sexta-feira, 23 de junho de 2017

Quando o vinho está morto

Esta postagem não é sobre vinhos ruins, mas sobre vinhos que estão ruins. Há uma grande diferença aí.

Considerando que em minha curta carreira enófila já acumulei uma pequena cota de vinhos mortos ou semi-mortos, e que nos últimos meses me deparei com algumas garrafas que se enquadraram nessa infeliz categoria, acho que já posso registrar aqui no blogue algumas observações pelas quais vale a pena se guiar no futuro.


Primeiramente, por que um vinho morre?

Partindo da fonte, pode-se considerar como morto o vinho que está muito ruim antes mesmo de ir ao mercado. Estes casos, porém, geralmente estão aliados às circunstâncias de contaminação das rolhas pelo fungo TCA, e aí não há muito o que se fazer do lado de cá da cadeia de consumo a não ser alertar o produtor.

Saindo da fonte, assim que o vinho chega ao mercado começa seu ciclo de vida, e é a partir daí que um conjunto de fatores extremamente importantes passa a influenciá-lo. Todos os vinhos vão morrer um dia, mas eles definitivamente morrerão mais rápido se forem expostos a:
  1. Variações bruscas de temperatura, em especial a exposição a altas temperaturas (cozimento);
  2. Umidade inadequada (baixa demais leva ao ressecamento da rolha, alta demais pode possibilitar a proliferação de fungos);
  3. Exposição demasiada à luz;
  4. Movimentação excessiva da garrafa;
  5. Envelhecimento natural do vinho, que depende da combinação de elementos como teor alcoolico e nível de taninos.
Listei as causas acima em ordem de importância, ou seja, na minha opinião o pior inimigo de um vinho é o cozimento.

Fontanafredda, Barbaresco DOCG 2007 (ITA)
O vinho estava absolutamente morto já no olfato, que era capaz de induzir náusea

Hoje eu sei, por experiência de inúmeras garrafas degustadas, que certos vinhos que tomei não estavam dentro de suas características ideais provavelmente por situações de cozimento ou pseudo-cozimento, porém a polidez não me permitiu exteriorizar as impressões da melhor maneira na época. Felizmente a experiência nos traz um maior nível de discernimento, ou seja, eventualmente ela nos torna mais conscientes. Ou cínicos, depende do ponto de vista.

A única certeza que temos, como enófilos cuidadosos que somos, é que assim que as garrafas entram no conforto de nossa casa/adega elas são tratadas com todo o carinho. O difícil é saber onde elas andaram e com quem ficaram desde o momento em que suas caixas saíram do depósito do produtor...

Como sabemos que o ser humano ainda é o elo mais fraco de qualquer processo industrial do qual faça parte, a qualidade do vinho que chega às nossas mãos é sempre, sempre responsabilidade de alguém: uma equipe de estoquistas que não fazem a mínima ideia de como e onde armazenar os vinhos, uma transportadora com motoristas que deixam a carga descansar ao sol ou desligam a refrigeração durante o transporte porque acham que vinho não é perecível, gerentes que desconhecem técnicas de venda e não compreendem o conceito de safra, pessoas desatentas sempre que há mudanças substanciais em locais de armazenamento, etc.

Bodegas Muga, Muga Blanco DOCa Rioja 2012 (ESP)
Na minha opinião o vinho estava bastante evoluído e em franco declínio, mas segundo minha esposa ele estava passado; para mim não estava imbebível, então serviu ao menos como experiência

Cautela ainda é a melhor maneira de nos precavermos contra eventuais desilusões em nossas degustações. Anoto, portanto, algumas dicas básicas para reduzir riscos e evitar surpresas:
  1. Adquirir sempre as safras mais recentes possíveis. Para tintos até seis anos de idade é razoável, para brancos três anos, contados sempre a partir do ano anterior. Vinhos de reconhecida longevidade extrapolam esses limites (ícones bordaleses e Rieslings alemães, por exemplo). No caso de vinhos jovens e de entrada, o sinal amarelo deve ser ligado ao se deparar com rótulos e cápsulas deteriorados ou vinhos com coloração visivelmente evoluída.

  2. Em situações onde os vinhos são expostos na vertical, jamais pegue a garrafa que está mais à mostra na prateleira. Estique o braço e pegue uma que está lá no fundo, mais protegida da luz. Em muitos casos as safras mais recentes também ficam por lá, escondidas enquanto as mais antigas são expostas e vendidas primeiro.

  3. Se é para arriscar numa safra mais antiga, que o faça com um revendedor qualificado, como lojas especializadas ou vendedores que se dispõem de antemão a reembolsá-lo em caso de garrafa perdida.

  4. Se a garrafa que chega até a mesa num restaurante é muito antiga, pergunte se há uma safra mais recente. Ou esteja preparado para se deparar com uma surpresa.

  5. Adegas climatizadas são bacanas, mas na falta de uma basta um cantinho da casa com um armário tranquilo, de reduzido acesso, onde seja possível guardar as garrafas com rolha na posição horizontal. Ou um móvel simples com alguns nichos onde não ocorra em nenhum momento a incidência direta/indireta de luz solar (esse da foto mandei fazer para ocupar o espaço sob a escada).

