quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Destaques de SET-2017

Por vários motivos a correria está muito grande esse mês, mas isso não significa que vou privar meus dois leitores da amostra mensal dos top 5.

Pois ei-los aqui, selecionados a partir das degustações de Setembro!

Weingut Becker Landgraf, J2 Gau-Odernheimer Riesling trocken, Rheinhessen 2012 (Alemanha)

🍷 Decidimos preparar uma rodada de aperitivos para acompanhar o início da 4a. temporada de Agents of SHIELD na Netflix, e para harmonizar com o momento abrimos esse Riesling alemão maduro, aveludado, perfumado e elegante.

Adega Coop. Ponte da Barca, Estreia Grande Escolha Loureiro Vinho Verde DOC 2016 (Portugal)

🍷 E olha a gente de novo diante de mais alguns episódios de Agents of SHIELD... O vinho verde em questão, 100% feito a partir da casta Loureiro, é refrescante, cítrico, seco, perfeito para acompanhar uma boa conversa e uma boa barca de comida japonesa.

Bodega Familia Schroeder, Saurus Malbec, Patagonia 2015 (Argentina)

🍷 Fazia muito tempo que não tomávamos um Malbec típico. Este, produzido na região vinícola mais fria da Argentina, se mostrou potente e suculento com uma veia frutada aliada a taninos salientes e boa acidez, o que é sempre bem-vindo nos exemplares mais encorpados do novo mundo.

Freixenet Carta Nevada Semi-seco Premium Cava DO (Espanha)

🍷 Perfumado e frutado, está aqui um espumante simplesmente delicioso, feito a partir das castas mais características da DO Cava (Macabeo, Xarel-lo e Parellada). Serviu maravilhosamente como aperitivo para um bom papo.

Quinta dos Ingleses, Vinha dos Ingleses Espadeiro Vinho Verde DOC 2015 (Portugal)

🍷 Eis uma garrafa que comprei por impulso, basicamente porque é um vinho verde rosé feito com uma variedade de uva que eu ainda nunca tinha provado. O caldo de corpo leve tem aquele delicado aspecto frisante que marca alguns vinhos dessa procedência. Refrescante e aromático (morango, tangerina), tem final muito agradável e foi absoluto sucesso acompanhando uma tábua de queijos.

* O Freixenet foi um dos presentes de aniversário que ganhei da minha esposa, o Riesling alemão peguei na adega do supermercado Big Lar, o Estreia Loureiro veio do supermercado Extra e tanto o Saurus quanto o Vinha dos Ingleses adquiri na unidade da Viña Bebidas Finas no Jardim das Américas.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Abaixo o Decanter?

Este texto é uma elucubração que tenta desmistificar o papel do decanter como item essencial a um enófilo.

Sim, essa jarra estranha de vidro ou cristal que soa como frescura desse povo que se diz entendido em vinho, mas na verdade é mais um trambolho que só serve pra ocupar espaço na prateleira.

Seguindo a linha de pensamento que tenta simplificar o ato de tomar vinho, algo que tem o nobre propósito de atrair novos adeptos e facilitar a compreensão de quem está começando a se interessar pelo assunto, quero abrir aqui um parênteses e propôr duas indagações que surgiram, inicialmente, quando comprei um garrafa de Sauvignon Blanc jovem, daqueles bem límpidos e que devem ser tomados geladinhos.


Enfim...

Para minha surpresa, ao fotografar o rótulo e o contrarrótulo antes de mandar a garrafa do Sauvignon Blanc mencionado acima para a adega, tomei um susto com a quantidade de partículas suspensas dentro do vinho. Não era algo irrisório, mas sim uma volume razoavelmente preocupante de partículas que poderiam ser de qualquer coisa, como restos de mosto vínico, rolha em decomposição ou pura e simples sujeira.

Tirando o fato de que isso soa extremamente preocupante para um vinho tão jovem, produzido sem frescuras (é devidamente filtrado) e que não deveria apresentar sedimento algum em seu curto ciclo de vida, desde então fiquei matutando sobre o que faria ao abrir a garrafa (ainda não o fiz).

Seguindo a cartilha clássica encontrada em qualquer papiro enófilo, de início pensei em deixar o vinho na vertical por um tempo e só então abri-lo com cuidado, fazendo a transferência do líquido para um decanter.

Então ocorreu-me que usar o decanter num vinho tão jovem, que não necessita de aeração, seria um claro desperdício de tempo e esforço. E aí tive um estalo.

Por que usar um decanter para separar sedimentos quando eu posso simplesmente filtrar o vinho com um funil adequado?

Ora bolas, se eu preciso me livrar de borras, sedimentos ou sujeira por que eu me daria a todo o trabalho que envolve um decanter? Desde de esteja limpinho, um filtro ou coador com área de filtragem adequada faz a mesma coisa de maneira mais eficiente, seja para vinhos jovens ou para vinhos velhos. Aí é só depositar o líquido numa jarra e retorná-lo pra garrafa em seguida, pronto.

Por que usar um decanter para aerar um vinho se eu posso simplesmente chacoalhá-lo bem ainda na garrafa ou usar um daqueles aeradores acopláveis?

