quinta-feira, 18 de agosto de 2016

José Maria da Fonseca, Alambre Moscatel de Setúbal DO 2010 (Portugal)

Vinho: Alambre Moscatel de Setúbal DO
Safra: 2010
Região: Península de Setúbal
País: Portugal
Vinícola: José Maria da Fonseca (http://www.jmf.pt)


Como sempre quis provar um vinho licoroso que não fosse tão forte quanto o Porto, não deixei passar a oportunidade de pegar esse rótulo por um preço mais em conta numa promoção da Viña Bebidas Finas.

Posso dizer que não me decepcionei. Aberta como encerramento para o primeiro encontro da Confraria Tênis e Vinho MT, a garrafa foi posteriormente degustada aos poucos e me abriu os olhos quanto a esse estilo peculiar de vinho.

Um pouco de história

José Maria da Fonseca tem a honra de ser a mais antiga vinícola de Portugal. Fundada pelo empreendedor que lhe dá o nome em 1834, ela está atualmente em sua 7ª. geração e vende seus vinhos para todos os continentes do mundo. Alguns deles se tornaram muito famosos no mercado interno e externo, como os rótulos Periquita e o Lancers, bastante conhecido nos Estados Unidos. A relação da vinícola com nosso país sempre foi muito forte.

A José Maria da Fonseca sempre contribuiu para a divulgação e o prestígio dos vinhos portugueses. Dos quase 650 hectares de vinhas, e de uma adega dotada de tecnologia de última geração que rivaliza com as melhores do mundo, resultam vinhos que aliam a experiência acumulada ao longo da sua história com as mais avançadas técnicas de vinificação.

Conforme informação presente no site da empresa, sua produção divide-se entre rótulos "Grandes Marcas", "Premium", "Super Premium" e "Generosos".


O Moscatel de Setúbal

O Moscatel de Setúbal é produzido somente em Portugal, na municipalidade homônima dentro da Península de Setúbal. Considerado um tesouro dos vinhos portugueses, sua história se cruza com a história da José Maria da Fonseca, pois muitas fontes apontam para o fato de que o estilo teria sido inventado pelo visionário fundador da vinícola. Por muito tempo ele teve um quase-monopólio do Moscatel de Setúbal, mas hoje esse tipo de vinho é produzido por várias empresas diferentes.

A Península de Setúbal é ainda uma das denominações mais antigas de Portugal, sendo que a denominação de origem do Moscatel de Setúbal foi inicialmente demarcada em 1907, sendo confirmada e concluída em 1908. No contexto geral, a região de Setúbal DO está geograficamente delimitada pelos conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e a freguesia do Castelo pertencente ao município de Sesimbra. Este terroir é único: a precipitação anual é de 550 a 750 mililitros e há 2.200 horas de sol derramadas sobre terrenos arenosos e argilo-calcários, tudo temperado com uma mão cheia de brisa atlântica.

Similar ao Porto, o Moscatel de Setúbal é envelhecido em barrica até o momento do engarrafamento. As regulações da DO especificam que ele deve ser composto principalmente pelas castas Moscato de Alexandria ou Moscato Roxo, com até 30% de Arinto, Boais, Diagalves, Fernão Pires, Malvasia, Olho de Lebre, Rabo de Ovelha, Roupeiro, Talia, Tamarez e Vital. As uvas podem pertencer a uma mesma safra ou o vinho pode ser feito a partir de um blend de várias safras.


A Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS) é a entidade certificadora das Setúbal DO, ou seja, dos Moscatéis de Setúbal/Roxo e dos vinhos com Palmela DO e IG Península de Setúbal. A área de produção dos vinhos com esta designação regional, conhecida por Terras do Sado até 2009, abrange todo o distrito de Setúbal, desde o conselho de Montijo ao de Santiago de Cacém, enquanto a área dos Palmela DO, à semelhança da dos Setúbal DO, está circunscrita nos conselhos de Setúbal, Palmela, Montijo e Freguesia do Castelo, do conselho de Sesimbra. Para saber mais, visite o website dedicado ao Moscatel de Setúbal.


O vinho degustado: Alambre Moscatel de Setúbal DO 2010

De acordo com a descrição do produtor, a fermentação desse vinho feito 100% com a casta local Moscato é interrompida com a adição de aguardente vínica, seguida por uma maceração pelicular de 5 meses. O envelhecimento é feito em cascos ou tonéis de madeira usados por um período não especificado (supõe-se dois a três anos).

No alto de seus 17,5% de teor alcoolico e 127 g/litro de açúcar residual, a primeira impressão no olfato é definitivamente marcante. "Álcool puro", foi o veredito da minha esposa. É verdade que esta pode ser a sensação inicial, mas basta ter um pouquinho de paciência para reconhecer a forte presença de mel, melado e damasco maduro. Em boca ele faz jus à alcunha de "generoso", pois atinge a língua com peso e doçura, a textura espessa como um bom suco vínico maturado no qual pouco se sente a madeira.

O vinho acompanhou no primeiro dia um mousse de chocolate amargo e limão. Nos dias seguintes repeti o mousse e harmonizei-o ainda com pão de mel, bolo de cenoura, alfajor uruguaio e pão integral com recheio de cranberry. Houve um pouco de evolução no vinho enquanto ele descansava na geladeira, já que passei a sentir aromas bem específicos de caramelo. Todas as combinações funcionaram de maneira soberba.

Um forte abraço a todos e saúde!

2 comentários:

  1. Nunca provei estes Setúbal mas a descrição me deixou curioso.

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    1. Curiosidade é bom!

      E olha que coisa, ontem avistei esse mesmo vinho da safra 2008 por R$ 80 no meu supermercado favorito.

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