  6. Vinho só se guarda em geladeira por um dia ou por algumas horas antes de ser servido, caso seja desejada uma temperatura mais condizente com a ocasião.

  7. Vinhos sem safra declarada devem ser consumidos o mais rápido possível.

Botter, Caleo Montepulciano D'Abruzzo DOC 2014 (ITA)
Apagado e ligeiramente passado no olfato, inerte em boca; beberiquei e deixei a garrafa descansar na geladeira de um dia para o outro mas não teve jeito, tive que descartar

Eu sei que as dicas acima parecem fáceis e bobas para muitas pessoas, mas atesto que demorei algum tempo para absorver a número 1, por exemplo. No começo eu não prestava muita atenção às safras dos vinhos comprados e corria riscos desnecessários, pois na excitação da escolha e da compra acabava nem me lembrando desse detalhe.

Tenho ainda duas observações com relação à pequena amostra de vinhos cujas fotos coloquei nesta página. A primeira delas é que as três garrafas foram compradas em supermercados. Supermercados de bom nível, que frequento com certa regularidade e sempre estão abastecendo minha adega. Apesar do ocorrido acho que não devemos demonizar supermercados como lugares inadequados para se comprar vinho, até porque todos sabem do comichão que nos acomete quando passamos pela seção de vinhos ("hoje vou levar só uma garrafinha... ou duas..."). Só para se ter uma ideia, junto com as garrafas acima vieram outras que agradaram sobremaneira.

A segunda observação é que a probabilidade de encontrar vinhos passados é bem maior nos exemplares do velho mundo. Isso fica evidente quando se analisa toda a cadeia logística que italianos e espanhois passam para chegar até nós, ao contrário do que ocorre com os vizinhos argentinos e chilenos.

E por hoje é só, até a próxima!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Destaques de MAI-2017

Como é praxe, a tarefa de escolher somente cinco vinhos foi difícil.

Mas como alguém já disse por aí em algum lugar, "missão dada é missão cumprida".

Weingut Heinz Pfaffman, Kloster Heilsbruck Riesling Spätlese Trocken, Pfalz 2014 (ALE)

Fantástico vinho que exibe textura de maçã verde e limão sobre olfato delicadamente cítrico. Extremamente seco, tem final de levíssimo amargor muito bem aplacado por ótima acidez. Perfeito para acompanhar comida japonesa.

Shabo Merlot, Odessa 2014 (UCR)

Nosso primeiro vinho ucraniano, e que beleza de vinho. Um fim de boca aveludado se seguiu aos aromas levemente terrosos dominados por amoras, acompanhando muito bem um risoto de queijo com medalhão de filé para comemorar uma conquista familiar que em breve será comemorada novamente, espero que em grande estilo.

Lavradores de Feitoria, Chorinho Douro DOC 2013 (POR)

Uma despretensiosa garrafa que surpreendeu, principalmente por ter sido produzida especialmente para o mercado brasileiro e fazer homenagem ao gênero musical que lhe dá o nome. A composição do vinho utiliza um quarteto clássico de uvas locais: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz (Tempranillo) e Tinta Barroca.

No olfato percebe-se agradável perfume de frutas negras, em boca é suave e equilibrado. O vinho foi degustado com pizza em comemoração à saúde de um evento de família e de um amigo que se tornou família.

Avondale Rosé, WO Paarl 2015 (AFS)

Abrimos este rosé sul-africano para acompanhar mais uma rodada de comida japonesa no dia das mães. Mais equilibrado que o Avondale Pinotage de alguns meses atrás, leva 86% de uma sub-variedade pouco vista de Moscato (Muscat de Frontignan) e 14% de Mourvédre.

No nariz é sutil como a maioria dos rosés, já em boca é vibrante e saboroso, desceu muito fácil enquanto o Domingo ia embora.

De Martino, Gallardía del Itata Old Vine White Blend, DO Valle del Itata 2014 (CHI)

Assemblage de respeito que mescla 70% de Moscato a 30% de Corinto. Foi a primeira vez que ouvi falar desta última uva, que a De Martino considera ser na verdade a europeia Chasselas (outra que também é nova para mim). De qualquer maneira o resultado do blend é muito agradável, distanciando-o do típico aroma floral da Moscato ao exalar frutas como pêssego, pêra e lichia, sensações presentes também num paladar que combina muito bem frescor e untuosidade.

* o Kloster Heilsbruck veio pela Weinkeller, o Shabo chegou numa das seleções do clube Winelands, o Avondale numa oferta dupla da Vinumday e tanto o Chorinho quanto o blend branco da De Martino foram comprados numa das lojas Viña Bebidas Finas de Cuiabá.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Compra pela Internet - Vinhoteca

No mês passado efetuei mais uma compra de vinhos via Internet, e a nova loja selecionada foi a Vinhoteca (http://www.vinhotecaonline.com.br).