A área de contato maior do vinho com o ar dentro de um decanter serve para aumentar seu contato com o oxigênio, evaporando o álcool mais rapidamente e liberando os aromas subjacentes. No caso de aeradores, seu propósito seria o de acelerar esse processo por meio do "turbilhonamento" do líquido.

Pensando de maneira extremamente prática, oxigenar um vinho e liberar aromas é algo que pode ser feito simplesmente chacoalhando a garrafa após abri-la e deixando o vinho respirar na taça depois de servido. O resultado seria o mesmo, além de ser mais rápido e evitar todos os contratempos de controle de temperatura relacionados ao uso do decanter.


Obviamente não vou me desfazer dos meus dois decanters. Porém, cada vez mais me convenço de que com exceção do garbo que acompanha o correto uso de um decanter à mesa, que para a plateia leiga soa mais como afetação do que algo realmente útil, este item pode ser sumariamente substituído por objetos ou procedimentos mais simples.

Estarei sendo herético diante da sagrada instituição enófila?
Ou simplesmente estúpido?

Sintam-se à vontade para concordar, discordar ou me mandar um vinho de presente.

sábado, 9 de setembro de 2017

Destaques de AGO-2017

Que mês quente foi Agosto!

Ramón Roqueta Macabeo / Chardonnay, DO Catalunya 2014 (Espanha)

🍷 Se há algo do rótulo extremamente expositivo com o qual concordo é o aspecto floral dos aromas em meio a orvalho matutino. Ótimo vinho, foi uma grata surpresa. Em boca é muito equilibrado, daqueles que você precisa ter cuidado para que a garrafa não vá embora muito rápido.

Casas del Toqui Barrel Series Reserva Sémillon, DO Valle de Cachapoal 2016 (Chile)

🍷 Última garrafa de um Domingo em que tivemos visitas queridas para o almoço, este varietal incomum é meu primeiro 100% Sémillon seco. Sutil, delicado, refrescante e no geral muito equilibrado, o estágio em madeira não interfere de forma alguma no ótimo frescor mas deixa o vinho em ponto de bala para acompanhar pratos como o risoto de bacalhau preparado por minha esposa.

Mommessin, Beaujolais Rosé 2014 (França)

🍷 Comprada num saldão de promoção da wine.com, esta foi a garrafa que com certeza mais se sobressaiu. Tímido no olfato como esperado para um rosé, porém dotado de vívidas nuances de morango e framboesa no paladar mineral. Há que se elogiar também a bonita cor/textura deste belo e baratinho Gamay, que confere elegância a qualquer taça.

Duca Di Salaparuta / Cantine Florio, Vecchioflorio Marsala Superiore Dolce DOP, Sicilia 2013 (Itália)

🍷 Minha esposa queria os ingredientes originais para preparar um tiramisu, então finalmente foi chegada a hora de conhecer um tipo diferente de vinho fortificado, produzido a partir das castas italianas Grillo e Catarratto. Por trás da designação de cor "âmbar" trata-se de um néctar espesso, opulento e maduro com dulçor dominado por caramelo e mel. Além do próprio tiramisu, servido após o bacalhau do Sémillon mais acima, o vinho foi ainda muito bem harmonizado com chocolate, torta alemã, doce de casca de laranja e sessões de vídeo-game. Álcool em 18%.

Cavino, Nemea Reserve PGI, Peloponessos 2011 (Grécia)

🍷 Um caldo austero de corpo médio, boa acidez e taninos salientes, maduro no olfato e levemente acarvalhado no paladar, produzido a partir da uva grega Agiorgitiko. Mostrou-se potente sem ser agressivo, eu poderia tê-lo tomado sozinho apesar dele pedir harmonização com comida.

* O Ramón Roqueta foi adquirido por meio do site da Vinhoteca, o Casas del Toqui veio pela Vinumday, o Beaujolais Rosé via wine.com, o Cavino do clube Winelands e o Marsala comprei na nova unidade do supermercado Big-Lar, recentemente inaugurada no Jardim das Américas.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Eu lá quero saber de uva, eu quero é beber!

Esses dias atrás a conversa na empresa saiu do tradicional papo sobre a cervejinha do fim de semana, e um colega mencionou que na noite anterior tinha visitado um amigo que era "entendido" em vinhos.

Quando ele começou a contar como tinha sido a noite fiquei animado, e até arrisquei em perguntar que tipo de vinho eles tinham tomado ou que tipo de uva ele mais tinha gostado, principalmente quando foi descrita a pompa com que o anfitrião serviu os vinhos.

A resposta foi mais ou menos assim:

– Eu lá quero saber que uva era, rapaz, eu quero é beber, eu quero é me alcoolizar!

É por essas e outras que não faço mais questão de tentar convencer as pessoas conhecidas a apreciar bons vinhos, da maneira como os bons vinhos merecem ser apreciados. E sinto uma pontada de vergonha por ter provavelmente estado na mesma situação desse pobre anfitrião em algum momento no passado.


Francamente, tem gente que merece mesmo é tomar vinho de garrafão até morrer. Do mesmo jeito que se entope de Skol e Itaipava todo fim de semana.

sábado, 5 de agosto de 2017

Destaques de JUL-2017

O mês de Julho começou meio fraco por conta de uma lombalgia aguda que tive ao brincar inocentemente com minha bebê, que fez com que eu tivesse que tomar medicação por alguns dias.

