica interessante de leitura: How a Wine's Price Tag Affects Its Taste

• A maioria esmagadora dos restaurantes está assassinando a cultura da democratização do vinho com o aumento contínuo de preços em suas cartas. A probabilidade do vinho ser mais difundido em regiões sem cultura enófila é ZERO.

• Está ficando cada vez mais difícil escolher vinhos nas cartas dos restaurantes. Primeiro, porque é sempre mais do mesmo. Segundo, porque querem cobrar preços cada vez maiores por mais do mesmo.

• Rolha livre ou taxa de rolha simbólica é vida.

• Comprar vinhos pela Internet é melhor que comprar em supermercados ou lojas especializadas, seja por diversidade ou por preço.

• Clubes de vinho são alternativas que ainda valem a pena se você não quiser gastar muito.

• Arriscar faz parte e é sempre bom tentar conhecer aquele rótulo mais inusitado, mesmo que no final o resultado seja decepção.


• Felizes são os enófilos que participam de confrarias com gente animada e apaixonada por vinho.

• Beber grandes vinhos em companhia de quem não se importa com vinho é algo que nunca mais farei na vida. Neste caso a ideia é "antes beber sozinho do que mal acompanhado".

• A não ser que seja para meu próprio consumo, há muito tempo desisti de ser aquele que traz a garrafa e as taças à mesa em qualquer encontro de família ou amigos.

• Para situações de confraternização com pessoas avessas à cultura do vinho procuro manter sempre algumas garrafas bem baratas na adega.

• Em contrapartida, na ocasião em que é possível beber festivamente com amigos é natural que o grau de satisfação com qualquer vinho aumente.

Acho que por hoje está bom.

Volto ao tema daqui a três anos, se eu ainda estiver por aqui. Nesse meio tempo sintam-se à vontade para adicionar suas constatações ou contestações às minhas constatações.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Clube Winelands, plano Enófilo - Uma Retrospectiva para 2017

No início de 2017 não era minha intenção me filiar a um clube de vinhos diferente, mas fui praticamente forçado a isso.

Foi então que decidi dar uma chance ao plano Enófilo da Winelands. Neste plano era possível escolher 4 garrafas mensais a partir de uma seleção que sempre trazia várias opções de tintos, brancos, rosés e espumantes.

A seguir estão listados os vinhos que escolhi em cada mês e algumas impressões rápidas sobre os que se mostraram mais marcantes.

Janeiro - Cavino (Grécia), Shabo (Ucrânia), Aurelia Visinescu (Romênia), Edoardo Miroglio (Bulgária)
  → Ionos Rosé, Peloponessos/Achaïa (100% Syrah)
  → Shabo Merlot, Odessa 2014
  → Artisan Tamaioasa Romaneasca Sec Dealu Mare DOC, Muntenia 2012
  → Saint Ilia Estate Merlot & Mavrud, PGI Thracian Valley 2011

Muito interessante mesmo o Tamaiosa Romaneasca, um vinho branco realmente diferente. O St Ilia também agradou bastante, como um Merlot com um quê de especial muito provavelmente devido ao blend com a Mavrud.


Fevereiro - Pitars (Itália), Chateau Burgozone (Bulgária), Giménez Méndez (Uruguai)
  → Pitars Cabernet Franc, Friuli Grave DOC 2015
  → Pitars Prosecco DOC Brut Millesimato 2015
  → Côte de Danube Rosé, PGI Danube Plain 2013 (Cabernet Sauvignon, Syrah)
  → Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec Rosé, Canelones 2014

Por motivos de bagunça no controle de estoque, dois dos vinhos que pedi nesta seleção foram trocados por outros de qualidade supostamente compatível. No lugar do Côte de Danube Rosé era pra ter vindo um rosé grego, e ao invés do Prosecco um espumante croata.

Nesta seleção o destaque ficou por conta do Rosé de Malbec da Gimenez Mendez, simplesmente delicioso.


Março - Logodaj Winery (Bulgária), Cavino (Grécia), Casa Donoso (Chile), Halewood Wines (Romênia)
  → Logodaj Winery Shiraz & Cabernet, Thracian Valley 2012
  → Mega Spileo Moscato, PGI Achaïa 2014
  → Domaine Oriental Reserva Chardonnay, DO Valle del Maule 2015
  → Prahova Valley Reserve Sauvignon Blanc, Terasele Dunării 2013

Todos os vinhos neste mês foram acima da média. Como o Logodaj da foto abaixo, harmonizado com filé ao molho de cerveja.


Abril - Stambolovo Winery (Bulgária)
  → Stambolovo Estate Sauvignon Blanc, PGI Thracian Valley 2016
  → Stambolovo Estate Chardonnay, Thracian Valley 2015
  → Stambolovo Estate Cabernet Sauvignon, PGI Thracian Valley 2015
  → Stambolovo Rosé Cabernet Sauvignon, Thracian Valley 2015

Numa seleção toda búlgara, os vinhos da Stambolovo se mostraram bem básicos. A única exceção foi o Chardonnay, que apresentou nível de maturidade mais elevado que o usual.