Com sede em São Paulo capital, a ideia da empresa na versão online é aliar a leitura com o hábito de degustar vinhos. Isso fica evidente em sua proposta de clube, que entrega mensalmente um vinho e um livro aos associados e concede descontos especiais aos membros. Na minha opinião, porém, o foco são mesmo os vinhos já que a seção de livros não a chega a ser comparativamente tão vasta.

Fiz o pedido no dia 26 de Abril, aproveitando a política de frete grátis para compras acima de um certo valor, e efetuei o pagamento via depósito bancário no dia seguinte. Nesta mesma data o pedido foi enviado, sendo o mesmo entregue em 11 de Maio.


Os pacotes, um com 4 garrafas e outro com 1 garrafa somente, foram entregues em 10 dias úteis, ou seja, dentro do prazo acordado. Opa, os Correios trabalharam bem nesse caso, que coisa!

Duas observações:

1) Ao ler que "a encomenda é entregue à transportadora responsável em até um dia após a confirmação do seu pagamento", fui direto às compras e nem me toquei que essa "transportadora" é na verdade o nosso famigerado serviço de Correios. Tivesse eu lido um pouco mais adiante isso não passaria em branco e eu provavelmente não compraria, visto que na época eles estavam em greve em vários lugares do país e eu tinha um punhado de pacotes atrasados em algum galpão empoeirado dos Correios.

2) O código de rastreio que me foi informado via email permaneceu inválido até o dia em que o pacote chegou, para minha agradável surpresa. O motivo foi que haviam me passado um código errado, que simplesmente não existia.


Tenho que dar nota 10 para o serviço de embalagem, que é o melhor que já vi. Cada garrafa é individualmente acondicionada no invólucro protetor mostrado na foto acima. Pra quebrar só mesmo deixando a caixa cair de uma altura de alguns metros.


O pacote adquirido incluiu dois brancos espanhois, um rosé francês, um tinto italiano e um tinto israelense.

Outro inesperado aspecto desta compra é que um dos vinhos veio errado (o que está mais à esquerda na foto). No dia seguinte comuniquei o fato à empresa via email, informando-os também do erro no encaminhamento do código de rastreio. Nem cheguei a demandar nada sobre troca de garrafas, até porque elas são de equivalente qualidade, nunca provei o vinho que veio errado e trocar certas coisas compradas online simplesmente não vale o esforço.

Infelizmente não obtive nenhuma resposta de volta.

Apesar de ter gostado da variedade de vinhos ofertados no site e do fantástico trabalho de embalagem, não sei se compraria de novo por conta dos erros observados nesta pequena remessa, que poderiam ser relevados com uma simples mensagem por parte da empresa. A impressão que ficou é que eles precisam trabalhar melhor a logística de separação de vinhos e o setor de comunicação com o cliente.

VEREDITO FINAL: indico mas não compraria de novo.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Destaques de ABR-2017

Foram tantos vinhos bons e diferentes em Abril que ficou difícil escolher só cinco para essa postagem!

Uma curiosidade que raramente aconteceu comigo foi me deparar com duas garrafas passadas no mesmo mês. Uma delas estava pra lá de morta, a outra ainda "tomável" mas também em franco declínio. Considerando somente o universo de vinhos que degustei neste curto espaço de tempo dá para dissertar um pouco mais acerca do ocorrido, então vou deixar para escrever sobre o assunto no próximo texto.

Vamos aos destaques selecionados do mês.

Casa Valduga Terroir Raízes Cabernet Franc, Campanha 2013 (BRA)

Este foi aberto com boa expectativa, já que sempre ouvi falar muito bem dessa linha da Casa Valduga, e não desapontou. Mostrou paladar que equilibra muito bem o carvalho, os taninos e a acidez, que são precedidos por um ótimo conjunto de aromas de fruta madura.

Abel Pinchard / Loron & Fils, Beaujolais AOP 2014 (FRA)

Quando me foi solicitada uma garrafa para relaxar no fim de noite acompanhando uma pizza, esta foi a que tirei da adega. Uma excelente escolha, para dizer o mínimo: bem leve, com olfato frutado tímido em meio a toques caramelados, sem peso em boca graças ao perfil tânico macio.

O vinho fez muito bonito na opinião de todos à mesa, e ouso dizer que é o melhor Beaujolais/Gamay que já tive a oportunidade de provar.

Domaine Berthoumieu, Haute Tradition, Madiran AOC 2011 (FRA)

Para iniciar os trabalhos num dos fins de semana prolongados de Abril escolhemos esse blend com 60% Tannat, 30% Cabernet Sauvignon e 10% Pinenc. No nariz chama a atenção pela fruta madura, na taça é um vinho relativamente potente, vivo, medianamente encorpado, que abriu bem após um tempinho no decanter e ficou sedoso em boca.

Miolo Wine Group, Miolo Lote 43, DO Vale dos Vinhedos 2012 (BRA)

Decidimos abrir este clássico da vitivinicultura nacional num raro dia em que a temperatura caiu a um nível em que era possível deixar um tinto encorpado descansando no decanter por bastante tempo.