Mas foi só os remédios acabarem que voltei à ativa. :)

Cavino PGI Naoussa, Macedonia 2014 (Grécia)

🍷 Minha primeira experiência com a uva Xinomavro. Dado o que já tinha lido sobre ela eu esperava um caldo mais forte e encorpado, o que não foi o caso. Este foi um vinho até delicado, com taninos redondos no paladar de corpo leve e toque sutil de especiarias, precedido por olfato dominado por sensação de framboesa. Muito bom para ser tomado sozinho, ou no nosso caso acompanhando uma tábua de queijos macios.

Gimenez Mendez Alta Reserva Malbec Rosé, Canelones 2014 (Uruguai)

🍷 Os rosés de Malbec continuam a me deixar muito contente. E cheguei à conclusão que harmonizam maravilhosamente com comida japonesa. Esta garrafa se mostrou leve, refrescante, ligeiramente frutada nos aromas e de taninos praticamente ausentes, o que de cara exclui a possibilidade de final com amargor presente em muitos rosés.

Solar das Bouças Loureiro, Vinho Verde DOC 2014 (Portugal)

🍷 Já tinha provado varietais de Loureiro no passado, mas esse é com certeza o melhor até o momento. No olfato lembra lichia e melão, além de exalar um pouco de suavidade adocicada. Já em boca ele é seco porém untuoso, com traços de abacaxi e limão, uma acidez presente sem ser pronunciada.

Weingut Michel, Munzinger Kapellenberg Spätburgunder trocken, Baden 2013 (Alemanha)

🍷 Espetáculo de Pinot Noir. E esta garrafa estava no auge mesmo, acho que se tivesse esperado um pouco mais correria o risco de pegá-la em declínio. Vinho exuberante de paladar picante e envolvente, sensação que sucede o olfato maduro de cereja, especiaria, notas terrosas e café. Sozinho já estava excelente, com um risoto de queijo então...

Cantina di Castelnuovo del Garda, Cà Vegar Bardolino Classico DOC, Veneto 2015 (Itália)

🍷 É preciso admitir que a harmonização foi infeliz, pelo menos para metade da pizza. Pepperoni é muito forte para um blend leve como o Bardolino, neste caso composto por Corvina, Corvinone e Rondinella. Independente disso, as taças que provamos antes da pizza chegar foram uma delícia. Aromas bem delicados de cereja e framboesa, com corpo igualmente leve mais taninos domados, acidez média e textura cativante. Já tomei nota para harmonizar melhor minha próxima garrafa de Bardolino.

* Os vinhos desta leva foram todos adquiridos via Internet: o Cavino, o Gimenez Mendez e o Bardolino vieram pela Winelands (os dois primeiros no clube, o último em compra avulsa), o Loureiro comprei na wine.com.br e o Spätburgunder na Weinkeller.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Carmim, Olaria Tinto Suave 2015 (Portugal)

Vinho: Olaria Tinto Suave
Safra: 2015
Região/Categoria: Vinho de Mesa
País: Portugal
Vinícola: Carmim (www.carmim.eu)


Há mais ou menos um ano atrás postei aqui mesmo sobre a experiência de pedir o vinho Olaria Tinto em taça, no caso durante uma de nossas sempre agradáveis visitas ao Madero Steakhouse.

Num misto de desinformação e também graças às mazelas do mercado de vinho nacional, saí do restaurante com um mistério na cabeça: se o Olaria distribuído no Brasil é rotulado como um vinho suave, por que minha percepção sobre ele foi a de um vinho extremamente seco e algo tânico, completamente diferente da ideia que todos nós possuímos de como deve ser um vinho suave?

Pois bem, esses dias atrás fiz a prova dos nove. Passei no mercado e levei para casa uma garrafa do Olaria Suave 2015.

O resultado me surpreendeu.

Grupo Carmim

Atuando na região do Alentejo, o Grupo Carmim é formado por três empresas, sendo a principal delas a Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz), fundada em 1971 por um grupo de 60 viticultores e que hoje conta com com cerca de 850 associados. Completam o grupo a Monsaraz Vinhos SA, responsável por toda a comercialização e distribuição no canal Horeca, e a Enoforum, empresa que cuida da exportação do grupo, atualmente feita para mais de 34 países.
Horeca (também HoReCa ou HORECA) é uma abreviação silábica para as palavras Hotel/Restaurant/Café, usada na Europa para uma ampla gama regulatória sobre a indústria de hoteis, bares, restaurantes e serviços relacionados (como o catering).
Acredito que quase todas as principais marcas da Carmim têm presença no Brasil, distribuídas por aqui pela importadora Porto a Porto.


O Vinho degustado: Olaria Tinto Suave 2015

Categorizado como vinho de mesa (sem especificação de região de origem), este Olaria é de fato suave, mas não suave como os suaves brasileiros com gosto de xarope adocicado. Elaborado a partir das castas Castelão (35%), Tempranillo (35%) e Trincadeira (30%), exibe aromas de fruta bem madura, e em boca tem certo corpo em meio à doçura não excessiva. Não chega a ser enjoativo, mas fica mais palatável quando bebido sozinho, sem acompanhar comida, a uma temperatura mais baixa.

E agora, José?

Existe uma explicação simples para a diferença de paladar observada entre a taça que provei um ano atrás e a taça mais recente. Minha percepção não me enganou afinal.