Maio - Cavino (Grécia)
  → Cavino PGI Naoussa, Macedonia 2014 (100% Xinomavro)
  → Nemea Reserve PGI, Peloponessos 2011 (100% Agiorgitiko)
  → Malagousia White Dry Wine, PGI Achaïa 2014
  → Cavino PGI Patras, Peloponessos 2015 (100% Roditis)

Exclusivamente grega, nessa seleção os vinhos que mais me marcaram foram os tintos. O Naoussa, feito a partir da uva Xinomavro, primou pela sutileza, enquanto o Nemea Reserve me apresentou a Agiorgitiko de uma maneira bem austera.


JunhoAurelia Visinescu (Romênia), Mooiplaas Wines e Goedverwacht (África do Sul), Angelus Estate (Bulgária)
  → Nomad Cabernet Sauvignon, Dealu Mare DOC, Muntenia 2012
  → Langtafel White, WO Western Cape 2014 (Sauvignon Blanc, Sémillon, Chenin Blanc)
  → Crane White Colombar, WO Robertson 2014
  → Angel Rosé PGI Thracian Valley 2015 (Merlot, Cabernet Sauvignon)

Cabernet Sauvignon romeno opulento, de gente grande. Quanto aos demais, todos exemplares leves para consumo festivo.


Julho - Lovico SuhindolStambolovo Winery e Edoardo Miroglio (Bulgária), Aurelia Visinescu (Romênia)
  → Lovico Chardonnay, Danube Plain 2015
  → Stambolovo Mavrud, Thracian Valley 2015
  → Sant'Ilia Chardonnay, PGI Thracian Valley 2013
  → Nomad Feteasca Alba Dealu Mare DOC, Muntenia 2012

Pequeno erro de logística: o Sant'Ilia deveria ter sido um Sauvignon Blanc, não um Chardonnay. E olha a cor desse Feteasca Alba, um bom prelúdio para o leque de aromas e textura que lembram frescor com maçãs maduras!


Agosto - Viñas de America del Sur e Familia Falasco (Argentina), Azzolini Winery (Bulgária)
  → Rocío Sauvignon Blanc, Mendoza 2014
  → Viejo Carretón Cabernet Sauvignon, Mendoza 2015
  → LOLO Chardonnay Torrontés, Mendoza
  → Neragora Mavrud Rosé Organic, PGI Thracian Valley 2015

Grande surpresa esse LOLO, vinho não safrado da Familia Falasco que se mostrou excelente.


SetembroAzzolini Winery e Chateau Burgozone (Bulgária), Krauthaker (Croácia), Bodegas Verdúguez (Espanha)
  → Ares Organic Wine Merlot & Mavrud, Thracian Valley 2013
  → Côte de Danube Cabernet Franc, PGI Danube Plain 2011
  → Paralela Graševina, Slavonija KZP 2013
  → Imperial Toledo Verdejo, DO La Mancha 2014

O Côte de Danube Cabernet Franc estava ótimo. O Riesling Itálico, nome mais comum para a Graševina, também agradou bastante.


OutubroHalewood Wines (Romênia), Linton Park Wines (África do Sul), Karabunar WineryEdoardo Miroglio (Bulgária)
  → Rhea Limited Edition Viognier, Dealu Mare DOC 2011
  → Louis Fourie Chardonnay, WO Wellington 2013
  → Contour Rosé Merlot Cabernet Sauvignon, Thracian Valley 2015
  → Bio Viognier & Traminer, PGI Thracian Valley 2013

Um vinhaço de muita personalidade esse Rhea Viognier. Quanto aos demais, havia até uma leve carga de taninos no orgânico Bio, o que deu uma dimensão a mais ao aspecto frutado do vinho.


NovembroKarabunar Winery e Vinal Winery (Bulgária), Bodega Familia Irurtia (Uruguai)
  → Castellum Rosé, Thracian Valley 2015 (100% Pinot Noir)
  → Pazva Red Blend, Danube Plain 2014 (44% Cabernet Franc, 33% Merlot, 23% Gamza)
  → Le Pont Couvert "Ami Boué" Cabernet Sauvignon Reserve, Danube Plain 2014
  → Km. 0 Río de la Plata Gran Reserva Viognier Roble, Colonia/Carmelo 2011

Outro excelente Viognier por conta dos uruguaios da Familia Irurtia, com o carvalho muito bem integrado ao produto final. E comida japonesa mais o Castellum 100% Pinot Noir ficou nota dez.