Corte de Cabernet Sauvignon e Merlot em proporções idênticas, as notas de chocolate e tostado sobre fruta madura precedem o paladar denso, marcado por um amadeirado que finalizou leve ao contrário do que eu esperava.

Herdade das Servas, Vinha das Servas Branco, VR Alentejano 2012 (POR)

Este foi o escolhido na carta do restaurante Mahalo Cozinha Criativa para comemorar o aniversário de quatro anos de casamento e acompanhar pratos à base de lagosta e pirarucu.

Com abacaxi dominando os aromas de frutas tropicais aliados a uma pitada de doçura, em boca se mostrou um vinho amanteigado, de textura já delicadamente evoluída. A composição é de 40% Roupeiro, 30% Antão Vaz, 20% Arinto e 10% Sémillon.

Saúde!

* a garrafa do Raízes veio da loja temporária de Natal da Domno no Pantanal Shopping, o Beaujolais peguei no Empório Delícias do Mar, o Madiran no supermercado Big-Lar, o Lote 43 no site da Miolo e o Vinha das Servas, como mencionado acima, na (superfaturada) carta do restaurante Mahalo.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A importância do Instagram

Quando somos iniciantes no mundo dos vinhos geralmente ficamos meio perdidos com a infinidade de informações sobre o tema.

Comigo não foi diferente.

Lembro-me que imediatamente comprei vários livros, lendo-os avidamente num curto espaço de tempo. Dois deles foram "devorados" durante os turnos da madrugada que peguei nos dias de reforma da loja da minha esposa. Além dos livros, assinei duas revistas sobre vinho, associei-me a um clube que entregava duas garrafas por mês na minha casa e passei a ler tudo o que encontrava sobre o tema na Internet.

E continuei perdido por algum tempo ainda. Ora bolas, ainda estou, mas num grau bem menor de perdimento.

Em meio ao turbilhão de informações desta fase inicial, uma das coisas que mais me ajudou e continua a ampliar meus horizontes é o tal do Instagram. Detalhe: foi por insistência da minha esposa que resolvi criar uma conta.


A primeira foto que publiquei no Instagram data de 19 de Maio de 2015. É esta abaixo, clicada no Varadero Bar e Restô em noite de rolha livre, munido de um Windows Phone de limitadas capacidades fotográficas. Lembro-me que a rolha, ressecada, quebrou na mão do garçom, e que ele teve a bondade de trazer um decanter para tentar se livrar dos resíduos de cortiça que ficaram após sua completa remoção. Ainda surpresos com a situação, foi a primeira vez que estávamos vendo um decanter ser usado.


De lá para cá já acumulei mais de 320 fotografias de momentos enófilos. Também acabei de passar de 500 seguidores, que é mais ou menos também a quantidade de contas que sigo.

Se você é iniciante como eu já fui e deseja ampliar os horizontes vendo fotos e lendo opiniões diversas, distintas daquelas a que estamos acostumados a ver, uma conta no Instagram é uma opção muito interessante. O aplicativo está disponível para todas as plataformas de aparelho celular e permite interação com uma infinidade de redes sociais. Serve muito bem como registro fotográfico de todo tipo, mas nem é preciso publicar nada se você não quiser. Basta encontrar as contas mais bacanas sobre vinho e segui-las para ver o que anda sendo degustado perto de você ou ao redor do mundo.

Tudo bem que tem gente que não escreve muita coisa, mas é cada foto linda que aparece!

Em tempo: o prato da foto acima chama-se "quarteto paulista", vem com quatro tipos de petisco e é super indicado para abrir os trabalhos neste ótimo restaurante.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Destaques de MAR-2017

Março foi um mês bem eclético, porém dominado por Itália, Chile, Argentina e Espanha. Adoro a diversidade em meus vinhos, independente de onde e sob que forma ela venha.

Vamos aos destaques do período!

Weingut Michel, Achkarrer Castellberg Grauer Burgunder Kabinett Trocken, Baden 2014 (ALE)

Começamos o mês com este ótimo Pinot Grigio alemão, que acompanhou uma série de queijos e petiscos diversos. Menos granuloso e de corpo mais etéreo que os exemplares italianos mais famosos, se mostrou aromático e acompanhou bem todas as opções do menu graças à boa acidez.

Podere San Cristoforo, Carandelle Sangiovese, Maremma Toscana DOC 2013 (ITA)

Varietal feito de Sangiovese, muito elegante, perfeito em boca para acompanhar uma lasanha. O perfil aromático remete a frutas vermelhas e um toque de especiaria, ambos também presentes no paladar de taninos firmes, porém finos.

La Recova Vineyard, D Sauvignon Blanc, Valle de Casablanca 2015 (CHI)

A vinícola La Recova cultiva unicamente a Sauvignon Blanc, então acredito ser natural que seus produtos com essa variedade tendam a atingir um nível de excelência maior. Catita também aprovou o vinho, que apresentou no olfato nuances marcantes de pêra e maracujá, seguidas por ótima acidez em boca. Combinação perfeita para mais uma barca de comida japonesa.