O vinho de antes era de fato seco, e o de agora "suave".

A razão para isso é que no restaurante a taça devia ser proveniente do Olaria Tinto bag-in-box, que não traz nada de suave em seus dados técnicos e deve corresponder ao Olaria Tinto original cujos dados estão publicados no site do Grupo Carmim. A distinção entre o seco e o suave é inclusive corroborada ao acessar as páginas do Olaria Tinto bag-in-box e do Olaria Tinto Suave no site da importadora (não existe a opção de vinho seco em garrafa).


Adicionalmente, se eu tivesse prestado mais atenção teria notado que em nenhum momento a carta do restaurante mencionava o termo "suave".

Fica, portanto, esclarecido o motivo da diferença. E também fica a dica a todos que decidirem provar uma taça do Olaria em restaurantes, visto que ele parece ser figurinha fácil em seções de vinhos por taça. Pelo menos por aqui.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Destaques de JUN-2017

Das garrafas que abrimos em Julho, a grande surpresa foi que a maioria dos destaques ficou a cargo de vinhos brasileiros. E nem parecia que ia ser assim, visto que logo no início do mês os nacionais apareceram em roupagem suave, como desejado pelas ilustres visitas que recebemos.

Mas esse é o barato do mundo do vinho. Nunca se sabe de onde virão as garrafas que realmente são capazes de deixar uma história a ser contada no futuro.

Fante, Cordelier Equilibrium, Serra Gaúcha 2013 (BRA)

Blend de parcelas não declaradas de Cabernet Sauvignon, Merlot e Ancelotta, este foi o vinho escolhido para acompanhar um churrasco de Domingo. Delgado e elegante em boca com boa carga de taninos, ficou excelente depois de um tempo em taça, fazendo jus ao nome já que contava também com elegante acidez.

Donoso Group, Domaine Oriental Reserva Chardonnay, DO Valle del Maule 2015 (CHI)

Confesso que no início parecia que este vinho seria mais um daqueles Chardonnays sem personalidade excessivamente carregados na madeira. Mas eu estava enganado. Sim, o carvalho tinha boa presença em boca, com nuances tostadas e fortes traços de coco, porém o vinho se mostrou maduro sem ser pesado. Foi uma boa maneira de lembrar do que os vinhos brancos são capazes de mostrar em matéria de textura.

Vinícola Perini, Osaka Culinária Japonesa Sushi Wine, Serra Gaúcha / Vale Trentino 2015 (BRA)

Depois de muito olhar para essa garrafa em minhas andanças nos supermercados, finalmente decidi arriscar. E não é que o vinho agradou mesmo? Corte de Merlot e Cabernet Franc desenvolvido especialmente para ser harmonizado com comida japonesa, ele cumpre bem seu objetivo. No olfato as nuances de frutas vermelhas são leves, em boca a sensação é de fraco dulçor, com bons níveis de frescor e acidez. Realmente uma boa harmonização para comida japonesa.

Boscato Vinhos Finos, Boscato Cave Cabernet Franc, Serra Gaúcha / Nova Pádua 2013 (BRA)

Algumas pessoas já tinham me comentado sobre a qualidade dos produtos da Boscato, mas ainda assim esse Cabernet Franc me surpreendeu. Vinho fantástico, com aromas e paladar que lembram cerejas e amoras, taninos macios, muito equilibrado, simplesmente delicioso por si só ou acompanhando comida.

Real Companhia Velha, Royal Oporto Tawny 10 Anos, Douro (POR)

Para finalizar um almoço de família no dia de meu aniversário, abrimos essa garrafinha de 200 ml para acompanhar uma torta de paçoca (diet) preparada por minha esposa.

A combinação foi divina. Caramelo, mel e damasco maduro são os principais descritores tanto no olfato quanto em boca, num caldo viscoso e que no alto de seus 20% de teor alcoolico não afetou ninguém. Como a garrafa foi fechada em 2009 a rolhinha estava quase toda encharcada, mas o vinho estava impecável. Não há informação de castas usadas, apenas é divulgado que as uvas provêm de "vinhas velhas".

* comprei o Cordelier no Estradeiro (uma lanchonete/restaurante de beira de estrada na saída de Jaciara!), o Perini Rosé no supermercado Comper do CPA II e o Royal Oporto num dos supermercados Big Lar. Já o Domaine Oriental chegou num pacote do clube Winelands, enquanto o Boscato veio pela Vinumday.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Quando o vinho está morto

Esta postagem não é sobre vinhos ruins, mas sobre vinhos que estão ruins. Há uma grande diferença aí.

Considerando que em minha curta carreira enófila já acumulei uma pequena cota de vinhos mortos ou semi-mortos, e que nos últimos meses me deparei com algumas garrafas que se enquadraram nessa infeliz categoria, acho que já posso registrar aqui no blogue algumas observações pelas quais vale a pena se guiar no futuro.


Primeiramente, por que um vinho morre?

Partindo da fonte, pode-se considerar como morto o vinho que está muito ruim antes mesmo de ir ao mercado. Estes casos, porém, geralmente estão aliados às circunstâncias de contaminação das rolhas pelo fungo TCA, e aí não há muito o que se fazer do lado de cá da cadeia de consumo a não ser alertar o produtor.

