quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Uma experiência com vinho tinto de mesa seco

No último fim de semana decidi realizar uma experiência que senti que precisava fazer, em homenagem a um passado que já pertenceu a muitos entusiastas brasileiros de vinho.

Pergunte a qualquer pessoa adulta de que forma elas inicialmente tomaram conhecimento desse universo. 90% responderão que foi por meio dos vinhos suaves, em sua maioria vinhos de “garrafão”. Eu faço parte desse grupo, porém não bebo vinho de garrafão há muitos anos.

Decidi preparar-me para a experiência ao receber ilustres visitas em minha casa no mês passado. Foi-me solicitado comprar algumas garrafas de vinho suave para serem consumidas durante o almoço. Acabei escolhendo o Campo Largo (Famiglia Zanlorenzi), mas também levei para casa uma garrafa do Chalise tinto de mesa seco, produzido pela Salton a partir de uvas Isabel, Concord e Seibel. Que como todos sabem não são uvas pertencentes à espécie Vitis vinifera e, portanto, não são adequadas à produção de vinhos finos.

Beberiquei o Campo Largo para acompanhar as visitas, mais uma vez relembrando o sabor adocicado característico dos vinhos de garrafão. Alguns goles não matam ninguém, e minha percepção de sabor foi a mesma inicialmente registrada em memória décadas atrás. Já o Chalise seria algo novo, uma vez que eu não me lembro de jamais ter provado vinho seco feito a partir das tradicionais uvas usadas em vinho suave.

A oportunidade surgiu na última manhã de Domingo. Um Torrontés argentino (Cepas Elegidas, Mendoza 2014) abriu os trabalhos enquanto minha esposa cozinhava e as visitas chegavam. Durante o almoço o Chalise foi aberto, e finalmente pude concluir a tal experiência. No olfato senti algo muito parecido com o que se sente do vinho suave, porém não com a mesma intensidade, já no paladar não havia nada além de um gosto metálico, plano, carente de vivacidade. Sem amargor, mas também sem qualquer atrativo que convidasse a mais uma taça.

Vinícola Salton, Chalise Tinto de Mesa
Parece bonito na foto, mas não é

O Chalise seco é muito ruim. Ouso dizer, a partir dessa experiência de desapego, que se o assunto for uvas não-viníferas e eu tiver que escolher entre as duas categorias, eu prefiro o vinho suave ao vinho seco.

Em tempo: o Chalise já foi chamado de Linha de Base da Salton, uma denominação abandonada que sequer é mencionada no site da vinícola. A não ser, é claro, que você acesse uma página que ainda está no ar mas não é divulgada. Empurrar o Chalise para debaixo do tapete dessa forma parece ser bobo, mas a atitude é perfeitamente compreensível para uma empresa que deseja se destacar no mercado por seus vinhos finos, e não por vinhos de mesa – açucarados ou não – vendidos a menos de 10 reais em postos de gasolina e mercados de bairros periféricos.

E chega, garanto que não vou escrever mais sobre Vitis labrusca e respectivos clones. A não ser que role algum tipo de compensação financeira ou ameaça de morte.

2 comentários:

  1. Também tinha a mesma imagem quanto a este vinho, mas para minha surpresa a algumas semanas tive de comprar um vinho suave para servir para uma irmã que só toma este tipo vinho, e na gôndola do supermercado haviam diversas marcas e acabei optando pelo Chalise por ser de uma vinícola conhecida. Ao servir a minha convidada fui informado que o vinho era muito bom o que me deixou surpreso e curioso fazendo com que viesse a experimenta-lo. Grande surpresa, pois o sabor era intenso, pouco doce e deixando um sabor de suco de uva na boca. Fui a procura do Chalise seco e também outra grata surpresa. Fica a dica para o vinho Chalise de uvas americanas seco. Para mim uma excelente opção para estes dias frios.

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    1. Muito interessante o seu comentário, Zé Alfredo.

      Só uma dúvida, o Chalise ao qual se refere é o tinto ou o branco?

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