DezembroStambolovo Winery e Karabunar Winery (Bulgária), Shabo (Ucrânia), Giménez Méndez (Uruguai)
  → "Templar" Beau-Séant Merlot, Thracian Valley 2008
  → Bisou Rosé, Thracian Valley 2015 (Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc)
  → Shabo Gold Brut, Odessa 2014 (Chardonnay, Pinot Noir)
  → Gimenez Mendez Alta Reserva Tannat, Canelones 2013

Por enquanto somente o Merlot e o Tannat foram degustados, ambos vinhos mais potentes que tinham ainda muito a evoluir em garrafa (fica a dica aos que ainda os têm em suas adegas).


Para quem está de fora, a variedade do Clube Winelands é um atrativo quase irresistível. Afinal, não é em qualquer lugar ou todo dia que se pode ter acesso a vinhos búlgaros, croatas, eslovenos, romenos, ucranianos e gregos, entre outros.

No entanto, depois de algum tempo no clube comecei a perceber que a empresa tende a trabalhar sempre com as mesmas vinícolas/fornecedores, sem apresentar novas vinícolas e repetindo as mesmas garrafas depois de somente alguns meses. A única vinícola italiana durante todo o ano, por exemplo, foi a Pitars, e no caso da Grécia a Cavino. No panorama geral não há nada de errado nisso, mas para quem pede quatro garrafas mensais, não repete vinhos e gosta de conhecer novas vinícolas, as alternativas rapidamente se esgotam. Foi o meu caso.

E foi por isso que Dezembro foi meu último mês no clube.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Que susto, Chile!

Esses dias atrás, mais precisamente no ano passado, levei um susto.

Fui questionado quanto a quais vinhos chilenos teria na adega no momento, e como estava ali perto na mesa estudando resolvi olhar para ver, rapidamente.

Para minha surpresa, não havia nenhum. Ou seja, desde que comecei a tentar entender de vinho e comprei a adega, aquela era a primeira vez que estava sem os tão onipresentes vinhos chilenos em casa.


Isso não foi algo consciente, óbvio, já que tenho naturalmente gravitado em direção aos vinhos do velho mundo, que são em geral menos pesados e mais sutis em boca.

Se essa tendência vai continuar, não sei.

Por enquanto, só para desencargo vou pegar uns brancos da terra de Pinochet na próxima vez em que for ao supermercado.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Destaques de DEZ-2017

Vamos encerrar esta série de postagens com uma última lista, dedicada a um Dezembro pleno de emoções e bons preâmbulos para um excelente 2018.

Le Bignele Valpolicella Classico Superiore DOC, Veneto 2014 (Itália)

🍷 Este foi o vinho escolhido para o almoço de Domingo com convidados, um cânone do Vêneto composto por 70% de Corvina/Corvinone, 25% de Rondinella e 5% de Molinara. No nariz notei fruta vermelha tímida, seguida por textura delicada com taninos finos e acidez também comedida. Sutil e elegante.

Cooperativa Vinícola Aurora, Saint Germain Merlot Meio Seco, Serra Gaúcha (Brasil)

🍷 Eis um inesperado vinho que deu "liga". No caso, com um risoto de filé "venenoso de bão" preparado no susto por minha esposa. Muitos torcem o nariz para rótulos baratos não safrados e ainda mais meio secos, mas eis aqui um vinho com olfato característico da Merlot, paladar leve e dulçor bem diluído, sem peso.

Casa Valduga / Domno .Nero Brut, Vale dos Vinhedos (Brasil)

🍷 Para iniciar nossas férias, nada melhor que um espumante refrescante para comemorar em noite de vale night (bebê em casa aos cuidados da babá), com um jantar leve no restaurante Dom Sebastião após a sessão de Star Wars Episódio VIII - Os Últimos Jedi. O blend leva 60% de Chardonnay, 30% de Pinot Noir e 10% de Riesling Itálico.

Vignobles Dauré, Le Jaja de Jau Sauvignon Blanc, IGP Côtes de Gascogne 2015 (França)

🍷 Na virada do ano este foi o vinho que abriu os trabalhos. Bastante agradável e marcado por aromas de limão e maracujá, devidamente confirmados no paladar fresco e seco. Uma aposta certeira em qualquer ocasião, e não somente como aperitivo em festividades.

Chiarli 1860, Porta Soprana Lambrusco di Sorbara Secco DOC, Emilia-Romagna 2015 (Itália)

🍷 Logo em seguida provamos nosso primeiro Lambrusco tinto e seco, que foi devidamente aprovado. Leve e de olfato perfumado, é prova de que é possível fugir dos Lambruscos doces que infestam o mercado nacional.

E é isso!

* O Valpolicella veio por meio do clube de vinho Winelands em remessa especial, o Porta Soprana encontrei na loja Bodega da Chapada em Chapada dos Guimarães, o Jaja de Jau na Viña Jardim das Américas, o Ponto Nero na carta de vinhos do Dom Sebastião e o Saint Germain foi cortesia da cunhada num Sábado chuvoso.