Saindo da fonte, assim que o vinho chega ao mercado começa seu ciclo de vida, e é a partir daí que um conjunto de fatores extremamente importantes passa a influenciá-lo. Todos os vinhos vão morrer um dia, mas eles definitivamente morrerão mais rápido se forem expostos a:
  1. Variações bruscas de temperatura, em especial a exposição a altas temperaturas (cozimento);
  2. Umidade inadequada (baixa demais leva ao ressecamento da rolha, alta demais pode possibilitar a proliferação de fungos);
  3. Exposição demasiada à luz;
  4. Movimentação excessiva da garrafa;
  5. Envelhecimento natural do vinho, que depende da combinação de elementos como teor alcoolico e nível de taninos.
Listei as causas acima em ordem de importância, ou seja, na minha opinião o pior inimigo de um vinho é o cozimento.

Fontanafredda, Barbaresco DOCG 2007 (ITA)
O vinho estava absolutamente morto já no olfato, que era capaz de induzir náusea

Hoje eu sei, por experiência de inúmeras garrafas degustadas, que certos vinhos que tomei não estavam dentro de suas características ideais provavelmente por situações de cozimento ou pseudo-cozimento, porém a polidez não me permitiu exteriorizar as impressões da melhor maneira na época. Felizmente a experiência nos traz um maior nível de discernimento, ou seja, eventualmente ela nos torna mais conscientes. Ou cínicos, depende do ponto de vista.

A única certeza que temos, como enófilos cuidadosos que somos, é que assim que as garrafas entram no conforto de nossa casa/adega elas são tratadas com todo o carinho. O difícil é saber onde elas andaram e com quem ficaram desde o momento em que suas caixas saíram do depósito do produtor...

Como sabemos que o ser humano ainda é o elo mais fraco de qualquer processo industrial do qual faça parte, a qualidade do vinho que chega às nossas mãos é sempre, sempre responsabilidade de alguém: uma equipe de estoquistas que não fazem a mínima ideia de como e onde armazenar os vinhos, uma transportadora com motoristas que deixam a carga descansar ao sol ou desligam a refrigeração durante o transporte porque acham que vinho não é perecível, gerentes que desconhecem técnicas de venda e não compreendem o conceito de safra, pessoas desatentas sempre que há mudanças substanciais em locais de armazenamento, etc.

Bodegas Muga, Muga Blanco DOCa Rioja 2012 (ESP)
Na minha opinião o vinho estava bastante evoluído e em franco declínio, mas segundo minha esposa ele estava passado; para mim não estava imbebível, então serviu ao menos como experiência

Cautela ainda é a melhor maneira de nos precavermos contra eventuais desilusões em nossas degustações. Anoto, portanto, algumas dicas básicas para reduzir riscos e evitar surpresas:
  1. Adquirir sempre as safras mais recentes possíveis. Para tintos até seis anos de idade é razoável, para brancos três anos, contados sempre a partir do ano anterior. Vinhos de reconhecida longevidade extrapolam esses limites (ícones bordaleses e Rieslings alemães, por exemplo). No caso de vinhos jovens e de entrada, o sinal amarelo deve ser ligado ao se deparar com rótulos e cápsulas deteriorados ou vinhos com coloração visivelmente evoluída.

  2. Em situações onde os vinhos são expostos na vertical, jamais pegue a garrafa que está mais à mostra na prateleira. Estique o braço e pegue uma que está lá no fundo, mais protegida da luz. Em muitos casos as safras mais recentes também ficam por lá, escondidas enquanto as mais antigas são expostas e vendidas primeiro.

  3. Se é para arriscar numa safra mais antiga, que o faça com um revendedor qualificado, como lojas especializadas ou vendedores que se dispõem de antemão a reembolsá-lo em caso de garrafa perdida.

  4. Se a garrafa que chega até a mesa num restaurante é muito antiga, pergunte se há uma safra mais recente. Ou esteja preparado para se deparar com uma surpresa.

  5. Adegas climatizadas são bacanas, mas na falta de uma basta um cantinho da casa com um armário tranquilo, de reduzido acesso, onde seja possível guardar as garrafas com rolha na posição horizontal. Ou um móvel simples com alguns nichos onde não ocorra em nenhum momento a incidência direta/indireta de luz solar (esse da foto mandei fazer para ocupar o espaço sob a escada).

  6. Vinho só se guarda em geladeira por um dia ou por algumas horas antes de ser servido, caso seja desejada uma temperatura mais condizente com a ocasião.

  7. Vinhos sem safra declarada devem ser consumidos o mais rápido possível.

Botter, Caleo Montepulciano D'Abruzzo DOC 2014 (ITA)
Apagado e ligeiramente passado no olfato, inerte em boca; beberiquei e deixei a garrafa descansar na geladeira de um dia para o outro mas não teve jeito, tive que descartar

Eu sei que as dicas acima parecem fáceis e bobas para muitas pessoas, mas atesto que demorei algum tempo para absorver a número 1, por exemplo. No começo eu não prestava muita atenção às safras dos vinhos comprados e corria riscos desnecessários, pois na excitação da escolha e da compra acabava nem me lembrando desse detalhe.