Aurelia Visinescu, Artisan Tamaioasa Romaneasca Sec Dealu Mare DOC, Muntenia 2012 (ROM)

Um dos vinhos brancos mais interessantes que tomei nos últimos tempos. Praticamente desconhecida por aqui, a Tamaioasa Romaneasca é uma das mais importantes uvas autóctones da Romênia. Imediatamente ao ser aberto o vinho exibiu notas de flores e tangerina, impressões que são confirmadas em boca juntamente com um pouco de mel, damasco e acidez no ponto. Um branco vibrante perfeito para uma tábua de queijos.

Assim que começamos a degustá-lo havia ainda um aroma que minha esposa tentou identificar mas não conseguia. Recorri ao contrarrótulo e vislumbrei a palavra basil, que em português se traduz como manjericão e foi exatamente de encontro à sua percepção. Como enófilos ganhamos a noite, mas de minha parte confesso que só fui sentir um pouquinho dessa especiaria que amo quando a garrafa estava acabando...

Pitars Cabernet Franc, Friuli Grave DOC 2015 (ITA)

Já há algum tempo tenho tentado me aprofundar mais no universo da Cabernet Franc, uma variedade que acredito ser menos austera porém de maior envergadura que a Cabernet Sauvignon. Com esta garrafa demos adeus a um bom fim de semana. No nariz os aromas são de frutas azedinhas sobre um perfil de especiaria, em boca taninos tímidos e amigável acidez. Um bom vinho por si só, e um deleite quando harmonizado com comida.

Saúde e até a próxima!

* a garrafa da Weingut Michel consegui por meio da Weinkeller, o Podere San Cristoforo é importado pela Miolo, o La Recova veio num pacote da Vinumday e os dois últimos chegaram até mim por meio do clube de vinho da Winelands.

terça-feira, 14 de março de 2017

Compra pela Internet - VinumDay

Foi completamente por acaso, ao fazer uma pesquisa rasteira via Google, que tomei conhecimento do site da Vinumday (http://www.vinumday.com.br). De relance, a proposta de vendas me pareceu muito simples e atraente.

Todos os dias a Vinumday coloca um único vinho à venda, que fica disponível para compra somente naquele dia e enquanto durar o estoque, e cujo preço é comprovadamente inferior ao praticado no mercado. Ao optar pela compra, fica a cargo do comprador se o envio deve ser feito (1) imediatamente, pelo qual se paga uma determinada taxa de entrega, ou se ele deve ser feito (2) posteriormente, ocasião na qual o vinho vai para a chamada "adega virtual" do cliente. De qualquer forma, o pagamento é feito para a compra desse dia.

Na opção (2) os vinhos comprados vão sendo guardados na adega virtual, para envio em lote na data em que o cliente desejar. É aí que vem o diferencial para quem procura valorizar seu rico dinheirinho: assim que o valor dos vinhos acumulados na adega virtual ultrapassa R$ 300 não é cobrada taxa de entrega, regalia que vale para todo o território brasileiro.

Depois de acompanhar os vinhos à venda durante alguns dias resolvi me inscrever e comecei a encher minha adega virtual. Assim que consegui o direito ao frete grátis solicitei o envio no dia 26 de Janeiro. O pacote foi despachado em 3 de Fevereiro e recebido em 13 de Fevereiro. O tempo decorrente entre a solicitação e o envio efetivo está dentro do prazo logístico informado pelo site. Já o tempo de entrega avalio como bom.


Os vinhos chegaram separados em pacotes de duas garrafas, ou seja, recebi os seis rótulos adquiridos em três caixas pequenas.


Bom trabalho de embalagem, com garrafas bem acomodadas e de acordo com as safras divulgadas nas ofertas do site.

Sim, Catita é uma gata aparecidona

No meu primeiro pacote vieram dois italianos, dois sul-africanos, um espanhol e um chileno.

Sobre os preços, que talvez seja o aspecto mais importante e o diferencial da Vinumday, verifiquei que os vinhos são de fato vendidos a um preço inferior aos valores pesquisados na Internet, alguns com descontos menores e outros com reduções substanciais. A variedade de rótulos é interessante, sendo que são ofertados vinhos de várias importadoras e de vinícolas não muito conhecidas pelo grande público, com valores que vão dos R$ 30 a até R$ 200. Ou seja, dá pra arriscar tanto com coisa barata quanto com algo mais incrementado.

VEREDITO FINAL: indico e compraria de novo.

terça-feira, 7 de março de 2017

Destaques de FEV-2017

No meu caso, este foi um mês de Fevereiro não usual para um consumidor regular de vinho em terras tupiniquins. Digo isso porque, basicamente, a esmagadora maioria das garrafas que degustei foram do velho mundo. Do novo mundo, o Sauvignon Blanc sul-africano foi ótimo (como eles sempre são) mas os dois argentinos não se sobressaíram e beiraram o desequilíbrio.

