terça-feira, 29 de março de 2016

Concha y Toro, Terrunyo Riesling, DO Casablanca 2011 (Chile)

Vinho: Terrunyo Riesling, DO Casablanca
Safra: 2011
Região: Valle de Casablanca
País: Chile
Vinícola: Concha y Toro (www.conchaytoro.com)

11,5% de teor alcoolico

Foi influenciado pela qualidade da degustação que havíamos feito do Terrunyo Cabernet Sauvignon durante a agradável visita que fizemos à Concha y Toro no finalzinho do inverno chileno de 2015 que decidi trazer para casa essa garrafa. Considerando que a Riesling não é conhecida por produzir vinhos de nota fora do eixo Alsácia-Alemanha e que minha experiência prévia com a mesma se resumia a um trocken da Weingut Keller, confesso que na época isso foi meio que um tiro no escuro de minha parte.

Dizem por aí que os bons Rieslings podem envelhecer com classe por mais de uma década, mas não tive paciência para esperar tanto. Vou deixar para sentir os famosos aromas terciários de petróleo em outra oportunidade, com outra garrafa.


A linha Terrunyo dentro da Concha y Toro

Fundada em 1883 e detentora de um histórico de grande sucesso, a Concha y Toro é o maior produtor de vinhos da América Latina e um dos maiores produtores do mundo. Com uma impressionante participação no cenário vinícola mundial, a empresa é um rolo compressor de produção, exportação e penetração mercadológica. Mesmo quem não entende muito de vinho no Brasil, por exemplo, certamente conhece a marca devido ao nível de inserção da linha Casillero del Diablo nos canais de venda mais comuns ao grande público.

Dentre as várias linhas que compõem o portfolio da Concha y Toro, a série Terrunyo se enquadra na categoria de vinhos finos (fine wine collection), da qual também faz parte o mais conhecido Marques de Casa Concha, amplamente distribuído em terras tupiniquins. Os vinhos Terrunyo se caracterizam por serem produzidos a partir de blocos/quadras específicas dentro de vinhedos selecionados, com processos de vinificação mais restritivos e qualificação DO (denominação de origem).


Além da Riesling, as outras variedades atualmente vinificadas na linha são a Carmenère, a Cabernet Sauvignon, a Sauvignon Blanc e a Syrah. As uvas destas duas últimas, inclusive, vêm do mesmo vinhedo no vale de Casablanca de onde sai a Riesling, chamado Los Boldos. Muito próximo à costa do Pacífico, o parreiral de Los Boldos se beneficia da neblina matinal e de constantes brisas marítimas, que teoricamente ajudam a desenvolver uvas com aromas e sabores mais intensos. A influência do solo de argila vermelha e pobre em matéria orgânica também não deve ser descartada na composição do senso de terroir.

Já cheguei a ver as versões Carmenère e Cabernet Sauvignon do vinho Terrunyo para venda no Brasil, mas não a variedade Riesling.


O vinho degustado: Terrunyo Riesling, DO Casablanca 2011

Pois bem, é com orgulho que digo que o tiro no escuro que mencionei mais acima valeu a pena.

Os perfumes adocicados de lichia, damasco, frutas cítricas e mel me fizeram salivar só de senti-los emanando da taça. Em boca, o dulçor se desfez num corpo macio, de acidez marcante, que aos poucos foi contrariando o olfato ao evoluir para o lado mais seco do espectro de texturas. Foi preciso tomar muito cuidado para não avançar o sinal vermelho do álcool, já que eu estava degustando-o em noite de rolha livre num novo restaurante com a mesa abastecida de apetitosas variações de ceviche e sashimi.

Nem preciso dizer quão fantástico foi o nível da harmonização, preciso?

O Terrunyo Riesling tem perfil mais adocicado (um haltrocken, ou demi-seco) que o Keller que mencionei mais acima, mas não deixa nada a desejar em matéria de elegância. Na minha opinião é um vinho para ser apreciado com reverência. E foi só depois de abri-lo que vim a saber que ele foi recentemente eleito o melhor Riesling do novo mundo.

Saúde e um grande abraço a todos os colegas enófilos!


Única referência de pesquisa para este texto:
http://www.conchaytoro.com/descubre-vinos/fine-wine-collection

Um comentário:

  1. Lichia, damasco, frutas cítricas e mel. Que beleza. Infelizmente não tenho brancos da linha Terrunyo em minha adega. Bela dica.

    ResponderExcluir