Tenho ainda duas observações com relação à pequena amostra de vinhos cujas fotos coloquei nesta página. A primeira delas é que as três garrafas foram compradas em supermercados. Supermercados de bom nível, que frequento com certa regularidade e sempre estão abastecendo minha adega. Apesar do ocorrido acho que não devemos demonizar supermercados como lugares inadequados para se comprar vinho, até porque todos sabem do comichão que nos acomete quando passamos pela seção de vinhos ("hoje vou levar só uma garrafinha... ou duas..."). Só para se ter uma ideia, junto com as garrafas acima vieram outras que agradaram sobremaneira.

A segunda observação é que a probabilidade de encontrar vinhos passados é bem maior nos exemplares do velho mundo. Isso fica evidente quando se analisa toda a cadeia logística que italianos e espanhois passam para chegar até nós, ao contrário do que ocorre com os vizinhos argentinos e chilenos.

E por hoje é só, até a próxima!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Destaques de MAI-2017

Como é praxe, a tarefa de escolher somente cinco vinhos foi difícil.

Mas como alguém já disse por aí em algum lugar, "missão dada é missão cumprida".

Weingut Heinz Pfaffman, Kloster Heilsbruck Riesling Spätlese Trocken, Pfalz 2014 (ALE)

Fantástico vinho que exibe textura de maçã verde e limão sobre olfato delicadamente cítrico. Extremamente seco, tem final de levíssimo amargor muito bem aplacado por ótima acidez. Perfeito para acompanhar comida japonesa.

Shabo Merlot, Odessa 2014 (UCR)

Nosso primeiro vinho ucraniano, e que beleza de vinho. Um fim de boca aveludado se seguiu aos aromas levemente terrosos dominados por amoras, acompanhando muito bem um risoto de queijo com medalhão de filé para comemorar uma conquista familiar que em breve será comemorada novamente, espero que em grande estilo.

Lavradores de Feitoria, Chorinho Douro DOC 2013 (POR)

Uma despretensiosa garrafa que surpreendeu, principalmente por ter sido produzida especialmente para o mercado brasileiro e fazer homenagem ao gênero musical que lhe dá o nome. A composição do vinho utiliza um quarteto clássico de uvas locais: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz (Tempranillo) e Tinta Barroca.

No olfato percebe-se agradável perfume de frutas negras, em boca é suave e equilibrado. O vinho foi degustado com pizza em comemoração à saúde de um evento de família e de um amigo que se tornou família.

Avondale Rosé, WO Paarl 2015 (AFS)

Abrimos este rosé sul-africano para acompanhar mais uma rodada de comida japonesa no dia das mães. Mais equilibrado que o Avondale Pinotage de alguns meses atrás, leva 86% de uma sub-variedade pouco vista de Moscato (Muscat de Frontignan) e 14% de Mourvédre.

No nariz é sutil como a maioria dos rosés, já em boca é vibrante e saboroso, desceu muito fácil enquanto o Domingo ia embora.

De Martino, Gallardía del Itata Old Vine White Blend, DO Valle del Itata 2014 (CHI)

Assemblage de respeito que mescla 70% de Moscato a 30% de Corinto. Foi a primeira vez que ouvi falar desta última uva, que a De Martino considera ser na verdade a europeia Chasselas (outra que também é nova para mim). De qualquer maneira o resultado do blend é muito agradável, distanciando-o do típico aroma floral da Moscato ao exalar frutas como pêssego, pêra e lichia, sensações presentes também num paladar que combina muito bem frescor e untuosidade.

* o Kloster Heilsbruck veio pela Weinkeller, o Shabo chegou numa das seleções do clube Winelands, o Avondale numa oferta dupla da Vinumday e tanto o Chorinho quanto o blend branco da De Martino foram comprados numa das lojas Viña Bebidas Finas de Cuiabá.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Compra pela Internet - Vinhoteca

No mês passado efetuei mais uma compra de vinhos via Internet, e a nova loja selecionada foi a Vinhoteca (http://www.vinhotecaonline.com.br).

Com sede em São Paulo capital, a ideia da empresa na versão online é aliar a leitura com o hábito de degustar vinhos. Isso fica evidente em sua proposta de clube, que entrega mensalmente um vinho e um livro aos associados e concede descontos especiais aos membros. Na minha opinião, porém, o foco são mesmo os vinhos já que a seção de livros não a chega a ser comparativamente tão vasta.

Fiz o pedido no dia 26 de Abril, aproveitando a política de frete grátis para compras acima de um certo valor, e efetuei o pagamento via depósito bancário no dia seguinte. Nesta mesma data o pedido foi enviado, sendo o mesmo entregue em 11 de Maio.


Os pacotes, um com 4 garrafas e outro com 1 garrafa somente, foram entregues em 10 dias úteis, ou seja, dentro do prazo acordado. Opa, os Correios trabalharam bem nesse caso, que coisa!

Duas observações:

1) Ao ler que "a encomenda é entregue à transportadora responsável em até um dia após a confirmação do seu pagamento", fui direto às compras e nem me toquei que essa "transportadora" é na verdade o nosso famigerado serviço de Correios. Tivesse eu lido um pouco mais adiante isso não passaria em branco e eu provavelmente não compraria, visto que na época eles estavam em greve em vários lugares do país e eu tinha um punhado de pacotes atrasados em algum galpão empoeirado dos Correios.