Vamos aos que considerei mais interessantes.

Weingut Thomas-Rüb, Merlot trocken Flonheimer Bingerberg, Rheinhessen 2014 (ALE)

Provavelmente o Merlot de coloração mais pálida que já vi. Não, não é um rosé, até porque nunca vi um rosé feito à base de Merlot. Com olfato de framboesa e rosas, o vinho em questão tem textura ao mesmo tempo leve e estruturada graças aos taninos finos, suportados por ótima acidez. Simplesmente delicioso, me surpreendeu.

Azienda Agricola Randi, Rambëla Extra Dry Vino Spumante, Emilia-Romagna (ITA)

Incluso no último pacote que recebi do clube Vinhos de Bicicleta, este espumante produzido 100% a partir da uva indígena Famoso foi o responsável por iniciar os trabalhos de churrasco de Domingo. Bem seco, porém refrescante e saboroso.

Rambëla é o nome local com que a Famoso vem sendo trabalhada nos últimos anos, após ter sido "redescoberta" pelos produtores da região de Emilia-Romagna. Para se ter uma ideia de sua não-famosidade, não existe até o momento nada sobre esta uva nos arquivos da wine-searcher.com. Mas vai aqui um artigo muito interessante que encontrei no site da Jancis Robinson (em inglês): Famoso - not (yet?) famous.

Domaine des Gillières, Vin de Pays Rosé du Val de Loire, IGP Val de Loire 2015 (FRA)

No mesmo dia em que o espumante de Famoso foi aberto, um amigo trouxe para degustação este rosé da região do Vale de Loire. Bem delicado, sutil e levíssimo em boca, um deleite principalmente no calor do verão. Não sou de destacar a cor dos vinhos que tomo, mas este tem uma belíssima cor na taça.

Se a uva que serve de base para este vinho (Grolleau, que em sua forma nativa é também conhecida por Grolleau Noir) pode ser tomada como indicativo de sua qualidade, definitivamente vale a pena ficar de olho em outras garrafas da mesma região.

 Weingut Reichsrat Von Buhl Riesling, Pfalz 2014 (ALE)

Uma ótima barca de comida japonesa exige um vinho à altura, e esse Riesling não desapontou. Mineral no olfato e no paladar, com notas de orvalho matinal, abacaxi e cítrico suportadas por boa acidez. Foi uma harmonização vencedora.

Edoardo Miroglio, Saint Ilia Estate Merlot & Mavrud, PGI Thracian Valley 2011 (BUL)

Um blend búlgaro relativamente maduro e de boa tipicidade em boca, com taninos macios e muita personalidade. Se a tendência continuar, vou passar a considerar os Merlots búlgaros os melhores do mundo. Tudo bem que a autóctone Mavrud entra no corte desta garrafa, mas para mim o vinho gritou Merlot do início ao fim, tendo sido degustado vagarosamente enquanto eu lia a primeira metade da saga Vórtice Negro (Marvel, Guardians of the Galaxy + All-New X-Men).

Detalhe interessante 1: o fundo da rolha saiu forrado com aqueles cristais de ácido tartárico, eu curti.

Detalhe interessante 2 (pescado numa página da wikipedia): especula-se entre alguns produtores da Mavrud que ela seria na verdade um antigo clone da Mourvèdre, introduzida na Bulgária pelos romanos séculos atrás.

A rolha do Saint Ilia Estate Merlot & Mavrud

Saúde e até a próxima!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Vinhos para o dia a dia, honestos, fáceis de beber

Existem algumas expressões largamente utilizadas no universo do vinho que me causam estranheza, para não dizer desgosto. Uma delas é a que dá início ao título desta postagem.

O vinho para o dia a dia, como muitos gostam de dizer e escrever.


O que é um vinho para o dia a dia, afinal?

É um vinho que pode ser consumido com as refeições? Nos dias de semana, a qualquer momento? Nas ocasiões carentes de pompa? Em copos de plástico ou americanos? Acompanhando um canapé, um bolinho de macaxeira, um bauru com o dobro de queijo, um pote de uvas passas, um pequi bem cozido, um pão seco, uma geleia de araticum?

O que vem à minha mente sempre que vejo pessoas trazendo à tona essa famigerada expressão é que o vinho para o dia a dia nada mais é que um vinho baratinho, desses que pode ser buscado em cinco minutos ali no mercado da esquina. Será isso mesmo? É preciso colocar as coisas em perspectiva, uma vez que o que é barato para mim pode não ter a mesma classificação para os outros e vice-versa. Vide Neymar e seu já famoso Vega Sicília Único safra 1976, por exemplo.


Se eu cagasse dinheiro e usasse notas de 100 dólares para limpar o nariz e a bunda, como Carrey e Daniels fazem numa cena daquele filme dos irmãos Farrelly, meus vinhos para o dia a dia poderiam incluir diversas safras de Vegas Sicílias, Pêras Mancas, Opus Ones, Sassicaias, Pétrus e os mais diversos Grand Crus franceses.

