sexta-feira, 21 de julho de 2017

Carmim, Olaria Tinto Suave 2015 (Portugal)

Vinho: Olaria Tinto Suave
Safra: 2015
Região/Categoria: Vinho de Mesa
País: Portugal
Vinícola: Carmim (www.carmim.eu)


Há mais ou menos um ano atrás postei aqui mesmo sobre a experiência de pedir o vinho Olaria Tinto em taça, no caso durante uma de nossas sempre agradáveis visitas ao Madero Steakhouse.

Num misto de desinformação e também graças às mazelas do mercado de vinho nacional, saí do restaurante com um mistério na cabeça: se o Olaria distribuído no Brasil é rotulado como um vinho suave, por que minha percepção sobre ele foi a de um vinho extremamente seco e algo tânico, completamente diferente da ideia que todos nós possuímos de como deve ser um vinho suave?

Pois bem, esses dias atrás fiz a prova dos nove. Passei no mercado e levei para casa uma garrafa do Olaria Suave 2015.

O resultado me surpreendeu.

Grupo Carmim

Atuando na região do Alentejo, o Grupo Carmim é formado por três empresas, sendo a principal delas a Carmim (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz), fundada em 1971 por um grupo de 60 viticultores e que hoje conta com com cerca de 850 associados. Completam o grupo a Monsaraz Vinhos SA, responsável por toda a comercialização e distribuição no canal Horeca, e a Enoforum, empresa que cuida da exportação do grupo, atualmente feita para mais de 34 países.
Horeca (também HoReCa ou HORECA) é uma abreviação silábica para as palavras Hotel/Restaurant/Café, usada na Europa para uma ampla gama regulatória sobre a indústria de hoteis, bares, restaurantes e serviços relacionados (como o catering).
Acredito que quase todas as principais marcas da Carmim têm presença no Brasil, distribuídas por aqui pela importadora Porto a Porto.


O Vinho degustado: Olaria Tinto Suave 2015

Categorizado como vinho de mesa (sem especificação de região de origem), este Olaria é de fato suave, mas não suave como os suaves brasileiros com gosto de xarope adocicado. Elaborado a partir das castas Castelão (35%), Tempranillo (35%) e Trincadeira (30%), exibe aromas de fruta bem madura, e em boca tem certo corpo em meio à doçura não excessiva. Não chega a ser enjoativo, mas fica mais palatável quando bebido sozinho, sem acompanhar comida, a uma temperatura mais baixa.

E agora, José?

Existe uma explicação simples para a diferença de paladar observada entre a taça que provei um ano atrás e a taça mais recente. Minha percepção não me enganou afinal.

O vinho de antes era de fato seco, e o de agora "suave".

A razão para isso é que no restaurante a taça devia ser proveniente do Olaria Tinto bag-in-box, que não traz nada de suave em seus dados técnicos e deve corresponder ao Olaria Tinto original cujos dados estão publicados no site do Grupo Carmim. A distinção entre o seco e o suave é inclusive corroborada ao acessar as páginas do Olaria Tinto bag-in-box e do Olaria Tinto Suave no site da importadora (não existe a opção de vinho seco em garrafa).


Adicionalmente, se eu tivesse prestado mais atenção teria notado que em nenhum momento a carta do restaurante mencionava o termo "suave".

Fica, portanto, esclarecido o motivo da diferença. E também fica a dica a todos que decidirem provar uma taça do Olaria em restaurantes, visto que ele parece ser figurinha fácil em seções de vinhos por taça. Pelo menos por aqui.

3 comentários:

  1. Parabéns. Bela explicação. Ganhei uma garrafa "suave". Não iria experimentar, mas agora vou fazê-lo, para compartilhar com sua experiēncia.

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  2. Na sua opinião queijo pode ser uma boa opção para acompanhar esse vinho ?

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    Respostas
    1. Olá, Renée.

      Em se tratando de vinhos tintos acredito que o Olaria Suave pode ser sim uma boa combinação, por sua natureza levemente adocicada e sem carga tânica.

      É algo que eu tentaria, muito embora em minha opinião vinhos tânicos (tintos) não vão bem com queijos. Aqui em casa eles são sempre harmonizados com um bom vinho branco ou, melhor ainda, vinho de sobremesa (doce).

      Diga-me depois como foi a harmonização!

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