2) O código de rastreio que me foi informado via email permaneceu inválido até o dia em que o pacote chegou, para minha agradável surpresa. O motivo foi que haviam me passado um código errado, que simplesmente não existia.


Tenho que dar nota 10 para o serviço de embalagem, que é o melhor que já vi. Cada garrafa é individualmente acondicionada no invólucro protetor mostrado na foto acima. Pra quebrar só mesmo deixando a caixa cair de uma altura de alguns metros.


O pacote adquirido incluiu dois brancos espanhois, um rosé francês, um tinto italiano e um tinto israelense.

Outro inesperado aspecto desta compra é que um dos vinhos veio errado (o que está mais à esquerda na foto). No dia seguinte comuniquei o fato à empresa via email, informando-os também do erro no encaminhamento do código de rastreio. Nem cheguei a demandar nada sobre troca de garrafas, até porque elas são de equivalente qualidade, nunca provei o vinho que veio errado e trocar certas coisas compradas online simplesmente não vale o esforço.

Infelizmente não obtive nenhuma resposta de volta.

Apesar de ter gostado da variedade de vinhos ofertados no site e do fantástico trabalho de embalagem, não sei se compraria de novo por conta dos erros observados nesta pequena remessa, que poderiam ser relevados com uma simples mensagem por parte da empresa. A impressão que ficou é que eles precisam trabalhar melhor a logística de separação de vinhos e o setor de comunicação com o cliente.

VEREDITO FINAL: indico mas não compraria de novo.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Destaques de ABR-2017

Foram tantos vinhos bons e diferentes em Abril que ficou difícil escolher só cinco para essa postagem!

Uma curiosidade que raramente aconteceu comigo foi me deparar com duas garrafas passadas no mesmo mês. Uma delas estava pra lá de morta, a outra ainda "tomável" mas também em franco declínio. Considerando somente o universo de vinhos que degustei neste curto espaço de tempo dá para dissertar um pouco mais acerca do ocorrido, então vou deixar para escrever sobre o assunto no próximo texto.

Vamos aos destaques selecionados do mês.

Casa Valduga Terroir Raízes Cabernet Franc, Campanha 2013 (BRA)

Este foi aberto com boa expectativa, já que sempre ouvi falar muito bem dessa linha da Casa Valduga, e não desapontou. Mostrou paladar que equilibra muito bem o carvalho, os taninos e a acidez, que são precedidos por um ótimo conjunto de aromas de fruta madura.

Abel Pinchard / Loron & Fils, Beaujolais AOP 2014 (FRA)

Quando me foi solicitada uma garrafa para relaxar no fim de noite acompanhando uma pizza, esta foi a que tirei da adega. Uma excelente escolha, para dizer o mínimo: bem leve, com olfato frutado tímido em meio a toques caramelados, sem peso em boca graças ao perfil tânico macio.

O vinho fez muito bonito na opinião de todos à mesa, e ouso dizer que é o melhor Beaujolais/Gamay que já tive a oportunidade de provar.

Domaine Berthoumieu, Haute Tradition, Madiran AOC 2011 (FRA)

Para iniciar os trabalhos num dos fins de semana prolongados de Abril escolhemos esse blend com 60% Tannat, 30% Cabernet Sauvignon e 10% Pinenc. No nariz chama a atenção pela fruta madura, na taça é um vinho relativamente potente, vivo, medianamente encorpado, que abriu bem após um tempinho no decanter e ficou sedoso em boca.

Miolo Wine Group, Miolo Lote 43, DO Vale dos Vinhedos 2012 (BRA)

Decidimos abrir este clássico da vitivinicultura nacional num raro dia em que a temperatura caiu a um nível em que era possível deixar um tinto encorpado descansando no decanter por bastante tempo.

Corte de Cabernet Sauvignon e Merlot em proporções idênticas, as notas de chocolate e tostado sobre fruta madura precedem o paladar denso, marcado por um amadeirado que finalizou leve ao contrário do que eu esperava.

Herdade das Servas, Vinha das Servas Branco, VR Alentejano 2012 (POR)

Este foi o escolhido na carta do restaurante Mahalo Cozinha Criativa para comemorar o aniversário de quatro anos de casamento e acompanhar pratos à base de lagosta e pirarucu.

Com abacaxi dominando os aromas de frutas tropicais aliados a uma pitada de doçura, em boca se mostrou um vinho amanteigado, de textura já delicadamente evoluída. A composição é de 40% Roupeiro, 30% Antão Vaz, 20% Arinto e 10% Sémillon.

Saúde!

* a garrafa do Raízes veio da loja temporária de Natal da Domno no Pantanal Shopping, o Beaujolais peguei no Empório Delícias do Mar, o Madiran no supermercado Big-Lar, o Lote 43 no site da Miolo e o Vinha das Servas, como mencionado acima, na (superfaturada) carta do restaurante Mahalo.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A importância do Instagram

Quando somos iniciantes no mundo dos vinhos geralmente ficamos meio perdidos com a infinidade de informações sobre o tema.

Comigo não foi diferente.

Lembro-me que imediatamente comprei vários livros, lendo-os avidamente num curto espaço de tempo. Dois deles foram "devorados" durante os turnos da madrugada que peguei nos dias de reforma da loja da minha esposa. Além dos livros, assinei duas revistas sobre vinho, associei-me a um clube que entregava duas garrafas por mês na minha casa e passei a ler tudo o que encontrava sobre o tema na Internet.