Mas não é esse o caso. E não será o caso nem se eu puder heptuplicar meus rendimentos ou ganhar na megassena, porque não sou louco e nem estou disposto a alimentar um mercado tão restrito (existe ainda a casta dos colecionadores, que coisa!). Em contrapartida, também me recuso a me encaixar naquela vasta categoria de consumidores que são muito felizes no seu dia a dia com Chapinha, Sangue de Boi e os mais diversos coquetéis compostos.


Enfim, o que quero dizer é que todos os vinhos que tomo são para o (meu) dia a dia. Mas não é por isso que vou sair por aí falando isso deles. O dia a dia já ocorre por default. Está implícito.

Aproveitando o ensejo, vejamos também a percepção que me causam alguns adjetivos que costumam acompanhar a expressão acima. Como “honesto” ou “fácil”.

Este é um vinho para o dia a dia, honesto, fácil de beber.

Honesto? Ah, finalmente, agora sim! Estamos falando do vinho barato (não o barato no sentido ligeiramente pejorativo da palavra / cheap, não inexpensive), o vinho "correto" que por atender às limitações de nosso poder aquisitivo qualifica-se também como vinho para o dia a dia.

E se for honesto e fácil, então? Um vinho que vale o que custa e, como uma Skol, deve descer redondo?

O problema é quando o danado do vinho é desonesto e difícil... Seria este um vinho desequilibrado? Pode haver sim muita variação de uma garrafa para outra, mas na minha opinião um vinho é difícil de beber somente quando ele não satisfaz meu gosto, pronto. Sucos de madeira são terríveis, mas tem gente que não se sente à vontade bebendo outra coisa. Independente de preferências, o que não gosto mesmo é quando o caboclo fala que o vinho é fácil de beber porque é branco (a.k.a. vinhos de moça). Até concordo em atribuir o termo a vinhos de baixo teor alcoolico e corpo leve, independente da cor ou do tipo de uva. Estes descem mais fácil mesmo, né?

E os vinhos desonestos? Desonesto é o vinho que não vale o que custa, é isso? Todos sabemos o quanto é decepcionante gastar mais do que achamos factível num vinho que daqui a alguns meses pode não ser tudo o que esperamos dele. Mas raramente você vê gente por aí falando que certo vinho é desonesto, o que se vê é que tal vinho não vale o que custa.

O que fazer para fomentar a honestidade então? É simples. Se você tem medo, não gaste seu rico dinheirinho com essas coisas superfaturadas, infladas por longevas e bem-sucedidas campanhas de marketing, que não entregam nada a mais que os exemplares de menor custo.

Olhe lá, se você tem condições não há absolutamente nada de errado em encher a adega com garrafas acima de R$ 300. O dinheiro é seu, ora bolas. Em qualquer caso a realidade é cruel para todos, ou seja, quanto mais cara a garrafa maior é o risco de nos depararmos com um vinho desonesto.


Se eu cagasse dinheiro pouco estaria me lixando se aquele vinho de mil reais fosse uma merda. Gente podre de rica que bebe seus vinhos não dá a mínima se um vinho é ou não honesto. O risco para eles não existe.

Em contrapartida, na nossa realidade tudo acaba mesmo sendo baseado em risco: o terror dos enófilos de carteirinha e o medo dos que bebem casualmente. Só não se preocupa com isso o tiozinho que vai ao mercado da esquina no Sábado à tarde buscar o vinho de Domingo.

Quanto à minha relação com o risco, tudo o que posso dizer é que às vezes entro numa loja de vinhos me sentindo "aventureiro". Bem às vezes. E somente para uma garrafa.

Termino essa postagem dizendo que vocês jamais me verão escrevendo ou dizendo que tal vinho é honesto, fácil de beber, feito para o dia a dia. Se eu tiver cometido tal deslize peço que primeiramente me desculpem, e em seguida me apontem o local e a data porque vou lhes enviar um brinde.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Destaques de JAN-2017

Eu bem que gostaria de continuar a fazer postagens dedicadas para determinados vinhos, já que adoro conhecer um pouco mais a fundo a história das vinícolas que produzem as garrafas que ficam na memória. Infelizmente, o tempo tem sido muito escasso e não tenho estado em condições de fazer as pesquisas que considero necessárias.

Para não ficar no limbo e manter este espaço em atividade, vou estar fazendo postagens mensais com os cinco vinhos mais interessantes que tiver provado no período, pontuando as experiências e ocasiões que valem a pena ser lembradas de maneira resumida.

A ordem adotada a seguir é cronológica, as notas de degustação altamente subjetivas e os efeitos colaterais 100% verdadeiros.

Château Gravas, Sauternes AOC 2010 (FRA)

Meu primeiro Sauternes! Já na primeira lufada de aromas percebe-se que este é um vinho de classe, que lembra muito damasco maduro, caramelo, nozes e mel. Fantástica sensação em boca, confirmando que é sim possível combinar doçura e acidez num vinho. Esta meia-garrafa foi produzida 100% com uvas Sémillon.

Um detalhe interessante sobre minha experiência com este vinho é que acabei quebrando as duas únicas taças de sobremesa que eu tinha. A primeira foi devido a um acidente que inclusive derramou Sauternes sobre o teclado do notebook que estou usando neste exato momento para escrever a postagem... A segunda foi culpa da Catita, que passou correndo pela taça depois que eu a deixei ao lado do sofá no chão e me esqueci de recolhê-la durante a madrugada. :D

Trambusti, Zipolino Toscana IGT 2015 (ITA)

Às vezes encontramos verdadeiras surpresas em locais insuspeitos, como no caso desse humilde tinto toscano, recebido numa das seleções do clube Vinhos de Bicicleta. Composto por 95% de Sangiovese com o restante não especificado, na taça se mostrou delicioso, com o perfil esperado de frutas vermelhas no olfato e muito equilíbrio em boca, em melhor harmonia que muitos exemplares de estirpe supostamente superior. Poderia ter sido degustado sozinho, mas acompanhou muito bem uma pizza uma hora mais tarde.

Alfredo Roca Pinot Noir, Mendoza 2015 (ARG)

Em nossa primeira visita acompanhados de minha princesinha ao Di Parma, um dos nossos restaurantes favoritos, escolhemos este vinho da carta para acompanhar o almoço. Um Pinot adorável, com aromas de cereja e ameixa precedendo textura delicada. Foi harmonizado com o indefectível escalopinho de filé com talharim ao molho gorgonzola, um favorito meu.

E olha a minha bebezinha do lado de lá da taça, que coisa mais linda!

Vinprom Haskovo, Merlot from Stambolovo AOC, Thracian Lowlands 1992 (BUL)

Levei esta garrafa para ser degustada em noite de reunião de confraria. Tivemos um breve susto quando ela foi aberta pois a rolha estava quase completamente encharcada, mas felizmente o vinho estava muito vivo apesar da idade avançada. Um Merlot de excelente textura em boca, ataque sutil e taninos finos. Uma ótima experiência que não custou o rim de ninguém.

Maison Trimbach, Trimbach Riesling Alsace AOC 2010 (FRA)

A semana tinha sido difícil, e uma das melhores maneiras que conheço de tornar uma barca de comida japonesa ainda melhor é abrindo um bom Riesling para acompanhar. Mineral, sedoso e perfumado, este mostrou ainda um leve toque azedinho que casou perfeitamente com nossa opção de jantar.

E por enquanto é só. Saúde!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Minhas estatísticas enófilas para 2016

Findo o ano de 2016, achei que seria interessante jogar uma lupa sobre ele e ver como se comportou minha rotina enófila. Já estava na hora de dar um uso mais interessante àquela planilha de anotações gerais.

Sem mais delongas, vamos aos gráficos que separei com base nos vinhos degustados.

2016 | Distribuição por países

Pois bem, o país de onde mais degustei vinhos em 2016 foi a Argentina com 29 exemplares, seguida de perto pelo Chile (28) e pela Itália (27). Considerando que eu tenho tentado provar mais vinhos do velho mundo, esse resultado se deve praticamente às garrafas abertas a partir de cartas de restaurantes, a mesma coisa ocorrendo com o Chile. A Itália vem em terceiro porque é de lá que vêm os meus vinhos preferidos.

Não fosse a interrupção de nossas visitas a restaurantes em Outubro devido ao nascimento da minha filha, aposto que os hermanos estariam ainda mais isolados na liderança. Quanto aos demais países, sua representatividade foi mais ou menos como eu esperava. Em 2017 espero dar uma ênfase ainda maior aos vinhos do velho mundo, em especial os alemães e os da Europa oriental.


2016 | Distribuição por tipo de vinho

Sem muitas surpresas quanto ao gráfico acima, com exceção talvez dos espumantes tendo mais participação que os rosés. Foram 64% de tintos e 28% de brancos, será que estou na média de divisão de consumo?


2016 | Somente varietais (mínimo 85%)

Em se tratando de vinhos varietais, confesso que a Cabernet Sauvignon (12,1%) foi uma surpresa pra mim. Mas daí é possível ter uma ideia de quanto essa uva é predominante em nosso mercado, visto que por mais que ela não seja a minha favorita eu acabo gravitando em torno dela nas mais variadas situações de degustação. Minha favorita Sangiovese ficou em terceiro (8,1%), atrás da esperada Chardonnay (10,5%).

Uma surpresa menor foi ver a Tannat em quinto lugar, o que se deve obviamente ao tema do segundo encontro da Confraria Tênis e Vinho MT.

Não cheguei a fazer um gráfico levando em conta somente os blends, mas o país que ganhou disparado nessa categoria foi Portugal, que teve o mesmo tanto de garrafas de Espanha e França somadas. O que faz total sentido, uma vez que a esmagadora maioria dos vinhos lusitanos é produzida utilizando várias parcelas das uvas autóctones do país.

E os leitores, conseguiram ser fieis ou não às suas preferências?

Um abraço a todos e saúde!