E continuei perdido por algum tempo ainda. Ora bolas, ainda estou, mas num grau bem menor de perdimento.

Em meio ao turbilhão de informações desta fase inicial, uma das coisas que mais me ajudou e continua a ampliar meus horizontes é o tal do Instagram. Detalhe: foi por insistência da minha esposa que resolvi criar uma conta.


A primeira foto que publiquei no Instagram data de 19 de Maio de 2015. É esta abaixo, clicada no Varadero Bar e Restô em noite de rolha livre, munido de um Windows Phone de limitadas capacidades fotográficas. Lembro-me que a rolha, ressecada, quebrou na mão do garçom, e que ele teve a bondade de trazer um decanter para tentar se livrar dos resíduos de cortiça que ficaram após sua completa remoção. Ainda surpresos com a situação, foi a primeira vez que estávamos vendo um decanter ser usado.


De lá para cá já acumulei mais de 320 fotografias de momentos enófilos. Também acabei de passar de 500 seguidores, que é mais ou menos também a quantidade de contas que sigo.

Se você é iniciante como eu já fui e deseja ampliar os horizontes vendo fotos e lendo opiniões diversas, distintas daquelas a que estamos acostumados a ver, uma conta no Instagram é uma opção muito interessante. O aplicativo está disponível para todas as plataformas de aparelho celular e permite interação com uma infinidade de redes sociais. Serve muito bem como registro fotográfico de todo tipo, mas nem é preciso publicar nada se você não quiser. Basta encontrar as contas mais bacanas sobre vinho e segui-las para ver o que anda sendo degustado perto de você ou ao redor do mundo.

Tudo bem que tem gente que não escreve muita coisa, mas é cada foto linda que aparece!

Em tempo: o prato da foto acima chama-se "quarteto paulista", vem com quatro tipos de petisco e é super indicado para abrir os trabalhos neste ótimo restaurante.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Destaques de MAR-2017

Março foi um mês bem eclético, porém dominado por Itália, Chile, Argentina e Espanha. Adoro a diversidade em meus vinhos, independente de onde e sob que forma ela venha.

Vamos aos destaques do período!

Weingut Michel, Achkarrer Castellberg Grauer Burgunder Kabinett Trocken, Baden 2014 (ALE)

Começamos o mês com este ótimo Pinot Grigio alemão, que acompanhou uma série de queijos e petiscos diversos. Menos granuloso e de corpo mais etéreo que os exemplares italianos mais famosos, se mostrou aromático e acompanhou bem todas as opções do menu graças à boa acidez.

Podere San Cristoforo, Carandelle Sangiovese, Maremma Toscana DOC 2013 (ITA)

Varietal feito de Sangiovese, muito elegante, perfeito em boca para acompanhar uma lasanha. O perfil aromático remete a frutas vermelhas e um toque de especiaria, ambos também presentes no paladar de taninos firmes, porém finos.

La Recova Vineyard, D Sauvignon Blanc, Valle de Casablanca 2015 (CHI)

A vinícola La Recova cultiva unicamente a Sauvignon Blanc, então acredito ser natural que seus produtos com essa variedade tendam a atingir um nível de excelência maior. Catita também aprovou o vinho, que apresentou no olfato nuances marcantes de pêra e maracujá, seguidas por ótima acidez em boca. Combinação perfeita para mais uma barca de comida japonesa.

Aurelia Visinescu, Artisan Tamaioasa Romaneasca Sec Dealu Mare DOC, Muntenia 2012 (ROM)

Um dos vinhos brancos mais interessantes que tomei nos últimos tempos. Praticamente desconhecida por aqui, a Tamaioasa Romaneasca é uma das mais importantes uvas autóctones da Romênia. Imediatamente ao ser aberto o vinho exibiu notas de flores e tangerina, impressões que são confirmadas em boca juntamente com um pouco de mel, damasco e acidez no ponto. Um branco vibrante perfeito para uma tábua de queijos.

Assim que começamos a degustá-lo havia ainda um aroma que minha esposa tentou identificar mas não conseguia. Recorri ao contrarrótulo e vislumbrei a palavra basil, que em português se traduz como manjericão e foi exatamente de encontro à sua percepção. Como enófilos ganhamos a noite, mas de minha parte confesso que só fui sentir um pouquinho dessa especiaria que amo quando a garrafa estava acabando...

Pitars Cabernet Franc, Friuli Grave DOC 2015 (ITA)

Já há algum tempo tenho tentado me aprofundar mais no universo da Cabernet Franc, uma variedade que acredito ser menos austera porém de maior envergadura que a Cabernet Sauvignon. Com esta garrafa demos adeus a um bom fim de semana. No nariz os aromas são de frutas azedinhas sobre um perfil de especiaria, em boca taninos tímidos e amigável acidez. Um bom vinho por si só, e um deleite quando harmonizado com comida.

Saúde e até a próxima!

* a garrafa da Weingut Michel consegui por meio da Weinkeller, o Podere San Cristoforo é importado pela Miolo, o La Recova veio num pacote da Vinumday e os dois últimos chegaram até mim por meio do clube de vinho da Winelands.